Ter amizades é importante para a vida pessoal e também para a saúde emocional, mas algumas relações acabam se desgastando com o tempo.Determinados comportamentos podem acender um alerta sobre o tipo de conexão que foi estabelecido entre duas pessoas. Um exemplo é ter um amigo que só reclama, que nunca está satisfeito com nada e que só procura outras pessoas para desabafar. Leia Mais Desgaste durante período eleitoral: veja dicas para diminuir o estresse Dia do Professor: atrito com famílias e cansaço emocional ampliam desafios Saúde mental deixa de ser tema periférico nas empresas, diz especialista Com o tempo, essas dinâmicas passam a ficar insustentáveis, o que levanta um questionamento: essa amizade ainda vale a pena?Elis Carla Sardeto Silva, psicóloga clínica da Starbem, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), explica à CNN Brasil que existe uma diferença entre compartilhar uma dificuldade e transformar a relação em um espaço permanente de reclamação.“Quando uma pessoa está sempre ouvindo problemas, conflitos e insatisfações, sem espaço para troca ou para outros assuntos, pode acabar absorvendo aquela carga emocional”, afirma.Ela segue: “Isso não significa que devemos abandonar alguém que está passando por um momento difícil, mas que também precisamos reconhecer nossos próprios limites”.Segundo a profissional, existem pelo menos cinco sinais percebidos pela TCC que podem indicar que uma amizade está em um péssimo momento.1. Você sente que precisa estar sempre disponívelAlgumas pessoas buscam em seus amigos lugares seguros para desabafarem, no entanto, uma conversa que vira um fluxo de reclamações e negatividade se torna algo muito pesado para quem escuta.O que dizer? “Gosto muito de conversar com você, mas hoje preciso descansar. Podemos falar amanhã?”.2. O amigo que transforma tudo em competiçãoComparações que envolvam dinheiro, carreira, conquistas e aparência podem transformar a amizade em disputa.O que fazer? Se pergunte: “Será que preciso mesmo competir ou posso valorizar o que já conquistei?”.3. A pessoa que não respeita seus limitesAquele amigo que continua tendo uma atitude mesmo depois de ser alertado sobre seu comportamento pode enfrentar consequências na relação.O que dizer? “Eu gosto muito da nossa amizade, mas preciso de um tempo para mim agora. Espero que entenda”.4. Você nunca consegue falar de siSe você sente que está sempre no papel de ouvir, aconselhar e acolher, mas nunca tem espaço para falar sobre suas próprias questões, pode ser um sinal de desequilíbrio.O que dizer? “Gosto de te ouvir, mas também gostaria de compartilhar um pouco sobre o que estou passando”.5. Reclamações constantes e negatividadeConstantes reclamações despejam uma carga emocional muito grande em quem escuta. É importante definir o momento de colocar um fim em um padrão de comportamento.O que dizer? “Eu entendo que você está passando por um momento difícil, mas às vezes também preciso de conversas mais leves”.Comunicação assertivaA recomendação é sempre apostar na comunicação assertiva, em que a pessoa fala o que sente de forma clara e respeitosa, sem agressividade, mas também sem se anular.“Uma amizade não precisa ser perfeita para ser saudável. O importante é perceber quando certos comportamentos se repetem e começam a causar sofrimento e buscar formas de cuidar de si mesmo dentro da relação”, afirma Elis Carla.Para o psicólogo Gilberto Ramos, também da Starbem, o desgaste em uma amizade começa a ficar evidente quando deixa de ser um espaço de troca e passa a exigir um esforço emocional constante.Pessoas que sentem culpa por dizerem não relatam o esgotamento emocional que sofrem depois de encontrarem pessoas com quem tentam manter uma relação.Para o psicólogo, é importante tomar uma atitude quando toda tentativa de diálogo passa a ser interpretada como ataque pela outra parte.“Nesses casos, vale rever nossas expectativas e até o lugar que essa pessoa ocupa na nossa vida. Afinal, se precisamos esconder constantemente o que sentimos para preservar uma amizade, talvez estejamos preservando a relação, mas deixando de cuidar de nós mesmos”, afirma.Em relação ao estabelecimento de limites, muitas pessoas acreditam que apenas dizer o que as incomoda é o essencial, mas é indispensável sustentar o que acredita.“Quando o limite já foi explicado e continua sendo desrespeitado, talvez o problema não esteja mais na comunicação. Estabelecer limites não é convencer o outro a mudar, mas reconhecer até onde estamos dispostos a permanecer naquela dinâmica. Às vezes, o afastamento não é falta de afeto, é uma forma de preservar a própria saúde emocional“, explica.Fim de ciclosTérminos de amizades podem ocorrer e, muitas vezes, doem, como acontece em um relacionamento romântico. De acordo com Gilberto Ramos, essas duas sensações estão ligadas pelo significado que aquele vínculo tinha na vida de pessoa.Amizades podem carregar anos de histórias, intimidade, pertencimento e projetos compartilhados. Quando ela chega ao fim, se perde uma parte da rotina e das referências afetivas construídas a dois.“Na clínica, observamos que esse rompimento pode provocar sentimentos semelhantes aos de outros processos de luto”, aponta o profissional.Segundo ele, existe um agravante: muitas pessoas sentem que não deveriam sofrer tanto porque era “apenas uma amizade”, quando, na verdade, os afetos não obedecem a essa hierarquia.Como o comportamento das crianças mudou durante a pandemia