Robô italiano aprende pelo toque e ganha pele capaz de sentir o ambiente

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Um robô humanoide desenvolvido pela startup italiana Generative Bionics foi apresentado com uma tecnologia de pele sensorial capaz de detectar a presença de pessoas antes de uma colisão no ambiente laboral. Batizada de Gene.01, a máquina foi projetada para atuar em fábricas onde humanos e robôs precisam dividir o mesmo espaço de trabalho.A solução combina sensores espalhados pelo corpo do robô para identificar proximidade, temperatura, toque e força. A proposta é permitir que o equipamento antecipe movimentos e ajuste sua atuação antes que ocorra um impacto, reduzindo riscos durante a interação entre trabalhadores e máquinas.O projeto, revelado em 2026 pela empresa, surgiu a partir de pesquisas do Instituto Italiano de Tecnologia e busca levar ao setor industrial uma abordagem chamada Physical AI, na qual estrutura física, mecânica e controle inteligente são desenvolvidos como um único sistema.Você pode ler a pesquisa científica, na qual o projeto do robô se baseia, neste link da revista Nature.Plataforma adaptável aposta em robôs que aprendem pelo contatoO Gene.01 foi construído com uma cobertura sensível que se estende do tronco aos membros do humanoide. Essa camada permite que o equipamento interprete diferentes estímulos físicos ao mesmo tempo, criando uma resposta semelhante ao reflexo humano de afastar a mão antes de tocar uma superfície quente.Além de atuar como mecanismo de segurança, a pele tecnológica também serve como ferramenta de treinamento. Em vez de depender apenas de demonstrações visuais, uma pessoa pode conduzir diretamente o braço do robô para ensinar movimentos e níveis adequados de força em determinadas tarefas.Cientistas ligando o robô humanoide Gene.01 – (Reprodução: Generative Bionics)A Generative Bionics afirma que esse método ajuda a resolver uma dificuldade histórica da robótica: fazer com que máquinas consigam manipular objetos com precisão, aplicando pressão suficiente para segurá-los sem danificá-los.O desenvolvimento do Gene.01 está ligado a estudos publicados recentemente na revista Nature Machine Intelligence pelo Instituto Italiano de Tecnologia. Conforme a companhia, o robô representa a aplicação industrial desse conceito em uma plataforma humanoide funcional equipada com sensores.A empresa estruturou o equipamento como uma base que pode originar diferentes modelos especializados. A personalização ocorre por meio de três frentes: adaptação da inteligência artificial à atividade desejada, alteração do design externo para cada ambiente e troca dos chamados end effectors, componentes como mãos, garras ou pés.Close-up do robô humanoide Gene.01 da empresa Generative Bionics – (Reprodução: Generative Bionics)A estratégia da Generative Bionics também envolve a criação de uma cadeia europeia de produção voltada à inteligência artificial física. Para isso, a companhia firmou uma parceria estratégica com a alemã Synapticon para desenvolver atuadores produzidos na Europa, incluindo etapas de montagem final, calibração e testes de segurança no continente.Segundo Daniele Pucci, CEO da Generative Bionics, a proposta da empresa é oferecer uma plataforma diferente de robôs humanoides padronizados, permitindo ajustes conforme as necessidades de cada cliente. “Nosso objetivo é ampliar as capacidades humanas com robôs que possam sentir, perceber e aprender com o mundo físico, adaptando-se ao trabalho industrial específico de cada cliente”, afirmou Pucci em declaração divulgada pela companhia.O projeto recebeu um aporte de US$ 81 milhões em uma rodada inicial liderada pela CDP Venture Capital, com participação de AMD Ventures, Duferco, Eni Next, RoboIT e Tether. A primeira aplicação prática prevista envolve uma parceria com a fabricante de navios Fincantieri para desenvolver um humanoide especializado em soldagem para estaleiros.O post Robô italiano aprende pelo toque e ganha pele capaz de sentir o ambiente apareceu primeiro em Olhar Digital.