Os partidos do chamado “Centrão” caminham para formalizar posição de neutralidade nas eleições presidenciais deste ano, nas convenções realizadas até 5 de agosto. A prioridade será investir recursos e esforços nas eleições ao Congresso Nacional. Assim, as legendas ficarão de fora dos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).Muitos dos partidos, inclusive, foram cortejados pelos dois lados dos presidenciáveis que estão à frente nas pesquisas. Algumas legendas até mantêm espaços na Esplanada dos Ministérios do Governo Lula, mesmo que, após a desincompatibilização, os cargos em primeiro escalão tenham reduzido de forma significativa.De toda maneira, Brasil afora, as siglas do Centrão estão ora mais próximas, ora mais distantes de Lula e Flávio, a depender do contexto local.Em estados onde Lula tende a ter maior vantagem eleitoral – no Nordeste, por exemplo -, pré-candidatos do Centrão a vagas no Congresso, por mais que sejam próximos de Flávio Bolsonaro, têm sido cautelosos ao declarar apoio, sob pena de prejudicar a própria candidatura. O pragmatismo tem prevalecido.O PT foi mais discreto nos avanços para acordos federais com partidos do Centrão. Anteriormente, Lula distribuiu ministérios a partidos de centro para garantir a governabilidade e avanços de pautas no Congresso. Agora, já com foco nas eleições, preferiu focar nas parcerias mais à esquerda para formar o palanque nacional.Esse cenário, no entanto, não quer dizer que, a nível local, a legenda do atual presidente não esteja buscando proximidade com nomes mais ao centro. A ideia é ter mais visibilidade dentro dos estados ao projeto de reeleição.3 imagensFechar modal.1 de 3Presidente LulaRicardo Stuckert2 de 3Valdemar da Costa Neto e Flávio BolsonaroBeto Barata/Partido Liberal3 de 3Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que irá pedir segurança da Polícia FederalLuis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNovaPLJá o Partido Liberal (PL) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi mais enfático e tentou até os últimos dias atrair o apoio de legendas de centro, chegando a colocar na mesa a indicação da vice-presidência. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a senadora e líder da bancada do Progressistas, Tereza Cristina (PP-MS), mas recebeu a negativa da ex-ministra da Agricultura.Flávio ainda tentou procurar o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), nesta semana, mas o cacique já sinalizou a aliados que a posição é de neutralidade no pleito para viabilizar candidaturas em todos os estados.“Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados”, disse um integrante da executiva nacional do Progressistas ao Metrópoles.Valdemar também procurou o Republicanos e o Podemos, mas as duas legendas também não fecharam apoio a Flávio Bolsonaro, até então. O partido de Marcos Pereira chegou a rodar uma pesquisa testando nomes femininos do Republicanos para uma eventual vice, mas o resultado não animou. A convenção nacional do PL ocorrerá neste sábado (25/7), em São Paulo.Por outro lado, é o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques é o que mais agrada Flávio Bolsonaro. A republicana, porém, recém-filiada, enfrenta resistências tanto no PL quanto no próprio partido. Valdemar chegou a dizer que Marques “precisa ter voto” para ser vice.Ao mesmo tempo, ante o imbróglio, Valdemar deixou a decisão para os Bolsonaros. Ao Metrópoles, disse que a decisão será de Flávio e que será “uma escolha pessoal” do pré-candidato à presidência.Outro partido de grande porte a assumir a neutralidade deverá ser o MDB. O cenário deve se repetir, ainda, para o Solidariedade e o PRD.PSDO único partido do Centrão com candidatura própria é o PSD, que terá o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como cabeça de chapa e o presidente nacional, Gilberto Kassab, como vice. Apesar da escolha, o PSD não deve empurrar palanques nos estados, também tendo em mente a realidade de cada localidade.O partido de Kassab tem proximidade com bolsonaristas em determinados estados e com Lula em outros. Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde o pré-candidato Eduardo Paes (PSD-RJ) é lulista assumido.Nesse contexto, mesmo sendo do mesmo partido que o nome ao governo, Caiado não terá palanque de Paes no Rio.Um cenário diferente do de 2022O atual cenário difere da posição adotada pelo Centrão nas últimas eleições gerais, quando Jair Bolsonaro tentava a reeleição e Lula, um terceiro mandato.Naquele ano, o PP e o Republicanos formaram coligação com o PL para tentar reeleger Bolsonaro. À época, Ciro Nogueira era ministro da Casa Civil.No primeiro turno, o MDB, o União Brasil e o PDT tiveram candidaturas próprias. O MDB lançou Simone Tebet, em aliança com o PSDB, Cidadania e Podemos, enquanto o PDT, lançou Ciro Gomes. Tebet apoiou Lula no segundo turno e acabou se tornando ministra do Planejamento, mas o MDB liberou seus filiados. Já o PDT apoiou o petista, mas Ciro Gomes, então pedetista e hoje no PSDB, não.O União Brasil lançou a senadora Soraya Thronicke, hoje no PSB, para o primeiro turno, mas depois manteve a neutralidade no segundo turno de 2022.Apoios em 2022Quem apoiou Bolsonaro no primeiro turno em 2022PLPPRepublicanosQuem apoiou Lula no primeiro turno de 2022PTPVPCdoBPsolRedePSBAvanteSolidariedadeProsAgir