Computação quântica: dados bancários roubados hoje podem ser lidos no futuro

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Computação quântica: dados bancários roubados hoje podem ser lidos no futuroUma informação bancária protegida por criptografia pode ser interceptada hoje e se tornar vulnerável daqui a alguns anos, mesmo que ninguém consiga decifrá-la atualmente. Esse é um dos riscos associados ao avanço da computação quântica, tecnologia que deve movimentar US$ 1,1 bilhão em receitas mundiais em 2027, segundo projeção do Gartner.A preocupação já mobiliza governos, bancos e empresas de tecnologia. Isso porque computadores quânticos suficientemente avançados poderão comprometer determinados sistemas de criptografia utilizados para proteger dados pessoais, comunicações e transações financeiras.Nesta terça-feira (27), o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) publicou novas orientações para a substituição gradual de algoritmos considerados vulneráveis. O movimento acompanha uma transformação que, segundo o Gartner, terá bancos, seguradoras e instituições financeiras entre os principais investidores a partir de 2028.Como a computação quântica pode ameaçar os dados bancários?Atualmente, parte da segurança digital depende de algoritmos matemáticos que seriam vulneráveis a computadores quânticos com capacidade suficiente para executar determinados cálculos.Rafael Dantas, head de Cibersegurança da TLD, explica que essa possibilidade ainda não representa uma ameaça imediata aos sistemas bancários. “Não estamos falando de um computador quântico capaz de quebrar a segurança dos bancos amanhã”, afirma.O risco está na possibilidade de criminosos capturarem informações criptografadas hoje e armazená-las para tentar decifrá-las no futuro. A estratégia é conhecida como harvest now, decrypt later, ou “colha agora, decifre depois”.João Marcelo Silva Souza, pesquisador em tecnologias Quantum-Safe do QuIIN, centro de competência em tecnologias quânticas do Senai Cimatec, explica que informações financeiras e pessoais podem continuar sensíveis durante muitos anos, o que torna necessária a preparação dos sistemas de proteção.“De modo geral, hoje, os computadores quânticos não são uma ameaça de quebra da criptografia”, esclarece o pesquisador. Isso, entretanto, não elimina a necessidade de proteger informações que poderão ficar vulneráveis com o avanço da tecnologia.Empresas brasileiras já estão preparadas?A adaptação começou a ganhar espaço nos últimos anos. Em 2024, o NIST publicou os primeiros padrões de criptografia pós-quântica, desenvolvidos para resistir a futuros ataques. No Brasil, o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) também avançou nas iniciativas para incorporar esses mecanismos à infraestrutura de certificação digital.A preparação das empresas, porém, ainda é desigual. “Poucas, ou pouquíssimas, empresas estão preparadas para essa transformação”, avalia João Marcelo. Segundo ele, embora grandes instituições financeiras já desenvolvam iniciativas na área, muitas organizações enfrentam dificuldades para transformar o conhecimento sobre os riscos em projetos concretos.Cleber Paiva, COO da SEK, também observa diferenças entre a preparação dos grandes bancos e a de fornecedores, fintechs e empresas de outros setores, que igualmente armazenam informações sensíveis.O primeiro passo, segundo os especialistas, é identificar onde a criptografia é utilizada, quais sistemas dependem de algoritmos vulneráveis e quais dados precisam permanecer protegidos por longos períodos.Depois desse mapeamento, as empresas podem planejar a substituição gradual dos mecanismos de segurança, sem comprometer seus serviços. Para Paiva, o desafio é semelhante ao de trocar as fechaduras de um edifício inteiro sem interromper seu funcionamento. “É como substituir todas as fechaduras de um prédio sem fechar nenhuma porta”, compara.A tecnologia evolui, mas proteger e fazer seu patrimônio crescer exige planejamento. Na maior Black Friday da Suno, descubra como investir com foco no longo prazo. Live gratuita em 04/11, às 20h, com bônus exclusivos. Garanta sua vaga!A tecnologia também pode ajudar a combater fraudesApesar dos riscos à segurança digital, a computação quântica também poderá contribuir para o combate a crimes financeiros. Entre as possibilidades estão a identificação de transações suspeitas, a análise de grandes volumes de informações e o aperfeiçoamento dos sistemas de prevenção a fraudes.Essas aplicações, entretanto, ainda estão em desenvolvimento. Rafael Dantas ressalta que as ferramentas convencionais continuam mais avançadas nesse campo. “Hoje, inteligência artificial, machine learning e análise de grandes volumes de dados em infraestrutura convencional estão muito mais maduros para detecção de fraude do que a computação quântica”, afirma.Para João Marcelo, modelos híbridos, que combinam computação clássica e quântica, poderão ampliar a capacidade de identificar padrões e processar informações complexas. Mas a aplicação prática desses recursos ainda depende de novos avanços tecnológicos.O setor financeiro enfrenta, portanto, dois desafios distintos: adaptar os sistemas atuais para proteger informações contra ameaças futuras e desenvolver aplicações que possam aproveitar as possibilidades da nova tecnologia.Enquanto as ferramentas de combate a fraudes evoluem, a migração para novos padrões de segurança já começou. Para bancos e empresas, o avanço da computação quântica exige uma preparação que não depende de esperar pela chegada dos computadores do futuro.