A Justiça do Trabalho determinou que a Meta retire do Instagram publicações que incentivam empresários a vigiar, expor e demitir funcionários por suas escolhas políticas.A decisão também obriga a empresa a exibir avisos contra a discriminação por convicção política e o assédio eleitoral no trabalho no Instagram, Threads e Facebook.A Meta terá de preservar as publicações removidas e seus dados técnicos até o encerramento do processo. O descumprimento da obrigação de preservação poderá resultar em multa de R$ 200 mil. – Imagem: Novikov Aleksey/ShutterstockMeta tem 24 horas para remover as publicaçõesA decisão liminar foi assinada pelo juiz Bruno José Perusso, da 77ª Vara do Trabalho de São Paulo. A empresa terá 24 horas para excluir os conteúdos e deverá manter os avisos nas três plataformas durante cinco dias consecutivos.Os responsáveis pelos perfis deverão ser informados, em até 48 horas, de que as exclusões ocorreram por determinação judicial. A Meta também terá de preservar as publicações removidas e seus dados técnicos até o encerramento do processo, sob pena de multa de R$ 200 mil.A ação foi apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que pede R$ 50 milhões em indenização por danos morais coletivos. O pedido será analisado no julgamento do processo.Na avaliação do juiz, as publicações ultrapassam os limites da livre manifestação de pensamento ao incentivar punições contra trabalhadores por suas escolhas ideológicas.“Uma coisa é externar opinião política ou crítica partidária; outra, inteiramente distinta e ilícita, é utilizar as plataformas digitais para instigar a punição de trabalhadores por suas escolhas ideológicas”, registra a decisão.A mensagem do Ministério do Trabalho alerta para ameaças de demissão e discriminação política no ambiente profissional. O MPT registrou 3.396 denúncias de assédio eleitoral até as 10h de 29 de outubro de 2026. – Imagem: Reprodução/Carteira de Trabalho DigitalDenúncias de assédio e campanhas de boicoteEntre a meia-noite de 26 de outubro e o meio-dia de 29 de outubro, o MPT recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral. Ao longo das eleições deste ano, o órgão registrou 3.396 ocorrências.O caso da Meta ocorre em meio a outras iniciativas de pressão contra trabalhadores por suas convicções políticas. No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada do estado neste ano, foi proibida pela Justiça de incentivar empregadores a demitir funcionários por esse motivo.As manifestações também atingem estabelecimentos comerciais. Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a divulgar, em redes sociais e grupos de WhatsApp, listas de empresas que teriam defendido a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os negócios mencionados estão:Mercadinhos;Docerias e padarias;Livrarias;Empresas como Itaú e o posto Ipiranga.O post Justiça manda Meta apagar posts que incentivam demissão por voto apareceu primeiro em Olhar Digital.