Lula reeleito: quais são os próximos passos na relação do Brasil com a China

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve a vitória eleitoral para um inédito quarto mandato, e a sequência da proximidade do Brasil com a China pode criar oportunidades. “É uma chance de transformar o capital diplomático em resultados econômicos, em aumento do investimento estrangeiro direto chinês e, porque não dizer, aumento da relação de importação e exportação”, avalia José Ricardo Luz, CEO do LIDE China, ao InfoMoney.A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, e a relação já vinha alcançando um outro patamar no terceiro mandato de Lula. Em novembro de 2024, na visita de Xi Jinping a Brasília (DF), os dois países assinaram quase quarenta acordos. Em maio de 2025, Lula voltou de Pequim com anúncios de RS$ 27 bilhões em investimentos. No fim daquele ano, o comércio bilateral bateu recorde de US$ 171 bilhões, e o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo, com US$ 6,1 bilhões, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).Leia tambémNew York Times critica interferência de Trump no BrasilEm editorial publicado no dia do segundo turno, jornal americano cita tarifas e sanções contra autoridades brasileiras e afirma que pressões externas prejudicam a democracia e os interesses dos EUALíderes internacionais parabenizam Lula, reeleito para o quarto mandatoPelas redes sociais, representantes de países como México e Paraguai celebraram a vitória do presidente reeleito do Brasil“Temos, pelo menos, quatro áreas estratégicas. Reindustrialização, inovação, infraestrutura e transição energética”, aponta Luz. Em infraestrutura, por exemplo, o principal projeto é a ferrovia bioceânica, que pretende ligar a Bahia ao porto peruano de Chancay. A expectativa é que, com a vitória eleitoral de Lula, haja avanço. “A gente tem um gargalo na parte de infraestrutura e de logística. Sem dúvida alguma, a manutenção da relação com a China pode trazer mais eficiência nos corredores de exportação”, projeta.EUA, foco de resistênciaA transição energética deve ser a frente em que a disputa entre EUA e China mais vai pesar para o Brasil. “Uma das questões, por exemplo, que o Brasil discute muito com a China é do Brasil não só oferecer os minerais raros para fabricação de baterias, mas ter o know-how e produzirmos as baterias dos veículos elétricos dentro do mercado doméstico brasileiro”, diz o representante do LIDE China.A pressão de Washington deve continuar no quarto mandato. Em julho, os EUA impuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e, em setembro, quinze governos do continente assinaram uma declaração que inclui cadeias de minerais críticos, sem a participação do Brasil.“O Brasil precisa evitar a falsa escolha entre EUA e China. Cada parceiro tem sua característica e interesses, e são oportunidades diferentes”, contextualiza Luz. O Brics deve ganhar ainda mais peso na pauta brasileira. Não é de menor importância o fato de que a China vai exercer a presidência temporária do grupo, em 2027. Para Luz, o governo Lula deverá tratar a relação com Pequim “sob a ótica do desenvolvimento nacional do Brasil”. “É a gente continuar fazendo negócios e ampliar os nossos mercados, atrair investimento, desenvolver tecnologia e fortalecer nossa capacidade de negociação internacional”, projeta.The post Lula reeleito: quais são os próximos passos na relação do Brasil com a China appeared first on InfoMoney.