Agora também os 12,5%, previsível diante da atual política dos EUA

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O Brasil não escapou da tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a países que, supostamente, adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem, de forma adequada, a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A alíquota já estará valendo, a partir desta sexta. O relatório, com o anúncio, afirma que, embora o Brasil assuma compromissos de combate ao trabalho escravo, em acordos de comércio e investimentos, não tem uma proibição que possa ser classificada como efetiva. Até menciona a Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas observa que não há mecanismos para impedir, de fato, a importação de bens produzidos nessas condições em outros países.Essa decisão também veio das investigações com base na seção 301 da Lei de Comércio, a mesma que levou à taxação dos 25%. Investigações encaminhadas de forma a concluir o que acharam mais adequado, ajustando rotas de tarifação. O que o governo Trump pretende é manter uma tarifação mais geral, atingindo dezenas de países, em substituição aos 10% aplicados em fevereiro, depois de a Suprema Corte derrubar as “tarifas recíprocas” impostas em 2025.A medida, na época, teve como base a Seção 122 que permite ao presidente impor tarifas temporárias, por até 150 dias. O prazo vence nesta sexta-feira. Daí a pressa em fazer valer os 12,5%, agora com uma justificativa jurídica – o trabalho forçado. Era o previsível diante da política que vem sendo adotada por Trump e assessores, como forma de aumentar investimentos e a competitividade de produtos fabricados nos Estados Unidos, cujos resultados, até agora, são bem questionáveis.No caso do Brasil, a lista de exceções é a mesma. Portanto, uma boa parcela dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte americano estará sujeita a uma tarifação total de 37,5%. O que reforça a necessidade de ações para minimizar os efeitos, agora mais pesados, sobre setores atingidos, inclusive através de crédito; a busca por novos novos mercados, e negociações bilaterais. Embora, sem se ver, por ora, condições para flexibilização. Alguns países que estariam mais avançados nesse controle terão taxação adicional um pouco menor, de 10%. O Brasil passa a ser um dos países mais taxados, já que a média das tarifas está um pouco acima de 15%.Mas, o que faz mais diferença mesmo para as empresas e setores que exportam pra lá são os 25%. Isso acarreta o acréscimo de um quarto aos preços dos produtos que chegam ao mercado dos Estados Unidos, inviabilizando muitos negócios pela perda de competitividade. Em termos macroeconômicos, o impacto não deve ser mais pesado. O Brasil deve conseguir manter bons saldos da balança comercial, como vem ocorrendo desde que começou a tarifação, no ano passado. Porém, setorialmente, pode haver perdas significativas.