Uma pesquisa da Universidade Estadual de Michigan mostrou que sistemas de inteligência artificial podem classificar como “vida” algo que não corresponde a organismos reais. O resultado surgiu após testes com formas de vida simuladas em computador.O estudo acende um alerta para futuras missões espaciais que pretendem usar IA na busca por sinais de vida fora da Terra.Pesquisadores testaram algoritmos com organismos digitais para entender como a IA identifica sinais de vida. – Crédito: DALL-E/Olhar DigitalExperimento com organismos digitais revela limite da IAA inteligência artificial ganhou espaço na ciência por conseguir analisar grandes volumes de informações e encontrar padrões rapidamente. Mas uma pesquisa indica que esses sistemas podem falhar quando encontram situações muito diferentes das usadas em seu treinamento.O biólogo computacional Christoph Adami e o pesquisador Ankit Gupta fizeram os testes usando o programa Avida, criado em 1993. A plataforma simula organismos digitais escritos em código, capazes de se replicar, sofrer mudanças e disputar recursos computacionais.Durante três meses, os cientistas analisaram mil máquinas ao mesmo tempo para verificar se a tecnologia conseguiria separar programas digitais com características de vida daqueles que não apresentavam esses sinais.O resultado chamou atenção. Adami explicou que o sistema podia ser convencido de que algo era vida mesmo quando não era.Dentro de cerca de 15 mudanças, conseguimos fazer a IA ter total confiança em uma classificação de vida, quando, na verdade, nenhuma das vezes em que ela estava 100% confiante era realmente vida.Christoph Adami, biólogo computacional, em nota.Dados desconhecidos são o maior desafioA dificuldade está nos chamados “dados fora da distribuição”. Em resumo, modelos de IA costumam funcionar melhor quando analisam informações semelhantes às usadas durante o treinamento.Adami compara a situação ao ensino de um sistema para reconhecer maçãs. Ao receber imagens da fruta, o resultado tende a ser correto. Mas, diante de bananas, o modelo pode se confundir porque nunca aprendeu aquele padrão.O mesmo desafio aparece na busca por vida extraterrestre. Organismos de outros planetas podem ter características completamente diferentes das formas conhecidas na Terra.“Você precisa conhecer seus dados de treinamento e, se souber que os dados de teste fazem parte da mesma distribuição, estará bem. Mas não é possível garantir isso com vida extraterrestre”, disse Adami.Antes de encontrar alienígenas, a IA terá que superar um desafio: reconhecer o que realmente é vida. Imagem: IA/FreepikMissões espaciais podem exigir novos métodosO problema pode impactar pesquisas que dependem da análise de sinais químicos, incluindo estudos sobre Vênus, Europa e exoplanetas.Leia mais:Por que nunca encontramos alienígenas? A IA pode ser a culpadaVÍDEOS: EUA divulgam novos arquivos sobre OVNIsCometa 3I/ATLAS pode ajudar a identificar tecnologias alienígenas Para Caleb Scharf, da NASA Ames, a solução pode estar em criar sistemas capazes de reconhecer situações inesperadas.“Gupta e Adami apontam de forma precisa um desafio crítico na detecção de vida que pode prejudicar os ganhos esperados da IA e do aprendizado de máquina: o que fazemos com os desconhecidos desconhecidos?”, afirmou.Agora, Adami e Gupta planejam levar os testes para dados do mundo real. Os resultados serão apresentados em agosto durante a Conferência de Vida Artificial de 2026, em Waterloo, no Canadá.O post IA pode encontrar alienígenas que nunca existiram? Estudo alerta apareceu primeiro em Olhar Digital.