Arquivo do WhatsApp de Vorcaro foi modificado após apreensão, diz defesa

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O principal banco de dados do WhatsApp no celular de Daniel Vorcaro apresentou um registro de modificação às 1h48min14s de 18 de novembro de 2025, horas depois da prisão do banqueiro no Aeroporto de Guarulhos. A informação consta de uma análise técnica apresentada pela defesa do ex-controlador do Banco Master ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29).O arquivo identificado é o ChatStorage.sqlite, utilizado pelo WhatsApp no sistema operacional do iPhone para armazenar informações relacionadas às conversas do usuário.Segundo o relatório elaborado pelo perito Marcos Monteiro, assistente técnico da defesa, a modificação ocorreu seis segundos depois do encerramento de uma conexão pela porta USB do aparelho.Os registros mostram que o celular foi conectado por essa porta entre 1h48min01s e 1h48min08s. A alteração no banco de dados foi registrada às 1h48min14s.O iPhone já estava sob custódia policial e havia entrado em modo avião às 23h22 do dia anterior.O documento, entretanto, não identifica quais informações do WhatsApp foram alteradas, tampouco demonstra que mensagens tenham sido acrescentadas, apagadas ou modificadas deliberadamente.A análise também não permite determinar se a conexão USB foi utilizada apenas para fornecer energia ao aparelho ou se houve transferência de dados.Registros de atividade após a prisãoO relatório descreve outros eventos identificados no celular entre a noite de 17 de novembro e a madrugada do dia seguinte.Segundo o levantamento, foram registrados:207 eventos relacionados ao acionamento e desligamento da tela;33 ativações da câmera frontal;Três conexões pela porta USB;Quatro registros de criação ou modificação de senhas;Alterações em bancos de dados e outros arquivos do sistema.O assistente técnico afirma que não recebeu documentação suficiente para identificar os responsáveis por todas as operações ou determinar sua finalidade.Na nota encaminhada à imprensa, a defesa questiona a ausência de registros detalhados sobre o manuseio do aparelho durante o período em que ele esteve sob custódia estatal.Os advogados sustentam que as informações encontradas exigem esclarecimentos sobre os procedimentos utilizados na preservação e na extração dos dados.Mensagens são parte central do caso MasterOs registros do WhatsApp estão entre os principais elementos utilizados pela Polícia Federal para reconstruir contatos mantidos por Vorcaro antes de sua prisão.Em setembro, documentos divulgados no âmbito das investigações mostraram como a PF utilizou informações do sistema operacional do iPhone para recuperar e analisar mensagens atribuídas ao banqueiro.Em um dos procedimentos, os investigadores cruzaram registros do aplicativo Bloco de Notas, capturas de tela e arquivos temporários produzidos pelo próprio celular para reconstruir mensagens enviadas a um contato identificado no aparelho como Alexandre de Moraes.O material também contém conversas sobre a situação financeira do Banco Master, negociações com empresários e contatos com integrantes dos Três Poderes.A divulgação dos dados provocou uma crise no Supremo Tribunal Federal, especialmente depois que ministros passaram a questionar a extensão do material compartilhado e os procedimentos adotados na condução das investigações.Defesa pede acesso aos dados originaisO relatório apresentado nesta quinta-feira afirma que os arquivos disponibilizados à defesa não permitem comparar integralmente o conteúdo processado com os dados originalmente extraídos do celular.Segundo o perito, essa comparação é necessária para determinar a origem e a extensão das alterações identificadas.A defesa pede ao STF acesso aos arquivos brutos da extração, aos registros técnicos do equipamento utilizado e à documentação completa da cadeia de custódia.Em manifestação anterior ao Supremo, a Polícia Federal afirmou que os dados originais permaneciam preservados nas dependências da corporação, sob cadeia de custódia documentada e com mecanismos de verificação de integridade.A análise apresentada pela defesa não demonstra que o conteúdo de conversas tenha sido adulterado. O questionamento central é a impossibilidade, apontada pelo assistente técnico, de verificar de forma independente quais dados foram modificados e por qual motivo.