Kidults: o diz a psicologia sobre o "boom" de brinquedos para adultos

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Massinha de modelar, blocos de montar, pelúcias, videogames e bonecos colecionáveis. O mercado voltado aos chamados kidults — adultos que consomem brinquedos e produtos associados à infância — cresce em todo o mundo e desafia uma ideia antiga: a de que “brincar é coisa de criança”. Leia também Pouca vergonhaCasal é criticado após revelar que apenas a mulher faz sexo com outros Claudia MeirelesPríncipe George faz 13 anos; veja a transformação do herdeiro do trono Vida & EstiloPreparar o café perfeito começa pela escolha de grãos, afirma expert Vida & EstiloAmendoim é grande aliado para quem precisa consumir mais proteína Ao Metrópoles, a psicóloga Mariana Ramos explica que o fenômeno não representa, necessariamente, uma tentativa de voltar à infância, mas uma forma de atender necessidades emocionais que costumam ser negligenciadas na vida adulta.8 imagensFechar modal.1 de 8O bem-estar é fundamental para uma vida plena e satisfatóriaGetty Images2 de 8Ele abrange aspectos físicos, mentais e sociaisGetty Images3 de 8Faça substituições inteligentes na dieta para comer mais saudávelGetty Images4 de 8Praticar atividade física é essencialGetty Images5 de 8 Os exercícios ajudam as pessoas a viver de forma mais equilibrada, saudável e felizGetty Images6 de 8O bem-estar contribui para a prevenção de doenças e melhora a qualidade do sonoGetty Images7 de 8Pessoas com bem-estar emocional tendem a desenvolver relações interpessoais mais satisfatóriasGetty Images8 de 8Uma alimentação saudável, rica em nutrientes e equilibrada, fornece ao corpo os elementos necessários para um funcionamento adequadoGetty ImagesO que está por trásSegundo a especialista, muitos desses objetos funcionam como gatilhos de memórias afetivas. O cérebro associa brinquedos, músicas, cheiros e imagens a experiências marcantes da infância, ativando áreas ligadas ao prazer e à recompensa. “Em outras palavras, não é exatamente o brinquedo que faz, mas o que ele representa.”Além da nostalgia, a tendência também dialoga com um contexto de estresse. “Vivemos em uma sociedade que valoriza produtividade constante, disponibilidade permanente e desempenho elevado. O cérebro humano, entretanto, não foi projetado para permanecer continuamente em estado de alerta”, comenta.Sugestões de atividades e benefíciosAssim, atividades como montar quebra-cabeças, brincar com massinhas, construir blocos, pintar miniaturas ou colecionar personagens podem funcionar como estratégias de autorregulação emocional.Brincadeiras em grupo podem ser ainda mais divertidas“Podem produzir um estado conhecido como flow, descrito pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi como uma experiência de imersão completa em uma atividade prazerosa. Nesses hobbies, a mente atinge um equilíbrio perfeito entre o desafio da tarefa e o nível de habilidade, o que gera uma sensação profunda de satisfação e foco”, destaca a professora de psicologia da Afya Itaperuna.Além disso, de acordo com Mariana, os momentos de lazer podem estimular a neuroplasticidade, capacidade do cérebro de criar novas conexões ao longo da vida. “Brincar não é perda de tempo. Para o cérebro, muitas vezes é um momento de reorganização”, ressalta.Vale o alertaApesar dos benefícios, a psicóloga lembra que o equilíbrio continua sendo essencial. Ter um hobby é considerado um fator de proteção para a saúde mental, mas o comportamento merece atenção quando deixa de proporcionar prazer e passa a ser uma forma de evitar conflitos ou responsabilidades.Nesse contexto, isolamento é um sinal que merece atebçãoConfira alguns dos sinais de alerta citados pela especialista:Isolamento social;Abandono de compromissos importantes;Prejuízos financeiros causados por compras compulsivas;Sofrimento intenso quando a atividade não pode ser realizada.Por último, ela comenta que talvez a principal mensagem desse movimento seja justamente a valorização da leveza em uma rotina marcada por cobranças. “Mais do que um retorno à infância, esse movimento parece refletir uma busca por algo que muitos adultos perderam ao longo do caminho: o direito de brincar sem culpa”, conclui.