Estrangeiros tiram dinheiro de ações, mas investem US$ 11,3 bilhões no Brasil; entendaOs investidores estrangeiros movimentaram recursos em direções diferentes no Brasil em setembro. Enquanto ações e fundos registraram saídas líquidas de US$ 1,7 bilhão, o investimento estrangeiro direto no país alcançou US$ 11,3 bilhões, superando com folga as expectativas do mercado. Os dados, divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26), mostram comportamentos distintos entre as aplicações financeiras e os investimentos realizados diretamente nas empresas.O mercado muda, mas sua estratégia não precisa acompanhar cada oscilação. Na maior Black Friday da Suno, descubra como investir pensando no longo prazo. Live gratuita em 04/11, às 20h, com bônus exclusivos. Garanta sua vaga!O resultado surpreendeu a XP Investimentos, que projetava ingressos de US$ 6,5 bilhões. O valor efetivamente registrado ficou cerca de 74% acima da estimativa e também superou os US$ 9,6 bilhões contabilizados em setembro de 2025.Nos últimos 12 meses, o Investimento Direto no País (IDP) acumulou US$ 88,3 bilhões, equivalentes a 3,43% do Produto Interno Bruto (PIB), ante US$ 86,6 bilhões em agosto.Por que o investimento estrangeiro surpreendeu a XP?O resultado foi impulsionado principalmente pelas operações financeiras entre empresas de um mesmo grupo econômico, conhecidas como intercompanhia. Esses ingressos somaram US$ 3,2 bilhões em setembro, ante US$ 1 bilhão no mesmo mês do ano passado, revertendo as saídas observadas em julho e agosto.Já os investimentos em participação no capital alcançaram US$ 8,1 bilhões, praticamente estáveis na comparação anual.Segundo Luíza Pinese, economista da XP, a manutenção desse volume é positiva porque setembro de 2025 havia registrado uma operação extraordinária superior a US$ 1 bilhão, o que tornava a base de comparação mais elevada.A economista também destaca a importância dos lucros reinvestidos, valores que empresas de capital estrangeiro mantêm em suas operações brasileiras, em vez de distribuí-los aos acionistas no exterior.Embora esses recursos sejam contabilizados como investimento direto sem necessariamente representar uma nova transferência de dinheiro para o país, eles ajudam a demonstrar a continuidade das atividades das companhias estrangeiras.Por que estrangeiros retiram dinheiro da Bolsa e investem nas empresas?A diferença está, principalmente, na natureza dos investimentos.As aplicações em ações e fundos negociados no mercado financeiro permitem ajustes relativamente rápidos nas carteiras, conforme as condições econômicas, as oportunidades de investimento e as estratégias de cada participante.O investimento direto, por outro lado, envolve relações mais duradouras com empresas instaladas no Brasil, incluindo participações societárias, operações entre companhias do mesmo grupo e reinvestimento de lucros.Por isso, os dois indicadores podem seguir caminhos diferentes sem que exista uma contradição. Em setembro, enquanto o IDP recebeu US$ 11,3 bilhões, os investimentos estrangeiros em carteira no mercado doméstico registraram saídas líquidas de US$ 2,1 bilhões. Desse total, US$ 1,7 bilhão correspondeu a ações e fundos.Os números também não permitem concluir que os investidores responsáveis pelas saídas do mercado financeiro sejam os mesmos que realizaram os investimentos diretos.Petróleo também contribuiu para a melhora das contas externasAlém do crescimento dos investimentos diretos, o Banco Central registrou uma redução do déficit nas transações correntes, que passou de US$ 8,8 bilhões em setembro de 2025 para US$ 5,1 bilhões no mesmo mês deste ano.A melhora veio principalmente da balança comercial, que apresentou superávit de US$ 6,9 bilhões, ante US$ 2,5 bilhões um ano antes. As exportações cresceram 12,9%, impulsionadas pelos preços e embarques de petróleo bruto, enquanto as importações recuaram 1,7%.Parte dessa redução das compras externas, entretanto, está relacionada à comparação com setembro de 2025, quando houve a aquisição de uma plataforma de petróleo, segundo a XP.Para os próximos meses, a instituição espera que as exportações continuem contribuindo para o desempenho das contas externas, embora despesas com serviços e rendas enviadas ao exterior permaneçam relevantes.A XP projeta US$ 87,6 bilhões em investimentos diretos no Brasil em 2026 e US$ 80 bilhões em 2027. Nos dois anos, os valores esperados superam os déficits projetados para as transações correntes.Na avaliação da instituição, o volume de investimento estrangeiro direto permanece elevado, mesmo diante das oscilações observadas em outras modalidades de aplicação financeira.