A direita brasileira aguarda um desfecho para a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país antes de definir os próximos passos políticos. É o que têm relatado à coluna autoridades, aliados e pessoas próximas ao parlamentar.Surpreendidos com os últimos acontecimentos, interlocutores afirmam que esperam a chegada de Flávio aos Estados Unidos, um pronunciamento ou a retomada de contato com o senador para decidir como o grupo deve se organizar daqui para frente. Até mesmo possíveis novas lideranças a nível nacional, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), estão em “stand-by” para não entrar em rota de colisão com o bolsonarismo.Após a derrota na eleição presidencial, a expectativa era que aliados se reunissem ao longo da semana para discutir estratégias de oposição e organizar pautas em diferentes níveis. No Congresso Nacional, a direita pretendia definir como atuar diante da nova configuração política, enquanto governadores e deputados estaduais também aguardavam conversas para tratar de decisões que vão da composição de secretariados à escolha de lideranças nas Assembleias Legislativas.“Mexeu com tudo”, confidenciou à coluna um parlamentar eleito pela direita. Segundo ele, o “caminho natural” seria concentrar os esforços no questionamento à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação, e usar o episódio para reorganizar a oposição.“Era para termos focado no questionamento sobre a decisão do Cristiano Zanin e a prorrogação da votação e pronto. Já era uma pauta condizente com a nossa, decisões monocráticas ou erradas do Supremo. E usaríamos para reorganizar e seguir em frente”, afirmou.Nos bastidores, muitos querem aguardar os próximos passos para não parecerem “traidores” de Flávio ou do bolsonarismo – já que entendem que podem sair prejudicados se forem taxados dessa forma.