Taxas de DIs disparam mais de 200 pontos-base e mercado zera probabilidade de cortes na Selic

Wait 5 sec.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu e desagradou o mercado. Além do câmbio e do Ibovespa, a curva de juros futuros também reage negativamente ao resultado, em meio a incertezas sobre a trajetória das contas públicas. As taxas de Depósito Interfinanceiro (DIs) disparam mais de 200 pontos-base em toda a curva na manhã desta segunda-feira (26), depois de leilões por oscilação máxima permitida e mudanças nos limites superiores estabelecidos pela B3 em caráter exclusivo para o pregão de hoje.Por volta de 10h (horário de Brasília), a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, disparava 244 pontos-base, a 15,030%, de 12,595% do fechamento anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2035 operava a 15,375% ante 12,680% do fechamento anterior, disparada de 272 pontos-base. Na ponta curta, a disparada é mais contida. No mesmo horário, a taxa de DI para janeiro de 2027 operava a 13,898%, alta de 43 pontos-base em relação ao fechamento da última sexta-feira (23), a 13,475%. Com isso, a curva de juros futuros zerou a precificação de cortes na taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Capital Economics previa disparada das taxas de DIs em caso de reeleiçãoA Capital Economics já previa uma disparada de cerca de 200 pontos-base nos rendimentos dos títulos caso Lula fosse reeleito, com o mercado posicionado em uma eventual troca de governo. “Como observamos em uma atualização na semana passada, a vitória de Flávio – e as expectativas de reformas para impulsionar o crescimento e as finanças públicas – já estavam amplamente precificadas. Esperamos uma onda de vendas de moedas, ações e títulos quando as negociações. É provável que esses movimentos revertam completamente a alta observada após o bom desempenho de Flávio no primeiro turno das eleições”, afirmou William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da consultoria. Com mais de 100% das urnas apuradas, o presidente teve 51,79% dos votos válidos ante 48,21% do adversário Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos. O resultado contrariou as pesquisas eleitorais e a disputa do primeiro turno, em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista. Na avaliação do mercado, Flávio era mais alinhado às perspectivas de um ajuste fiscal mais ‘agressivo’.