A TIM Brasil responde por parcela relevante dos resultados da controladora (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo A Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia e da TIM Brasil, afirmou que a operação brasileira não é estratégica para seus planos futuros.A operação brasileira é lucrativa e não está à venda, mas será usada “taticamente”.A decisão pode abrir espaço para uma eventual separação da operação brasileira no futuro, mas não há busca por comprador nem processo formal de venda.A Poste Italiane, nova controladora da Telecom Italia e, indiretamente, da TIM Brasil, indicou que a operação brasileira não é considerada estratégica para seus planos futuros. A declaração marca uma mudança de tom pouco mais de um mês após a companhia assumir o controle da matriz italiana.O CEO da Poste Italiane, Matteo Del Fante, disse que a TIM Brasil é lucrativa e gera bastante caixa, mas não é essencial para o projeto que a empresa pretende desenvolver com a Telecom Italia. Ao mesmo tempo, afirmou que a operação não está à venda.O que isso representa para a TIM Brasil?Essa é a pergunta que continua sem resposta. Durante uma conferência econômica em Roma, Del Fante afirmou apenas que a Poste pretende usar a operação brasileira “de maneira tática” nos próximos meses, mas não explicou o que isso significa na prática. O executivo foi mais direto ao dizer que a TIM Brasil “não está à venda”.A agência Reuters avalia que a fala pode abrir espaço para uma eventual separação da operação brasileira no futuro. Até agora, não há busca por comprador nem processo formal de venda. O significado desse “uso tático” pode ficar mais claro no primeiro trimestre de 2027, quando Del Fante pretende apresentar um novo plano de negócios para Poste Italiane e Telecom Italia.Por que o Brasil deixou de ser prioridade?Poste Italiane diz que operação brasileira não está à venda neste momento (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)A prioridade está na Itália. O grupo quer aproveitar a aquisição da Telecom Italia para ampliar sua atuação em serviços digitais e transformação tecnológica, combinando os clientes corporativos da operadora com a estrutura da estatal italiana. Nesse desenho, a operação brasileira gera resultado financeiro, mas não ocupa o mesmo papel estratégico.A situação contrasta com o discurso adotado antes da conclusão da aquisição. Em julho, o CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, disse que o fortalecimento da nova controladora poderia beneficiar a filial e lembrou que a Poste havia tratado a operação brasileira como uma “joia”. A mudança também recoloca um tema antigo no radar. Em 2022, integrantes do atual governo italiano chegaram a defender a venda da TIM Brasil para direcionar recursos à operação europeia. O que muda para a operadora no Brasil?Por enquanto, nada foi anunciado para a operação local. A Telecom Italia controla cerca de 67% da TIM Brasil. A companhia é a única subsidiária estrangeira do grupo e, segundo a Reuters, responde por quase metade de seus lucros operacionais principais. A participação está avaliada em aproximadamente R$ 31,8 bilhões.No Brasil, a TIM continua entre as três grandes operadoras de telefonia móvel, ao lado de Vivo e Claro. Também atua em banda larga fixa, embora tenha sido ultrapassada pela Starlink em número de acessos.Nova dona da Telecom Italia diz que Brasil não é prioritário