Lula cresceu em estados governados pela direita, diz CEO do Real Time

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito para seu quarto mandato no segundo turno das eleições de 2026, superando Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21% dos votos. Ao CNN Novo Dia, Bruno Soller, sócio e CEO do instituto Real Time Big Data, destacou que o crescimento de Lula em estados governados pela direita foi um dos fatores centrais para a vitória.Segundo Soller, há uma correlação histórica entre o perfil político dos governadores e o desempenho dos candidatos à Presidência.“Na maioria das vezes, onde você teve governadores de centro-direita, normalmente o Flávio teve mais votos, e onde você teve eleitos mais da esquerda, o Lula teve mais votos”, afirmou o especialista. No entanto, o segundo turno apresentou uma dinâmica diferente.Crescimento expressivo no SudesteLula não chegou a vencer na maioria dos estados do Sudeste, mas conseguiu reduzir significativamente a diferença em relação ao adversário. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro venceu com 53,85%, mas Lula alcançou 46,15% dos votos — um avanço de cerca de 2,1 milhões de votos em relação ao primeiro turno. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de aproximadamente 800 mil votos.Já em Minas Gerais, Lula conseguiu a virada. “O Sudeste brasileiro é uma coisa impressionante. A diminuição que Lula conseguiu fazer, apesar de ser derrotado na maioria desses estados, foi fundamental para a vitória”, avaliou Soller.Nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o crescimento de Lula do primeiro para o segundo turno ultrapassou 7% na média, segundo o especialista. Na cidade de São Paulo, Lula venceu com 55% contra 45%.“Onde você tem concentração de riqueza, Lula ganhou. Onde você tem concentração de pobreza, Lula ganhou. E naquelas regiões da classe média-média, deu Flávio Bolsonaro”, explicou Soller. Leia mais Eleições 2026: Veja onde Lula mais ganhou votos no segundo turno PSDB parabeniza Lula por vitória e diz que "seguirá na oposição" ao governo Caiado reconhece vitória de Lula: "Nos curvamos à decisão da maioria" Novo fenômeno eleitoralPara Soller, o resultado aponta para uma transformação no perfil do eleitorado petista. Historicamente, desde 2006, Lula sempre obteve melhor desempenho nas classes mais baixas da sociedade. Agora, o especialista observa que, nas classes mais altas, Lula tem conseguido desempenho superior ao do bolsonarismo.“O bolsonarismo deu uma outra cara para o anti-Lula. Quando eram os candidatos do PSDB, essa elite votava sempre contra o Lula. Agora, o bolsonarismo tem muito voto nas classes média-média, mas na elite e nas classes mais baixas, o presidente Lula consegue uma boa vantagem“, analisou.O analista atribui esse comportamento ao achatamento da classe média, que teria acumulado insatisfação com a perda de poder de compra, é menos atingida pelos programas sociais do governo e não possui solidez financeira suficiente.“Talvez seja esse público que vê na figura do Jair Bolsonaro, e agora replicada ao seu filho Flávio, uma tentativa de mudança”, disse Soller.Desafios de governabilidadeApesar da vitória, o país segue polarizado. Soller ressaltou que Lula enfrentará um Congresso em que sua base é minoria, tanto no Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados. O PL elegeu 28 senadores e 121 deputados federais.Para o analista, o caminho passa pela composição com partidos do centro. “A gente tem uma tendência sempre de composição, e acho que o presidente vai ter que conversar com todos esses partidos”, afirmou.Soller destacou que partidos como Republicanos e MDB já parabenizaram Lula após o resultado. O Republicanos, que governa São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, foi citado como exemplo de legenda que pode integrar uma base de apoio.O analista também apontou que, mesmo dentro do PL, parte dos deputados eleitos não são necessariamente bolsonaristas convictos, o que abre espaço para negociações individuais.Futuro do bolsonarismoQuestionado sobre o futuro do movimento bolsonarista, Soller avaliou que o primeiro turno foi positivo para a família Bolsonaro, mas o segundo turno foi “catastrófico”. Com 48% dos votos, o bolsonarismo ainda demonstra força, mas, segundo o especialista, precisará se reposicionar após duas derrotas consecutivas.Para 2030, Soller aponta nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) como possíveis representantes desse campo político. “Tarcísio de Freitas é o nome que vai ser mais cobrado para ter um posicionamento para 2030”, concluiu o analista. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.