StartupiA vitória que o mercado ambiental brasileiro esperava — e que pode blindar a Amazônia (pelo menos até 2030)A floresta que sustenta um terço da biodiversidade do planeta acaba de receber mais quatro anos de proteção. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, consolidada nas urnas no domingo, foi interpretada por cientistas e ambientalistas como um marco para a Amazônia — e, por consequência, para todos os setores da economia brasileira que dependem, de forma direta ou indireta, da estabilidade climática proporcionada pela floresta. Do outro lado, uma proposta que prometia acabar com as limitações ao desmatamento.Ciencia em jogo: o que estava em disputaUma matéria do jornal americano The New York Times registrou que o Brasil detém cerca de 60% da Amazônia e, durante o governo de Lula, que o desmatamento foi reduzido a níveis historicamente baixos, graças ao reforço na fiscalização ambiental e a políticas audaciosas de proteção e restauração.“O presidente Lula terá mais quatro anos para salvar a Amazônia”, disse Carlos Nobre, professor de clima e sustentabilidade da Universidade de São Paulo e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, um grupo de centenas de pesquisadores que se dedicam ao estudo da floresta. “É evidente que o presidente Lula, reeleito, dará continuidade às suas ótimas políticas de proteção da Amazônia”, complementou. Para o cientista, se o petista tivesse perdido, isso “teria sido um ecocídio”.Objetivos de longo prazo ganham impulsoO governo Lula definiu como objetivo acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e apresentou um plano para restaurar enormes trechos de floresta. Assim, o Brasil comprometeu-se, nas negociações climáticas internacionais de 2023, a reflorestar seis milhões de hectares da Amazônia até 2030 e mais 18 milhões até 2050 — um programa capaz de reposicionar o país na vanguarda do mercado global de carbono e das cadeias produtivas sem desmatamento, cada vez mais exigidas pelos europeus.Cientistas, por sua vez, advertem que, se o desmatamento não for controlado, a Amazônia poderá receber muito menos chuva e se transformar de uma floresta densa em um ecossistema mais seco, similar a uma savana, já em 2050. Isso afetaria também o agronegócio do Centro-Sul, que depende dos chamados “rios voadores” para a irrigação natural das lavouras.O plano que foi reprovado nas votaçõesDo outro lado do espectro ambiental estava o senador Flávio Bolsonaro, que afirmou não acreditar que as mudanças climáticas sejam provocadas pelo homem e prometeu derrubar restrições à agropecuária e a outras atividades na Amazônia. Na campanha, declarou que “a melhor forma de tratar o tema ambiental é o que fizemos durante o governo Bolsonaro” — alusão à administração do pai, quando, segundo citou o NYT, o desmatamento aumentou, “resultando na derrubada de mais de 17 mil milhas quadradas de floresta”.A liderança indígena mobilizada contra o candidato da direita também celebrou a vitória de Lula. “Precisamos escolher indivíduos que não vão destruir nossos direitos, que não vão destruir nossas florestas e que não vão causar o tipo de impacto que vem de todo esse discurso de outros políticos sobre terras raras e mineração ilegal”, afirmou Alessandra Korap Munduruku, uma líder do povo Munduruku na região da bacia do rio Tapajós.Congresso no radarA reeleição, no entanto, ocorre em um período de crescimento legislativo da direita brasileira. Em fevereiro, um Congresso Nacional conservador tomará posse em Brasília, o que dificulta os planos da agenda ambiental do governo.Ainda assim, a eleição de Lula atua como um “contrapeso” vital, diz Christian Poirier, diretor de programas da organização de monitoramento da floresta Amazon Watch. “O Congresso teria trabalhado em sintonia com Bolsonaro para desmontar essas salvaguardas”, afirmou Poirier. Para os executivos e investidores, a situação é evidente: a proteção ambiental permanece como uma política de Estado no Executivo, mas a capacidade de governar a agenda verde dependerá de acordos políticos — e a agenda ESG das empresas brasileiras seguirá sendo objeto de avaliação no exterior.O post A vitória que o mercado ambiental brasileiro esperava — e que pode blindar a Amazônia (pelo menos até 2030) aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Ricardo AzevedoO post A vitória que o mercado ambiental brasileiro esperava — e que pode blindar a Amazônia (pelo menos até 2030) apareceu primeiro em Startupi.