‘Termômetro do medo’ da B3 despenca 40% mesmo com turbulência dos mercados após vitória de Lula

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A queda de mais de 15% do Ibovespa (IBOV), o salto do dólar para o nível acima de R$ 5,50 e a abertura de mais de 200 pontos-base na curva de juros não se refletiram em uma maior aversão ao risco, ao menos na leitura do principal indicador de volatilidade da bolsa brasileira.Conhecido como “termômetro do medo”, o VIX Brasil (S&P/B3 Ibovespa VIX) chegou a despencar mais de 40% no pregão desta segunda-feira (26), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta de 14h40 (horário de Brasília), o índice tinha queda de 38,52%, aos 26,11 pontos, distante do nível acima de 42 pontos registrados no início de outubro. Na mínima intradia, o VIX atingiu 23,55 pontos, patamar considerado “normal”. A queda expressiva do VIX, mesmo em meio a um circuit breaker e ao derretimento das ações no Ibovespa, é um exemplo de um movimento conhecido como “esmagamento de volatilidade” (vol crush) pós-evento, segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.“O índice não acompanha a direção da bolsa, mas, sim, a expectativa de oscilações futuras e o custo da proteção financeira através dos prêmios das opções. Durante o mês de outubro, a incerteza sobre o desfecho do segundo turno presidencial inflou fortemente esse custo, levando o VIX local a atingir máximas históricas e operar acima da marca de 42 pontos”,Para Rebecca, a definição das urnas retirou o “fator imprevisibilidade macroeconômica” do radar, apagando o prêmio especulativo. “Embora os investidores da B3 estejam reagindo com expressiva aversão ao risco e reprecificando os ativos para baixo, o cenário político deixou de ser uma incógnita. Isso faz com que os contratos de proteção desinflem abruptamente, puxando a métrica de volatilidade para baixo simultaneamente ao tombo do Ibovespa”, afirma. Gabriel Pinheiro, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, destaca que a derrocada do VIX não é um “sinal de tranquilidade”. “A queda do índice reflete o fim da incerteza eleitoral e não o fim do risco. O que preocupa agora é o cenário fiscal e, de olho nisso, o índice pode retomar o ritmo de ganhos se a volatilidade continuar alta”, afirma. O que é o VIX brasileiro? O índice tem uma dinâmica semelhante ao o VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500. Com o ticker VXBR, o índice é calculado a partir das Opções sobre o Ibovespa B3 e mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias. Na prática, funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado – por isso, também é chamado de “índice do medo” – e costuma ser acompanhado por investidores, gestores e analistas em momentos de maior incerteza, sobretudo para estratégias de proteção de carteira e gestão de risco.