J&J oferece bilhões para resolver casos ligados a talco infantil

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A Johnson & Johnson propôs pagar até US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 28 bilhões) para resolver milhares de processos nos Estados Unidos que relacionam produtos com talco a casos de câncer de ovário.A proposta representa uma tentativa de encerrar uma disputa judicial iniciada em 2009. A companhia, porém, continua afirmando que seus produtos são seguros e nega qualquer relação com o desenvolvimento da doença.A polêmica envolve alegações de consumidores sobre uma possível relação entre talco e câncer de ovário. Imagem: Shiva Photo/ShutterstockAcordo envolve cerca de 76 mil processosA oferta apresentada pela Johnson & Johnson abrange aproximadamente 76 mil casos ainda em andamento. Para ser concluída, a negociação precisa contar com o apoio de escritórios de advocacia que representam 95% das ações relacionadas a câncer de ovário em tribunais estaduais e federais.A empresa informou que pretende disponibilizar até US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,4 bilhões) no próximo ano, sem pagamentos adicionais previstos antes de 2028.As ações foram movidas por consumidores e familiares que alegam que produtos de talco poderiam estar ligados ao câncer devido a uma possível contaminação por amianto. A fabricante rejeita essa associação.Erik Haas, vice-presidente de litígios da Johnson & Johnson, classificou as alegações como “infundadas” e afirmou que a proposta busca resolver definitivamente o caso.O caso envolve discussões sobre uma possível contaminação por amianto durante a extração do talco. Imagem: KPG-Payless/ShutterstockEntenda a polêmica envolvendo o talcoComposto de magnésio, silício, oxigênio e hidrogênio, o talco é um mineral natural macio e sedoso ao toque, muito famoso por seu uso em pós para bebês.A controvérsia surgiu porque o mineral é extraído de áreas subterrâneas que podem estar próximas a depósitos de amianto, substância conhecida por causar câncer.Entre os principais pontos da disputa estão:Alegações de consumidores sobre uma possível relação entre talco e câncer de ovário;Acusações envolvendo uma possível contaminação por amianto;Defesa da Johnson & Johnson de que seus produtos não oferecem risco;Mudança da fórmula do talco infantil para uma versão à base de amido de milho.A companhia afirma que estudos mostram que o talco é seguro, não contém amianto e não causa câncer.A mudança da fórmula do talco infantil para amido de milho foi anunciada pela J&J em 2022. – Imagem: lisaaMC/iStockProduto deixou de usar talco mineral na fórmulaEm 2022, a Johnson & Johnson anunciou que deixaria de fabricar e vender seu pó para bebês à base de talco mineral em todo o mundo. A decisão ocorreu depois que o produto já havia sido retirado do mercado dos Estados Unidos.Leia mais:Justiça libera remédios barrados pela Anvisa e abre crise sobre tirzepatidaHIV: dois novos casos de cura são anunciados, chegando a 13 no mundoAnvisa suspende importação de colírios e medicamentosNa época, a empresa explicou que a mudança fazia parte de uma avaliação global de seu portfólio.“Como parte de uma avaliação global do nosso portfólio, tomamos a decisão comercial de fazer a transição para um portfólio de talco para bebês totalmente à base de amido de milho”, afirmou a companhia.Em comunicado recente, Haas declarou estar confiante de que a Johnson & Johnson “teria, em última instância, prevalecido em um processo judicial mais aprofundado”, citando os resultados obtidos na maioria dos casos julgados até agora.O acordo ainda depende das aprovações necessárias para avançar. Se for confirmado, poderá encerrar uma disputa que já dura mais de 15 anos e envolve milhares de consumidores nos Estados Unidos.O post J&J oferece bilhões para resolver casos ligados a talco infantil apareceu primeiro em Olhar Digital.