ETFs atrelados à Selic: o que são e como funcionamOs ETFs de renda fixa atrelados à Selic ganharam espaço entre os investidores que buscam alternativas para a gestão de caixa e para aplicações conservadoras. Negociados na Bolsa de Valores, esses fundos permitem investir em uma carteira de títulos públicos por meio da compra de cotas, sem precisar adquirir cada título individualmente.Entre as opções disponíveis estão o LTBX11, da XP Asset; o LFTB11, da Investo; o CDIB11, da Itaú Asset; e o AUPO11, do BTG Pactual. Embora os quatro tenham exposição predominante a títulos públicos pós-fixados, eles não são idênticos: cada fundo segue um índice de referência com regras próprias para a composição da carteira.Uma característica comum é a combinação de títulos públicos atrelados à Selic com uma parcela de papéis indexados à inflação, os chamados Tesouro IPCA+. Essa estrutura busca alongar o prazo médio da carteira e pode permitir o enquadramento em uma alíquota menor de Imposto de Renda, conforme as regras aplicáveis aos ETFs de renda fixa.As diferenças entre os produtos aparecem principalmente nas taxas cobradas, na composição dos índices e na forma como cada carteira é rebalanceada.O que são ETFs atrelados à Selic?Os ETFs de renda fixa são fundos de índice cujas cotas são negociadas na Bolsa. Em vez de comprar diretamente títulos públicos ou investir em um fundo tradicional, o investidor compra cotas de um veículo que busca acompanhar um índice de referência.Nos ETFs atrelados à Selic, a carteira é composta majoritariamente por Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos conhecidos como Tesouro Selic. Sua remuneração acompanha a taxa básica de juros da economia, o que faz desses papéis instrumentos utilizados para aplicações pós-fixadas.No entanto, os quatro produtos desta matéria também mantêm uma parcela em títulos públicos indexados ao IPCA. Esses papéis apresentam uma dinâmica de preços diferente da observada nas LFTs, especialmente quando as taxas de juros reais do mercado mudam.Por isso, embora tenham como objetivo oferecer retornos próximos aos de aplicações pós-fixadas, os ETFs podem apresentar oscilações nas cotas e diferenças de desempenho em relação ao CDI ou à Selic.A composição híbrida também tem uma finalidade tributária. Ao combinar LFTs com títulos de prazo mais longo, os fundos procuram manter o prazo médio da carteira acima de 720 dias, requisito relevante para o enquadramento na menor alíquota de IR dos ETFs de renda fixa.LTBX11, LFTB11, CDIB11 e AUPO11: compare os ETFsOs quatro fundos investem em títulos públicos federais, mas seguem índices diferentes e têm custos próprios. Confira as principais características:CaracterísticaLTBX11LFTB11CDIB11AUPO11GestoraXP AssetInvestoItaú AssetBTG Pactual AssetÍndice de referênciaTeva ITBR Selic Target 760MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target DurationTeva ITBR Selic IPCA Target 800Teva ITBR LiquidezComposiçãoCerca de 92% em LFTs e 8% em NTN-BsCerca de 90,91% em LFTs e 9,09% em NTN-BsLFTs e NTN-Bs, conforme o índiceLFTs e NTN-BsTaxa anual0,14%0,19%0,14% no total informado0,1225%Liquidação da vendaD+1D+1D+1D+1Política de rendimentosAcumulaçãoAcumulaçãoAcumulaçãoAcumulaçãoA tabela mostra que o AUPO11 tem a menor taxa global entre os quatro produtos. No caso do CDIB11, a taxa total de 0,14% ao ano corresponde à soma de 0,01% de administração e 0,13% de gestão.A diferença de custos, entretanto, não deve ser analisada isoladamente. Os ETFs seguem índices distintos, e as regras de composição e rebalanceamento podem influenciar a rentabilidade, a volatilidade e a aderência ao CDI.Quais são as diferenças entre os quatro fundos?LTBX11: exposição à Selic com parcela de títulos IPCA+O LTBX11 é o Trend ETF Teva ITBR Selic Target 760, da XP Asset. O fundo começou a ser negociado em março de 2026 e acompanha o índice Teva ITBR Selic Target 760.Sua carteira tem aproximadamente 92% em LFTs e 8% em NTN-Bs. A parcela predominante em títulos pós-fixados busca manter o comportamento próximo ao CDI, enquanto a participação dos títulos indexados à inflação contribui para alongar o prazo médio da carteira.O ETF cobra taxa de administração de 0,14% ao ano e tem liquidação financeira em D+1 para a venda de cotas.Um dos pontos destacados pela gestora é a praticidade para a gestão de caixa. Como ocorre com os demais ETFs de renda fixa, o investidor negocia as cotas na Bolsa e não precisa administrar individualmente o vencimento ou a rolagem dos títulos que compõem a carteira.LFTB11: o ETF da Investo com índice de prazo-alvoO LFTB11, da Investo, acompanha o MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration Index. O indicador busca representar uma carteira de títulos públicos brasileiros pós-fixados e indexados à inflação, com prazo-alvo de aproximadamente 760 dias.A carteira é composta por cerca de 90,91% de LFTs e 9,09% de NTN-Bs. Assim como no LTBX11, a maior parte dos recursos está em títulos ligados à Selic, enquanto a parcela de papéis indexados ao IPCA contribui para alongar o prazo médio da carteira.A taxa de administração é de 0,19% ao ano, a maior entre os quatro ETFs analisados.O fundo também tem liquidação em D+1 e não está sujeito à cobrança de come-cotas. Sua rentabilidade, contudo, não é idêntica à de uma aplicação composta exclusivamente por Tesouro Selic, porque a parcela de NTN-Bs pode provocar oscilações adicionais nas cotas.CDIB11: estratégia com prazo-alvo de 800 diasO CDIB11 é o It Now Teva ITBR Selic IPCA Target 800, da Itaú Asset. O ETF acompanha um índice que combina títulos públicos pós-fixados e papéis atrelados à inflação, buscando manter o prazo médio da carteira próximo de 800 dias.A taxa total informada é de 0,14% ao ano, dividida entre 0,01% de administração e 0,13% de gestão.A proposta é oferecer exposição predominantemente pós-fixada, com uma parcela de NTN-Bs que contribui para alongar o prazo médio da carteira. O prazo-alvo de 800 dias diferencia a estratégia do CDIB11 daquela dos índices de 760 dias acompanhados pelo LTBX11 e pelo LFTB11.O prazo-alvo, por si só, não significa que o CDIB11 necessariamente renderá mais que os outros fundos. O resultado depende da composição efetiva da carteira, das condições do mercado de juros e dos custos de cada produto.AUPO11: estratégia voltada à liquidezO AUPO11 é o BTG Pactual Teva AUVP ITBR Liquidez, gerido pelo BTG Pactual Asset. O fundo acompanha o Índice Teva ITBR Liquidez e também combina LFTs com NTN-Bs.O índice do AUPO11 utiliza uma metodologia que considera a volatilidade histórica das NTN-Bs para definir o prazo da carteira e buscar manter o enquadramento tributário entre os rebalanceamentos.A carteira é composta por títulos públicos federais, e as cotas têm liquidação em D+1. A estratégia procura combinar a exposição predominante à Selic com uma estrutura de prazo que permita o enquadramento tributário desejado, sem depender de um prazo-alvo fixo igual ao dos outros índices.Como funciona a tributação dos ETFs atrelados à Selic?A tributação é um dos aspectos que ajudam a explicar a estrutura desses fundos. Nos ETFs de renda fixa, a alíquota de Imposto de Renda depende do prazo médio de repactuação da carteira, e não do tempo durante o qual o investidor manteve as cotas.A tabela prevê alíquotas de 25%, 20% e 15%, conforme o enquadramento da carteira. A alíquota de 15% é aplicável quando o prazo médio de repactuação supera 720 dias.É justamente nesse ponto que entra a composição híbrida dos quatro ETFs. A inclusão de NTN-Bs de prazo mais longo busca elevar o prazo médio da carteira e permitir o enquadramento na alíquota de 15%.Outra diferença em relação a investimentos tradicionais de renda fixa é que os ETFs não têm come-cotas. Além disso, a negociação de cotas desses fundos não está sujeita ao IOF sobre os rendimentos. O Imposto de Renda é retido na fonte, sem a necessidade de o investidor calcular e recolher mensalmente o imposto por meio de DARF.Essas características podem ser vantajosas para quem utiliza ETFs na gestão de caixa. No entanto, a comparação com o Tesouro Selic ou com um CDB deve considerar também a taxa de administração, a liquidez, o risco de mercado e as condições específicas de cada aplicação.Qual ETF atrelado à Selic vale mais a pena?A escolha entre LTBX11, LFTB11, CDIB11 e AUPO11 depende do que o investidor prioriza. Os quatro fundos oferecem exposição predominantemente a títulos públicos pós-fixados, mas diferem nas regras de composição, no prazo-alvo dos índices e nas taxas cobradas.Além do custo, vale observar o prazo-alvo do índice, a parcela de NTN-Bs e a liquidez das cotas no mercado secundário. Como os títulos indexados à inflação podem oscilar com as mudanças nas taxas de juros reais, os fundos não devem ser tratados como equivalentes a uma aplicação sem volatilidade.Para quem busca uma alternativa de gestão de caixa, os ETFs podem oferecer praticidade, ausência de come-cotas e uma estrutura tributária potencialmente eficiente. Ainda assim, a escolha deve considerar o conjunto de custos, riscos e características de cada produto, e não apenas a taxa de administração.