A Sony anunciou recentemente que deixará de produzir jogos em mídia física para PlayStation a partir de janeiro de 2028, decisão que pode impactar diretamente o mercado global de jogos usados, avaliado em US$ 7,2 bilhões. A medida também tem gerado protestos entre jogadores preocupados com a preservação, acessibilidade e revenda dos títulos.Segundo uma análise da Dataintelo, o segmento de produtos usados relacionados aos videogames continua em expansão e pode alcançar US$ 13,8 bilhões até 2034. O fim dos discos de PlayStation, no entanto, ameaça uma parcela significativa desse mercado nos próximos anos.Especialistas apontam que a transição para o formato exclusivamente digital pode reduzir as opções disponíveis aos consumidores. Michael Pachter, diretor administrativo de planejamento estratégico da Wedbush Securities, afirmou que "pelo menos um terço dos jogos historicamente foram vendidos como usados", destacando a importância desse modelo para a indústria.Mercado de jogos usados pode chegar a quase US$ 14 bilhões em 2034, segundo estimativasO relatório da Dataintelo estima que o mercado global de videogames usados movimentou US$ 7,2 bilhões em 2025. Desse total, os consoles representam 42,3% da receita, enquanto a expectativa é que o setor alcance US$ 13,8 bilhões até 2034.A América do Norte lidera o segmento, concentrando 36,8% das receitas globais, seguida pela Europa, responsável por 28,3%. Já a região Ásia-Pacífico representa 24,6% do mercado, enquanto América Latina, Oriente Médio e África somam 10,3% — com destaques para Brasil, México, Arábia Saudita e África do Sul.Grande parte desse volume envolve a comercialização de jogos usados, prática que permite aos consumidores adquirir títulos por valores menores ou utilizá-los como moeda de troca em novas compras. O modelo também sustenta uma parcela importante do varejo especializado em games.Michael Pachter ressalta que o mercado de usados sempre desempenhou um papel relevante para consumidores e lojistas. "Pelo menos um terço dos jogos historicamente foram vendidos como usados, e os jogos vendidos também serviam como moeda de troca para os jogadores que os utilizavam para comprar jogos novos", explicou o analista.Segundo ele, o avanço do formato exclusivamente digital deve acelerar o declínio do varejo físico especializado. "O varejo físico de jogos está fadado ao fracasso", concluiu Pachter ao comentar os possíveis impactos da decisão da Sony.Acessibilidade é o principal motivo que faz os jogadores irem atrás da mídia físicaAlém do colecionismo, a acessibilidade continua sendo um dos principais fatores que levam consumidores a optarem pelo mercado de usados. Em muitos casos, as versões físicas são comercializadas por valores inferiores aos praticados nas lojas digitais oficiais.Com a migração para o formato exclusivamente digital, parte dessa flexibilidade pode deixar de existir. Embora a decisão da Sony não afete os discos já em circulação, ela limita as possibilidades para futuros lançamentos de PlayStation.Kazunori Ito, diretor de pesquisa de ações da Morningstar, afirma que a principal discussão envolve a liberdade de escolha do consumidor. "Existe uma diferença importante entre os jogadores aceitarem essa mudança porque veem valor nela e terem essa mudança efetivamente imposta a eles", declarou o especialista.Ito acrescenta que "a maioria prefere fazer essa transição à sua maneira e no seu próprio ritmo, em vez de ter que lidar com a questão dos discos físicos". Os rumores sobre um PS6 sem leitor de discos reforçam esse cenário — enquanto relatos apontam que a Microsoft estuda alternativas para permitir a digitalização de coleções físicas no futuro do Xbox.O que você acha do possível impacto do fim da mídia física no mercado de jogos usados? Conte para o Voxel nas redes sociais!