Médicos que não existem e vídeos produzidos com inteligência artificial estão sendo usados para aplicar golpes nas redes sociais. O avanço dessas ferramentas tornou esse tipo de fraude mais barato e convincente, a ponto de motivar um alerta recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diante desse cenário, é importante adotar alguns cuidados antes de acreditar ou compartilhar conteúdos desse tipo. A seguir, veja como identificar quando um famoso ou um suposto profissional de saúde pode ter sido criado ou manipulado por IA e quais cuidados tomar antes de confiar em uma propaganda.🔎 Golpe do falso CEO: criminosos usam Microsoft Teams para enganar funcionários🔔 Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews🤖 Cinco vezes em que inteligências artificiais erraram feioFamosos e médicos falsos criados por IA: como identificar golpes nas redesMariana Saguias/TechTudo📱 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursos📝 Como saber se link do Instagram é falso ou golpe? Veja no Fórum do TechTudoÍndicePor que criminosos estão usando famosos e médicos criados por IAComo identificar um famoso falso criado por IAComo descobrir se um médico realmente existeSinais de que o anúncio pode ser um golpeO que fazer antes de comprar medicamentos ou suplementosFerramentas que ajudam a verificar imagens e vídeos1. Por que criminosos estão usando famosos e médicos criados por IACriar um vídeo falso nunca foi tão simples. Ferramentas de inteligência artificial disponíveis na internet conseguem gerar, em poucos minutos, cenas em que celebridades parecem recomendar um produto, médicos inexistentes dão entrevistas e pacientes contam histórias de cura que jamais aconteceram. Elas ainda clonam vozes e manipulam gravações reais para fazer alguém dizer algo que nunca disse.Esse tipo de manipulação é conhecido como deepfake, tecnologia que usa IA para alterar vídeos, imagens e áudios de forma extremamente convincente. Nos últimos anos, essas ferramentas ficaram mais acessíveis. Com isso, passaram a ser usadas não apenas para entretenimento, mas também para aplicar golpes e espalhar desinformação nas redes sociais. Foi justamente o aumento desse tipo de conteúdo que levou a Anvisa a emitir um alerta aos consumidores. Segundo a agência, criminosos vêm utilizando imagens, vozes e depoimentos criados ou alterados por IA para promover medicamentos e suplementos nas redes. Em muitos casos, os produtos anunciados são clandestinos, fabricados sem autorização, ou falsificados, imitando medicamentos originais. Como não passam pela avaliação da Anvisa, não há garantia de segurança, eficácia ou mesmo de que a composição informada na embalagem corresponda ao conteúdo do produto.O crescimento desse mercado também aparece em pesquisas. Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab/UFRJ) analisou uma amostra de 6.579 anúncios relacionados à saúde veiculados nas plataformas da Meta entre abril e maio de 2025. Desse total, 4.997 publicações (76%) foram classificadas como fraudulentas, evidenciando a dimensão do problema.Casos recentes mostram que golpistas vêm utilizando imagens manipuladas de médicos, apresentadores e outras figuras públicas para dar credibilidade a esses anúncios. Ao ver um rosto conhecido recomendando determinado produto, muita gente tende a acreditar que a propaganda é verdadeira, mesmo quando todo o conteúdo foi criado ou alterado por inteligência artificial.Além de produzir imagens cada vez mais realistas, as ferramentas atuais conseguem sincronizar voz, movimentos da boca e expressões faciais de forma automática. Isso torna as montagens muito mais convincentes do que há poucos anos. Anúncio falso sobre medicamento para vista foi produzido com IAReprodução/g1Qual site é mais confiável para previsão do tempo? Veja as melhores opções2. Como identificar um famoso falso criado por IANem sempre um vídeo criado com inteligência artificial entrega a fraude logo nos primeiros segundos. As ferramentas evoluíram bastante e, em muitos casos, os erros de imagem ou de voz passam despercebidos. Por isso, mais do que procurar defeitos técnicos, o ideal é investigar de onde aquele conteúdo veio. Comece pelos perfis oficiais da celebridade, como Instagram, Facebook, YouTube, TikTok ou site oficial. Se um artista realmente participou de uma campanha publicitária ou recomendou um produto, é natural que esse conteúdo apareça em seus canais ou nos perfis da empresa responsável. Quando o vídeo existe apenas em anúncios patrocinados ou em páginas desconhecidas, ligue o sinal de alerta.O passo seguinte é descobrir se aquela suposta entrevista foi publicada por veículos de imprensa confiáveis. Golpistas costumam aproveitar trechos de entrevistas reais e trocar apenas o áudio ou inserir novas falas com IA. Em outras situações, retiram uma gravação antiga de contexto e a transformam em uma falsa recomendação de medicamento ou suplemento.O próprio discurso do anúncio costuma revelar que há algo errado. Frases como "cura definitiva", "produto que a indústria farmacêutica não quer que você conheça", "tratamento proibido" ou "segredo escondido pelos médicos" apelam para o sensacionalismo e tentam convencer o consumidor a agir por impulso, antes que ele tenha tempo de verificar se a informação faz sentido.Se ainda restarem dúvidas, observe o vídeo com mais atenção. Pequenos atrasos entre a voz e o movimento dos lábios, expressões faciais pouco naturais, piscadas repetitivas ou mudanças bruscas na iluminação podem indicar que a imagem foi manipulada por IA. Nenhum desses sinais confirma o golpe por si só, mas ajudam a reforçar a suspeita quando aparecem em conjunto.Por fim, repare no caminho que o anúncio tenta fazer você seguir. Se, logo após o vídeo, aparece um botão para comprar o produto imediatamente, sem explicar quem é o fabricante ou de onde veio aquela recomendação, interrompa a compra e procure essas informações por conta própria.Veja como identificar um famoso falso criado por IAMariana Saguias/TechTudoSurveytime é confiável? Site promete dinheiro respondendo pesquisas; conheça3. Como descobrir se um médico realmente existeAntes de confiar na recomendação de um médico visto nas redes sociais, faça uma checagem simples. Pesquise o nome do profissional nos sistemas de consulta do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou do Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde ele afirma atuar. Em poucos minutos, é possível confirmar se aquele registro realmente existe e se está ativo.Caso o anúncio informe que o médico é especialista, confira também se ele possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Esse número confirma oficialmente a especialidade médica e ajuda a verificar se as informações apresentadas na propaganda correspondem aos registros dos conselhos de medicina.Outro detalhe importante é a forma como esse profissional se apresenta nas redes sociais. Pelas regras do Conselho Federal de Medicina, médicos que divulgam conteúdo profissional devem informar o número do CRM acompanhado da unidade da federação onde estão registrados. Quando divulgam uma especialidade reconhecida, também precisam informar o respectivo RQE. A ausência desses dados não comprova, por si só, que se trata de um golpe. Ainda assim, é um sinal que deve ser analisado em conjunto com os demais.Depois, procure outros indícios de que o profissional realmente exerce a profissão. Médicos costumam aparecer em sites de clínicas e hospitais, manter perfis profissionais nas redes sociais ou ter currículo disponível em instituições de ensino e pesquisa. Se o nome só existe naquele anúncio e não aparece em nenhuma outra fonte confiável, há um forte indício de que a identidade foi criada apenas para dar credibilidade ao golpe.Busque informações sobre o médico no portal do CFMReprodução/Diego CataldoOrganizei minha alimentação com o ChatGPT — 5 prompts para usar agora4. Sinais de que o anúncio pode ser um golpeNem todo anúncio falso apresenta erros evidentes de inteligência artificial. Em muitos casos, a fraude aparece mais na forma como a mensagem é construída do que no vídeo em si. Por isso, observe o conjunto da propaganda, e não apenas a imagem da celebridade ou do suposto médico. Um dos sinais mais comuns é a promessa de resultados garantidos. Anúncios que afirmam curar doenças, eliminar dores de forma definitiva ou oferecer tratamentos que funcionam para qualquer pessoa merecem desconfiança. Na área da saúde, esse tipo de promessa não é permitido e costuma ser usado para convencer o consumidor a comprar antes de verificar se a informação é verdadeira.Outro indício é o discurso conspiratório. Frases como "a indústria farmacêutica não quer que você saiba disso", "os médicos escondem essa descoberta" ou "esse produto foi proibido porque funciona" tentam criar a sensação de que existe uma verdade escondida. Na prática, esse tipo de narrativa serve para dar credibilidade a informações falsas.Observe ainda como a venda é feita. Se o anúncio leva para um site desconhecido, uma página sem identificação do responsável ou uma conversa direta pelo WhatsApp, vale interromper a compra e pesquisar melhor. Contadores regressivos, descontos válidos por poucos minutos e mensagens informando que restam poucas unidades também são estratégias usadas para criar urgência e reduzir as chances de o consumidor verificar a oferta.Outro sinal de alerta são anúncios que apresentam o produto como "químico experimental" ou "destinado exclusivamente à pesquisa". Segundo a Anvisa, esses itens não podem ser comercializados ao consumidor. Na prática, esse tipo de descrição é usado para tentar dar aparência de legalidade a produtos irregulares.Também é comum misturar elementos de programas conhecidos para transmitir uma falsa sensação de legitimidade. Não é raro encontrar vídeos que exibem trechos de telejornais, entrevistas ou logotipos de emissoras ao lado de depoimentos emocionantes sobre curas consideradas milagrosas. A presença dessas imagens, por si só, não significa que o conteúdo tenha sido produzido ou aprovado por esses veículos. Se o anúncio reúne vários desses sinais ao mesmo tempo, feche a página e confirme as informações em fontes confiáveis antes de tomar qualquer decisão.Anúncios que afirmam curar doenças para qualquer pessoa merecem desconfiança.Mariana Saguias/TechTudoOutlier AI é confiável? Paga mesmo? Saiba como funciona e polêmicas5. O que fazer antes de comprar medicamentos ou suplementosEncontrou um produto que parece interessante? Antes de clicar em "comprar", reserve alguns minutos para fazer uma checagem. Esse cuidado simples pode evitar prejuízos financeiros e, principalmente, riscos à saúde. O primeiro ponto é verificar onde o produto está sendo vendido. Segundo a Anvisa, medicamentos não podem ser comercializados por redes sociais nem por sites que não pertençam a farmácias ou drogarias regularizadas. Se a compra acontece diretamente por um anúncio no Instagram, Facebook, TikTok ou por um link enviado em aplicativos de mensagens, desconfie.Em seguida, confira se o medicamento possui registro na Anvisa. A consulta pode ser feita gratuitamente na base pública da agência e ajuda a confirmar se o produto está autorizado para venda no Brasil. Caso o anúncio prometa tratar doenças, mas o medicamento não apareça nos registros oficiais, interrompa a compra.Se o produto anunciado for um suplemento alimentar, o cuidado deve ser o mesmo. Esses produtos existem para complementar a alimentação e não podem prometer prevenir, tratar ou curar doenças. Caso a propaganda atribua esse tipo de efeito ao suplemento, vale pesquisar melhor antes de confiar. A própria Anvisa disponibiliza orientações para verificar se esses produtos estão regularizados.Outro cuidado importante é pesquisar quem está vendendo o produto. Farmácias, drogarias e lojas reconhecidas costumam informar CNPJ, canais de atendimento e dados do fabricante com facilidade. Já páginas recém-criadas, sites sem identificação ou perfis que escondem essas informações exigem cautela.Também vale lembrar que "natural" não significa necessariamente "seguro". Mesmo medicamentos fitoterápicos e produtos à base de plantas podem causar efeitos adversos, interagir com outros remédios ou apresentar riscos quando usados sem orientação adequada. Por isso, eles também precisam seguir as exigências da Anvisa.Por último, não tome a decisão de compra apenas porque um famoso ou um médico apareceu recomendando determinado produto. Mesmo quando essa indicação é verdadeira, ela não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Cada pessoa possui um histórico clínico diferente. Também pode ter doenças preexistentes ou utilizar medicamentos que interagem entre si. Além disso, influenciadores e celebridades frequentemente participam de campanhas publicitárias, o que não significa que aquele produto seja adequado para todos. Não tome a decisão de compra apenas porque um famoso ou um médico apareceu recomendando determinado produtoMariana Saguias/TechTudoSalvar senhas no Chrome é seguro? Especialista explica os reais riscos6. Ferramentas que ajudam a verificar imagens e vídeosAlém de pesquisar a origem do anúncio e confirmar se médicos e produtos realmente existem, algumas ferramentas podem ajudar a descobrir se uma imagem ou um vídeo foi reutilizado ou manipulado. O Google Lens é uma das opções mais simples. Basta enviar uma imagem ou capturar um quadro do vídeo para descobrir onde aquele conteúdo já apareceu na internet. Se a mesma foto estiver ligada a outra notícia ou a um contexto completamente diferente, há um bom motivo para investigar melhor antes de confiar.Outra alternativa é usar a pesquisa reversa de imagens do Google, que ajuda a localizar versões antigas da foto ou identificar quando uma imagem foi reutilizada em diferentes publicações. Para vídeos, uma das ferramentas mais conhecidas é o InVID. A extensão permite extrair quadros da gravação e fazer buscas reversas com essas imagens, facilitando a identificação de vídeos antigos reutilizados em golpes ou campanhas de desinformação.Já o Hive AI Detector analisa imagens em busca de indícios de geração por inteligência artificial. O resultado não deve ser encarado como uma prova definitiva, mas pode servir como mais um elemento para avaliar a autenticidade de determinado conteúdo.Google Lens pode ajudar a identificar anúncios falsos Arte/TechTudoCom informações de NetLabMais do TechTudo