Artemis III será a missão mais complexa da NASA desde a era Apollo

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A NASA prepara para 2027 uma das operações espaciais mais complexas de sua história: a Artemis III, missão que levará quatro astronautas à órbita terrestre para testar a integração entre três veículos espaciais antes dos próximos passos rumo à superfície lunar.O voo será realizado a partir do Centro Espacial Kennedy e da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, com participação do foguete Space Launch System (SLS), da cápsula Orion e dos módulos comerciais Starship, da SpaceX, e Blue Moon, da Blue Origin.A missão terá como objetivo principal validar procedimentos de encontro, acoplamento e operação conjunta entre diferentes sistemas espaciais, criando as bases para a futura tentativa de pouso tripulado na Lua prevista para a Artemis IV.Uma operação orbital com múltiplos lançamentos e diferentes veículosFoguete New Glenn da Blue Origin – Imagem: Divulgação/Blue OriginA Artemis III representa uma mudança significativa na forma como missões tripuladas de exploração profunda podem ser conduzidas. Diferentemente dos voos Apollo, que utilizavam uma arquitetura mais direta, o novo programa aposta em uma sequência coordenada entre veículos desenvolvidos por diferentes organizações.Antes da partida da tripulação, a Blue Moon deverá chegar à órbita baixa da Terra a bordo do foguete New Glenn, da Blue Origin. O módulo permanecerá no espaço por até 30 dias, período no qual a empresa e a NASA poderão avaliar seus sistemas antes da chegada dos astronautas.Depois será a vez do SLS decolar do Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy, levando a cápsula Orion com os quatro tripulantes. Em órbita terrestre, a nave da NASA realizará o encontro com a Blue Moon e permanecerá conectada ao veículo por aproximadamente dois dias.Durante essa etapa, dois astronautas deverão acessar o interior do módulo lunar para verificar sistemas ambientais, aviônicos e a compatibilidade entre as duas espaçonaves. Também será levado um traje espacial de teste, desenvolvido para simular equipamentos que serão usados em futuras atividades na superfície da Lua.A programação prevê ainda uma aproximação com a Starship, veículo da SpaceX que terá uma versão adaptada para missões lunares. A conexão entre Orion e Starship servirá para avaliar comunicação e manobras entre as duas estruturas em órbita.A SpaceX ainda trabalha para transformar a Starship em um sistema operacional capaz de atender às exigências da NASA para missões tripuladas à Lua. O veículo já realizou voos de teste, mas continua em fase de desenvolvimento e precisa demonstrar tecnologias fundamentais, como abastecimento de combustível no espaço.A arquitetura planejada para missões futuras depende da capacidade de realizar transferências de propelentes em órbita. Para a Artemis IV, a NASA estima que serão necessários diversos lançamentos de espaçonaves de abastecimento para preparar a Starship lunar antes da viagem.Foguete Starship da SpaceX – Imagem: Reprodução/SpaceXO gerente do Programa Artemis, Jeremy Parsons, afirmou que a missão exigirá uma coordenação sem precedentes entre equipes, estruturas de lançamento e parceiros privados. “A Artemis III será uma dança altamente coreografada, com uma sequência exigente de lançamentos e operações igualmente complexas para nossas equipes de solo e voo”, declarou Parsons em uma atualização da NASA publicada em julho.A experiência terá como referência poucos precedentes na história espacial. O texto da NASA destaca que apenas uma missão tripulada anterior realizou encontros com mais de uma espaçonave capaz de suportar tripulações próprias: a soviética Soyuz T-15, em 1986, que realizou operações envolvendo as estações Salyut 7 e Mir.Apesar dos avanços planejados, os veículos ainda precisam superar etapas de desenvolvimento. A Blue Origin enfrenta desafios após um incidente durante testes de motor do New Glenn, enquanto a SpaceX continua aprimorando a Starship para cumprir os requisitos necessários.O gerente do programa Human Landing System da NASA, Steve Creech, explicou que os testes com os veículos comerciais têm a função de aumentar a confiança antes de uma missão de pouso com astronautas. “A SpaceX e a Blue Origin apresentaram objetivos ambiciosos para complementar demonstrações não tripuladas e ampliar nosso entendimento e confiança nas espaçonaves e foguetes antes de um pouso tripulado”, afirmou Creech em atualização da missão.Se a Artemis III cumprir seus objetivos, a NASA pretende utilizar os aprendizados obtidos para avançar com a Artemis IV, missão planejada para levar astronautas novamente à superfície lunar, mais de cinco décadas após o encerramento do programa Apollo.O post Artemis III será a missão mais complexa da NASA desde a era Apollo apareceu primeiro em Olhar Digital.