O Santander reduziu o preço-alvo das ações da MRV&Co (MRVE3), conglomerado que reúne as marcas MRV, Resia, Urba e Luggo, de R$ 12,80 para R$ 10,70, após adotar um cenário mais conservador para a companhia.Apesar do corte, o banco manteve a recomendação outperform (equivalente à compra) ao destacar que o papel ainda negocia a níveis “bastante descontados”.Mesmo com a diminuição, o novo preço-alvo representa um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 133% sobre a cotação atual, de R$ 4,59. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "MRVE3", "MRVE3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "60eb9c2"} ); Novas projeções para a MRV&CoSegundo o Santander, o principal motivo para a revisão do preço-alvo foi a expectativa de novas perdas relacionadas à Resia, que é a marca da MRV&Co nos Estados Unidos (EUA).Além disso, o ajuste também reflete os resultados do primeiro trimestre (1T26), a prévia operacional do segundo trimestre (2T26) e novas premissas macroeconômicas.Agora, o banco espera um prejuízo líquido de R$ 727 milhões para o grupo no acumulado de 2026, contra uma estimativa de R$ 562 milhões anteriormente.Já para 2027 a expectativa é de lucro líquido de R$ 721 milhões, cerca de 29% abaixo do cálculo anterior.Os analistas também reduziram a projeção de margem bruta da MRV Incorporação, marca voltada ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV), para 31,4% em 2026 e 32,8% em 2027, contra 32,2% e 33,9%, respectivamente, refletindo uma recuperação mais lenta do que o esperado.Como consequência, a estimativa de lucro da divisão brasileira caiu para R$ 483 milhões este ano e R$ 823 milhões no próximo, cortes de 43% e 24% em relação às expectativas anteriores.Resia no centro das atençõesDe acordo com o Santander, a Resia continua sendo o principal fator de risco para a tese de investimento, embora a expectativa seja de que a companhia venda os ativos remanescentes da operação americana até o fim de 2026, permitindo que a subsidiária seja classificada como uma descontinuada e deixe de impactar os resultados consolidados.O banco destaca que dois projetos da marca, o Memorial e o Golden Glades, devem ser alienados ainda este ano, enquanto o restante do portfólio deve ser monetizado ao longo de 2027.Mesmo assim, a instituição elevou sua projeção de prejuízo da Resia para US$ 229,7 milhões em 2026, contra apenas US$ 11,7 milhões previstos anteriormente.O salto é grande porque o Santander mudou sua visão sobre quanto a subsidiária ainda perderá na venda dos seus imóveis.De acordo com os analistas, o mercado imobiliário nos Estados Unidos continua pressionado pelos juros elevados, o que reduz o valor que esses empreendimentos conseguem alcançar.Além disso, a mudança de visão também ocorreu após a venda dos empreendimentos Rayzor Ranch e Ten Oaks, em junho, por US$ 139 milhões (equivalente a R$ 716 milhões).Segundo o banco, esses dois ativos foram negociados com desconto de 26% em relação ao valor contábil, indicando que outros também podem precisar ser alienados com deságios semelhantes.Operação no BrasilQuanto à operação no Brasil, o Santander afirmou que abril e maio apresentaram bom desempenho de vendas, enquanto junho foi prejudicado pela Copa do Mundo e por critérios mais restritivos da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito imobiliário.No entanto, após realizar reunião com o diretor de Relações com Investidores da MRV, Augusto Andrade, os analistas do banco destacaram que a situação já foi normalizada e que a comercialização “voltou ao ritmo esperado”.Ao Santander, a administração também afirmou que continua focada em ampliar sua equipe própria de vendas, acelerar a geração de caixa e simplificar sua estrutura.Por que o Santander continua otimista?Mesmo revisando para baixo suas projeções, o Santander entende que a tese de investimento em MRV&Co permanece interessante.Na avaliação do banco, a operação brasileira está praticamente recuperada, enquanto os ativos que mais pressionavam os resultados — especialmente a Resia — devem perder relevância à medida que forem vendidos.Além disso, os analistas ressaltam que a ação MRVE3 negocia a apenas 3,5 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, um patamar considerado atrativo.“A trajetória da MRV&Co está agora mais clara, visto que seu negócio principal está quase totalmente recuperado, enquanto a Luggo e a Resia, que pressionavam e distorciam os resultados, agora têm relevância muito menor.”