Beauvallet prepara expansão no Brasil com nova planta e foco em exportações

Wait 5 sec.

O frigorífico do grupo francês Beauvallet, localizado em Inhumas (GO), pretende acelerar seu processo de expansão no Brasil nos próximos anos. Especializada na produção de carne bovina, a empresa estuda a aquisição de uma nova unidade frigorífica voltada principalmente às exportações, além da implantação de uma fábrica de produtos de maior valor agregado em Goiás, onde já mantém suas operações.Segundo o presidente da Beauvallet Brasil, Charles Léguille, os dois projetos fazem parte da estratégia de crescimento da companhia, mas seguem em fases distintas. Enquanto a unidade de produtos industrializados deverá permanecer em Goiás, a nova planta frigorífica deverá ser instalada em outro estado.“Nós já estamos negociando algumas unidades e estudando oportunidades, mas ainda não há nenhuma definição. O foco, neste momento, é buscar plantas destinadas principalmente à exportação, sem deixar de atender o mercado interno”, afirmou. Leia Mais Bovmeat aposta em expansão e prevê crescimento acima de 15% em 2026 JBS vai reduzir US$ 400 milhões em investimentos e priorizar valor agregado JBS capacita mais de 300 açougueiros para impulsionar vendas no varejo Mesmo com forte atuação internacional, entre 60% e 80% da produção costuma ser destinada ao mercado externo, dependendo do período, a empresa reforça que manter presença no mercado brasileiro é fundamental para equilibrar as operações diante das oscilações do comércio internacional.Valor AgregadoA Beauvallet Brasil pretende ampliar sua participação no segmento de carnes de maior valor agregado, acompanhando uma demanda crescente de consumidores e varejistas por produtos com rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal.Segundo o presidente da companhia, a empresa trabalha com critérios rigorosos na seleção dos animais e já fornece carne para grandes clientes do varejo e da indústria de alimentos.“Nós buscamos animais com melhor acabamento e desenvolvemos linhas de produtos mais premium”, afirmou.Entre os clientes da companhia estão McDonald’s, Carrefour e Pão de Açúcar. Para atender essas empresas, a Beauvallet exige que os fornecedores cumpram requisitos relacionados à origem dos animais, preservação ambiental e conformidade trabalhista.“Nenhum produto pode ser entregue sem atender essas exigências”, destacou o executivo.A rastreabilidade também ocupa papel central na estratégia da empresa. Segundo Léguille, todos os animais que chegam à indústria já são identificados, mas o desafio permanece na identificação desde o nascimento nas propriedades rurais.“O Brasil avançou muito, mas ainda precisa desenvolver um sistema nacional mais robusto de rastreabilidade para acompanhar o restante do mundo”, afirmou.Além da carne bovina produzida no Brasil, o grupo Beauvallet atua na Europa com diferentes proteínas animais e uma ampla linha de produtos processados, especialmente frango cozido e industrializados destinados ao mercado europeu e ao Norte da África.Para o executivo, agregar valor à produção será cada vez mais importante para manter a competitividade da carne brasileira nos mercados internacionais.Outros destinosA busca por novos mercados tornou-se prioridade para a Beauvallet Brasil diante da redução das vendas para a China. O frigorífico concentra esforços para conquistar habilitações sanitárias no Reino Unido e nos Estados Unidos, além de ampliar sua presença em mercados halal.Para Léguille, o Reino Unido passou a representar uma oportunidade importante após deixar a União Europeia.“Hoje, dentro da Europa, o único mercado onde ainda podemos solicitar novas habilitações é o Reino Unido. Já estamos trabalhando nesse processo”, afirmou.Outra prioridade é conquistar a autorização para exportar aos Estados Unidos ainda neste ano. A empresa aguarda a realização da auditoria sanitária e afirma que vem investindo tanto na modernização da planta quanto na capacitação das equipes para atender aos requisitos exigidos pelo mercado americano.“É um mercado extremamente exigente. Não basta investir na estrutura da planta. Também é necessário investir fortemente no treinamento das pessoas”, disse.Embora reconheça o potencial dos Estados Unidos, Léguille avalia que, no momento, o mercado norte-americano ainda não demonstra sinais de aumento significativo nas importações de carne bovina brasileira, mesmo após a manutenção da competitividade do produto nacional.“Hoje não há sinais positivos de compras em grandes volumes”, afirmou.No Oriente Médio e no Norte da África, a empresa também enxerga oportunidades de crescimento. A Beauvallet já exporta carne halal para países como Argélia e afirma que a origem francesa do grupo facilita sua inserção comercial na região.Segundo o executivo, apesar dos desafios logísticos provocados pelos conflitos no Oriente Médio, esses mercados continuam estratégicos para a companhia.Léguille defende que o Brasil intensifique as negociações para abrir mercados como Japão e Coreia do Sul, reduzindo a forte concentração das exportações na China.“Não existe outro mercado que substitua a China em volume. Por isso o Brasil precisa abrir novos destinos e buscar maior valor agregado para a carne”, concluiu.CNA prevê queda de 4,5% na produção de carne bovina em 2026