Novo líder militar da Ucrânia promete intensificar contraofensiva à Rússia

Wait 5 sec.

O novo comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Mykhailo Drapatyi, disse nesta quarta-feira (22) que recebeu a missão de intensificar ações de contraofensiva e lançar novas operações dentro da Rússia.Na terça-feira (21), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nomeou Drapatyi, de 43 anos, para o mais alto posto militar, substituindo Oleksandr Syrskyi, de 60 anos, na maior reformulação da liderança militar da Ucrânia desde a invasão russa de 2022.A medida ocorreu após a saída — em uma ampla reformulação do governo na semana passada — do ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, de 35 anos, um reformista com perfil tecnológico; o episódio expôs as profundas divisões na liderança de defesa da Ucrânia. Leia Mais Vídeo: Ataque da Ucrânia em armazém russo causa enorme coluna de fumaça Enviados da UE se reúnem para negociar novo pacote de sanções contra Rússia Zelensky troca chefe das Forças Armadas em meio a protestos na Ucrânia “O presidente da Ucrânia estabeleceu objetivos claros para nós: continuar e intensificar operações ofensivas em todos os domínios, planejar novas operações atrás das linhas inimigas, desenvolver nossas forças armadas e suas tecnologias, e ampliar as capacidades das Forças Armadas da Ucrânia”, disse Drapatyi no Facebook.Kiev intensificou ataques à infraestrutura energética e à logística da Rússia neste ano, em uma tentativa de minar o esforço de guerra de Moscou.O major-general Ihor Skybiuk, ex-comandante das forças de assalto aéreo, assumirá o comando do Estado-Maior, disse o novo comandante-chefe.Drapatyi, um comandante respeitado e experiente, é descrito por muitos como um general de uma nova geração. Syrskyi enfrentou duras críticas devido a um estilo de comando rígido que, segundo alguns militares, resultou em perdas de tropas injustificadamente elevadas.“Zelensky ouviu os manifestantes”Nas ruas de Kiev e de outras cidades, protestos — raros em tempos de guerra — exigiam a demissão de Syrskyi e a recondução de Fedorov ao cargo.“Zelensky ouviu os manifestantes”, disse Ilona Ivchenko, de 40 anos, gerente de recursos humanos que vive em Kiev. “Apoio a demissão de Syrskyi, e a nomeação de Drapatyi foi a escolha certa.”Em uma publicação na rede social X nestaa quarta, confirmando sua saída, Syrskyi destacou seu histórico de atuação no campo de batalha e as reformas realizadas, incluindo a retomada de mais de 700 km² de território ucraniano neste ano. “Estou entregando ao meu sucessor um Exército que não apenas sustenta a defesa, mas também está na ofensiva — com iniciativa, com estrutura e com pessoas que sabem como derrotar o inimigo”, disse ele.Coronel-general Oleksandr Syrskyi, comandante das Forças Terrestres da Ucrânia, concede uma entrevista à Reuters, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, na região de Kharkiv, Ucrânia • 12/01/2024 REUTERS/Valentyn OgirenkoApesar de o avanço russo ter desacelerado este ano, suas tropas continuam pressionando em áreas estratégicas do leste da Ucrânia.Zelensky afirmou que ele e Drapatyi decidiram como Syrskyi e o chefe do Estado-Maior que está deixando o cargo, Andrii Hnatov, continuariam a servir aos esforços militares da Ucrânia, sem fornecer mais detalhes.Fedorov saudou a nomeação de Drapatyi, embora seu próprio destino permaneça incerto. Zelensky disse na terça que lhe ofereceu um “cargo digno” na administração pública, mas Fedorov já havia declarado anteriormente que só queria recuperar seu antigo posto. Uma fonte disse à Reuters que era improvável que Fedorov fosse reconduzido ao cargo.Zelensky nomeou Yevhenii Khmara como ministro da Defesa interino.Drapatyi assume o comando em um momento de crescentes tensões sociais e políticas em torno da liderança da Ucrânia em tempo de guerra, e enfrentará uma série de desafios, incluindo a questão delicada do recrutamento.“Um processo de mobilização prático e eficaz foi identificado como prioridade”, disse Zelensky na rede social X.Questionado sobre a reformulação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não acreditar que isso levaria a mudanças no campo de batalha.Entenda o que é a Crimeia, região da Ucrânia anexada pela Rússia