A Anthropic, criadora do chatbot Claude, prepara sua abertura de capital em uma operação que pode se tornar a maior da história. A empresa pode alcançar uma avaliação de US$ 2 trilhões (cerca de R$ 10,5 trilhões) e captar mais de US$ 100 bilhões (R$ 525 bilhões).Os documentos apresentados pela companhia revelam também o custo dessa expansão. Apesar do forte crescimento da receita, a Anthropic registrou um prejuízo expressivo no primeiro semestre de 2026.Apesar do avanço nas vendas, a Anthropic reportou prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões no primeiro semestre. – Imagem: Samuel Boivin/ShutterstockReceita dispara, mas prejuízo chama atençãoEntre janeiro e junho, a receita da Anthropic chegou a US$ 16,3 bilhões (aproximadamente R$ 85,6 bilhões), 14 vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente por empresas que adotaram suas ferramentas de inteligência artificial (IA).No mesmo semestre, a companhia acumulou um prejuízo superior a US$ 80,7 bilhões (cerca de R$ 423,7 bilhões), ante US$ 13 bilhões um ano antes. O resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões (aproximadamente R$ 380,1 bilhões) relacionado a notas conversíveis, um tipo de dívida que pode se transformar em participação acionária.A valorização desses instrumentos ampliou a perda contábil, que não corresponde necessariamente a uma saída de caixa do mesmo montante.A Anthropic já havia captado cerca de US$ 130 bilhões (R$ 682,5 bilhões) em investimentos privados. Agora, a possível estreia na bolsa pode ampliar ainda mais os recursos disponíveis para financiar seu crescimento.Anthropic pode superar a SpaceX e a OpenAISe levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderá superar a SpaceX, de Elon Musk, e estabelecer um novo recorde de abertura de capital. Em maio, a empresa já havia ultrapassado a rival OpenAI em avaliação de mercado: US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,725 trilhões), contra US$ 730 bilhões (aproximadamente R$ 3,83 trilhões) da concorrente.A OpenAI também considera uma nova rodada de financiamento que poderia elevar seu valor a US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,875 trilhões) antes de uma eventual oferta pública de ações.A operação da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa ainda não divulgou quantas ações pretende vender nem o preço dos papéis, mas planeja negociá-los na Nasdaq sob o código ANT.Dario Amodei ressaltou no registro financeiro que uma tecnologia tão potente quanto a IA pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. – Imagem: Below the Sky/ShutterstockEmpresa reconhece riscos da inteligência artificialO documento corporativo também aborda possíveis consequências negativas da tecnologia, como a perda de controle sobre sistemas de IA e seu uso para abusos autoritários.“Acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”, afirmaram Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os outros seis fundadores.Em outro trecho, os executivos destacaram a dualidade da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.Amodei defende maior atenção à segurança e à regulamentação da inteligência artificial. Essa posição provocou críticas de outros líderes do setor, incluindo Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de tentar concentrar o poder sobre a tecnologia.Entre os fatores que ajudam a contextualizar a trajetória da Anthropic estão:Origem: a empresa foi fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam sobre como desenvolver a inteligência artificial.Foco comercial: as ferramentas de programação ajudaram a Anthropic a conquistar clientes corporativos e acelerar seu crescimento.Incerteza no mercado: outras companhias adiaram planos de abertura de capital diante das dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.O post Anthropic mira IPO histórico, mas registra prejuízo bilionário apareceu primeiro em Olhar Digital.