Há um espaço onde o líder pode olhar de frente para os desafios, sem a pressão de já ter de saber a resposta. A necessidade de um thinking partner – sem agenda, sem interferência nas decisões – capaz de provocar saltos de consciência e leituras mais avançadas de uma realidade já conhecida, emergiu e tomou os contornos de uma profissão há mais de 20 anos. É o espaço do coaching: um processo profissional e isento, conduzido por um coach credenciado, orientado para um único resultado – dar ao cliente a perspetiva e o distanciamento para decisões de qualidade. No seu melhor. Partilho de seguida os três padrões de desafio que os líderes me trazem com maior frequência e como o coaching os pode trabalhar. Vejo-os como movimentos dinâmicos: De um funcionamento tático estrutural (a espuma dos dias) a uma visão estratégica com distanciamento, capaz de notar padrões. Em coaching, cria-se esse distanciamento de forma deliberada: o cliente vai construindo esta posição meta, musculando-a até se converter num hábito. Muitos optam mesmo por bloquear na agenda 60-90 min por semana para uma “reunião estratégica consigo mesmos”, respondendo à pergunta — o que não estou a ver, ou a endereçar, por estar sempre a apagar fogos? De uma autoridade assente em ter as respostas certas, a uma liderança que faz as perguntas certas. Em coaching, este é um hábito que se treina. Uma prática frequente entre sessões consiste em, antes de decidir, questionar-se “que pergunta ainda não fiz sobre isto?” — e só depois avançar. De uma pressão sentida em bloco, a uma leitura que separa o que é do líder do que é do sistema à sua volta. Uma prática frequente em coaching: desenvolver uma visão de conjunto, que revela padrões e correlações, distingue “o que está dentro do que está fora”, e simultaneamente uma leitura desagregada, que permite decidir quando agir, quando influenciar, e quando apenas acompanhar e aguardar pela oportunidade certa. A consciência mais alargada não elimina a espuma dos dias, ensina a ver, por baixo da superfície, os padrões que decidem o rumo. É essa a competência que o coaching ajuda a construir. Com qual destes três desafios se identifica mais e qual o mais pequeno passo que o faria evoluir? Este artigo foi publicado no suplemento Aprender Magazine cujo tema é ‘Learning the Future’. Subscreva a Revista Líder aqui.O conteúdo Distanciamento para pensar e decidir melhor aparece primeiro em Revista Líder.