Como a reeleição de Lula afeta o Bitcoin e seus investimentos em criptomoedas?

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A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25) pode aumentar o interesse dos brasileiros por Bitcoin, stablecoins e outros investimentos ligados ao mercado de criptomoedas. A avaliação é de Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin (MB), que vê na possibilidade de desvalorização do real e na manutenção dos juros elevados dois fatores capazes de estimular a busca por ativos digitais nos próximos anos.Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado garantiu ao petista um quarto mandato, que começará em janeiro de 2027, após uma eleição em que o presidente conseguiu reverter a desvantagem registrada no primeiro turno.Para Fontes, o principal desafio econômico do próximo governo será convencer os investidores de que conseguirá controlar o crescimento da dívida pública, reduzir a inflação e criar condições para a queda dos juros.Na análise, o especialista argumenta que as dúvidas sobre a política fiscal podem levar parte dos investidores a diminuir sua exposição a ativos brasileiros e procurar alternativas negociadas internacionalmente.“Enquanto essas respostas não chegam, o investidor precisa de uma carteira preparada para um caminho incerto, e é justamente neste cenário que cripto se torna uma peça cada vez mais relevante”, afirma Fontes.O analista destaca que a dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026. O indicador, confirmado pelos dados do Banco Central, avançou 4,2 pontos percentuais desde o começo do ano, refletindo principalmente o peso dos juros sobre as contas públicas.Segundo Fontes, o resultado eleitoral também aumenta a atenção sobre as medidas anunciadas recentemente pelo governo, incluindo o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, o programa Desenrola 3.0 e a proibição das apostas esportivas.De acordo com os cálculos apresentados pelo especialista, essas iniciativas podem representar até R$ 43 bilhões em novas despesas e perdas de arrecadação, valor superior à margem de R$ 10,1 bilhões prevista no projeto de Orçamento de 2027 em relação ao centro da meta fiscal.A equipe econômica, por sua vez, sustenta que poderá acomodar essas medidas sem descumprir as regras fiscais. Na visão do analista, a necessidade de conciliar esses compromissos com o controle da dívida pode gerar maior volatilidade nos ativos brasileiros.Bitcoin e stablecoins podem ganhar espaço com dólar mais altoOs primeiros impactos já estão sendo sentidos, com o dólar disparando frente ao real e ações caindo forte, além de alta nos juros futuros, o que indica um mercado projetando uma Selic mais alta no longo prazo.O especialista argumenta que parte do mercado financeiro trabalhava com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro, considerado um candidato que poderia promover mudanças na condução da política fiscal. Com a confirmação do quarto mandato de Lula, os investidores precisam ajustar suas expectativas.Essa é, entretanto, uma projeção do analista, e não uma consequência inevitável do resultado eleitoral, com o cenário desta segunda podendo mudar conforme os dias forem pasando. A trajetória do dólar também dependerá das medidas econômicas anunciadas pelo governo, das condições internacionais e das decisões dos bancos centrais.Para o Mercado Bitcoin, uma possível desvalorização do real pode favorecer a demanda por stablecoins, criptomoedas que procuram acompanhar o valor de moedas tradicionais, principalmente o dólar americano.É o caso do USDT, da Tether, e do USDC, da Circle, que permitem obter exposição à moeda americana sem a necessidade de comprar dólares em espécie ou manter uma conta bancária no exterior.“Em um cenário de câmbio mais pressionado, as stablecoins, como USDT e USDC, são uma forma simples de dolarizar parte do patrimônio, a qualquer hora e a partir de valores baixos”, afirma Fontes.O Bitcoin também poderia ganhar espaço nas carteiras, segundo o especialista. Diferentemente do real ou do dólar, cuja oferta depende das políticas monetárias dos respectivos países, o Bitcoin possui regras de emissão predefinidas, com um limite máximo de aproximadamente 21 milhões de unidades.Para Fontes, essa característica, combinada à negociação global da criptomoeda, pode fazer do ativo uma alternativa para investidores que desejam reduzir sua dependência do cenário econômico brasileiro.“Para quem investe, isso reforça a lógica de não depender só do real: o Bitcoin, por exemplo, segue regras de emissão fixas, que nenhum orçamento ou decisão de governo consegue alterar”, afirma.Além disso, como o Bitcoin é negociado internacionalmente em dólares, uma alta da moeda americana pode elevar seu preço em reais, mesmo que sua cotação em dólar permaneça estável.Esse mecanismo, porém, também funciona no sentido contrário: uma queda expressiva do Bitcoin no mercado internacional pode superar os efeitos de uma valorização do dólar, provocando perdas para os investidores brasileiros.As stablecoins também apresentam riscos próprios, incluindo problemas com as reservas dos emissores, perdas temporárias de paridade e dificuldades de resgate. Já o Bitcoin continua sujeito a fortes oscilações de preço, o que impede tratá-lo como uma proteção cambial garantida.Juros elevados podem favorecer renda fixa digitalAlém do Bitcoin e das stablecoins, Fontes acredita que a manutenção dos juros elevados pode ampliar o interesse por investimentos de renda fixa oferecidos por plataformas de ativos digitais.Na avaliação do especialista, a necessidade de controlar a inflação e as preocupações com a trajetória da dívida podem fazer com que o Banco Central reduza os juros mais lentamente nos próximos anos.“Como a expectativa é de cortes de juros menores e mais lentos, a renda fixa digital do MB, com opções atreladas ao CDI e prefixadas, tende a seguir pagando taxas atrativas por mais tempo”, afirma.Esses produtos, entretanto, possuem estruturas e riscos próprios, que dependem do ativo que serve de lastro, do emissor e das condições contratuais. A utilização de tecnologia blockchain não significa, por si só, que o investimento conte com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).O analista também chama atenção para os possíveis efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira. Segundo ele, o aumento dos gastos públicos ajudou a sustentar a atividade econômica nos últimos anos, mas o custo do crédito pode limitar o crescimento futuro.Fontes cita projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de desaceleração do PIB brasileiro, de 2,2% em 2026 para 1,9% em 2027. O especialista também menciona estimativa de crescimento de apenas 1,43% para o próximo ano no Boletim Focus.Nesse contexto, o analista considera que a diversificação internacional pode se tornar mais relevante para investidores brasileiros, embora isso não signifique abandonar os ativos domésticos.A avaliação ocorre em um momento de expansão do uso de criptomoedas no Brasil. Segundo dados da Receita Federal, os brasileiros movimentaram R$ 283,1 bilhões em criptoativos no primeiro semestre de 2026, crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período de 2025.As stablecoins lideram esse mercado. Entre 2019 e 2025, somaram R$ 1,13 trilhão em operações declaradas, segundo os números citados por Fontes. Atualmente, representam cerca de 80% do volume negociado, contra 3,5% em 2019. O USDT concentra 88,7% das operações com stablecoins, de acordo com o levantamento.Os dados também mostram que a utilização desses ativos se estende às empresas. No terceiro trimestre de 2025, aproximadamente 4,7 milhões de pessoas físicas e 100 mil pessoas jurídicas realizaram operações com criptomoedas no país.Para Fontes, esses números demonstram que os ativos digitais já fazem parte das estratégias financeiras de uma parcela relevante dos brasileiros e podem conquistar mais espaço diante das incertezas econômicas.A perspectiva, contudo, não representa um consenso sobre os efeitos da reeleição de Lula no mercado. A demanda por criptomoedas continuará dependendo de fatores como preços internacionais, regulamentação, política monetária americana e condições da economia brasileira, além das decisões do novo governo.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. 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