Óculos inteligentes da Meta enfrentam críticas por câmera integrada (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog) Resumo Apple deve adiar o lançamento de seus óculos inteligentes para 2027 devido a preocupações com a privacidade.A dona do iPhone quer evitar críticas semelhantes às enfrentadas pela Meta e pretende implementar recursos de segurança.Meta tem enfretado críticas por permitir gravações não autorizadas com seus óculos inteligentes.Após o sucesso dos óculos inteligentes da Meta, a Apple decidiu entrar nesse mercado. No entanto, a previsão era que os modelos chegassem ao público neste ano, algo que não deve mais ocorrer. Segundo o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a dona do iPhone decidiu adiar o lançamento de seus modelos por preocupações com privacidade.De acordo com Gurman, a gigante de Cupertino pretende refinar os recursos de segurança e privacidade dos óculos, incluindo câmeras, sensores, IA e coleta de dados.A previsão anterior era de um anúncio no segundo semestre — possivelmente junto ao lançamento do iPhone 18 Pro e do dobrável da marca —, com lançamento comercial para o início do ano que vem. O dispositivo da Apple, no entanto, só deve ser apresentado na WWDC de 2027, prevista para junho, e chegar às lojas no fim do mesmo ano.Críticas à Meta sinalizaram riscos A Meta ajudou a popularizar os óculos inteligentes com a linha Ray-Ban, mas enfrenta críticas sobre a facilidade com que eles permitem gravações não autorizadas.É importante notar que os vestíveis possuem recursos de segurança, como uma luz de LED que acende quando uma gravação está sendo feita. No entanto, o sinal estaria sendo burlado por usuários para a criação de vídeos sem que as vítimas percebessem — desde trabalhadores constrangidos em pegadinhas até mulheres em situações de assédio.O Instagram, que pertence à Meta, reconheceu a publicação desse tipo de conteúdo, geralmente gravado em espaços de trabalho ou lugares públicos, e prometeu removê-los. A Meta prometeu interromper gravações caso identificasse violações ao sistema de LED.Apple quer evitar rejeiçãoÓculos smart da Apple não devem chegar tão cedo (arte: Vitor Pádua/Tecnoblog)Para a Apple, o cenário é particularmente desafiador pelo histórico da companhia, que vende a privacidade como um dos pilares de seus produtos. Por isso, a empresa planeja adotar sinais semelhantes para deixar claro quando câmeras ou sensores estiverem ativos, mas tenta definir um conjunto mais amplo de regras, incluindo:Processamento local: sempre que possível, tarefas de IA seriam executadas no próprio dispositivo, sem envio constante de dados para a nuvemSem reconhecimento facial: a Apple não pretende incluir recursos para identificar rostosSem varredura contínua do ambiente: a empresa não planeja adotar um modo de escaneamento permanente, como o super sensing estudado pela MetaDados fora do treinamento de IA: capturas e gravações dos usuários não seriam usadas para treinar modelos de inteligência artificialSem revisão por terceiros: a Apple quer evitar que empresas terceirizadas analisem áudios ou vídeos capturados pelo aparelho, uma preocupação ligada a controvérsias antigas envolvendo a Siri.Empresa testou versão sem câmeraApple pensou em alternativas consideradas mais seguras (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Segundo a Bloomberg, a companhia testou outras alternativas mais radicais, incluindo óculos inteligentes sem câmera ou com sensores dedicados apenas à IA, sem que o usuário tenha permissão para tirar fotos ou gravar vídeos — algo que a própria Meta também estuda. Ambas as versões, no entanto, perderiam o apelo comercial, na avaliação da Apple.A companhia não é a única a tentar resolver esse problema. A Samsung, que desenvolve óculos inteligentes em parceria com a Alphabet (controladora do Google) e a marca de óculos Warby Parker, já trabalha com travas para impedir o uso do aparelho caso o LED indicador de gravação seja adulterado.Regulamentação avança no BrasilO mercado de óculos inteligentes já começou a movimentar novas leis. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 19/26, que cria regras para fabricantes e para o uso dos vestíveis.O projeto prevê que os dispositivos tragam, de fábrica, recursos como sinais visuais e sonoros para indicar gravações e fotos e impedir funções de reconhecimento biométrico de terceiros. Proíbe, também, o uso em ambientes como banheiros, salas de aula, hospitais e locais de culto. Na semana passada, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) anunciou que “irá oficiar as autoridades reguladoras” para investigar o crescimento das vendas de óculos inteligentes e apurar “a existência de denúncias de abusos”. Apple deve adiar óculos smart por causa da privacidade