Cadastrar ou manter uma linha de celular vai precisar de reconhecimento facial no Brasil a partir de 2027. É o que diz uma norma editada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e divulgada pelo governo federal nesta quarta-feira (28).A nova regra foi pensada para combater golpes e uso de dados falsos na telefonia móvel. A exigência vai valer tanto para pessoas físicas quanto para microempreendedores individuais (MEIs), segundo o governo.“A determinação da Anatel é um passo importante contra o SIM swap [troca de chip] e as fraudes de identidade”, diz o CEO da BioStation, Leonardo Araújo de Assis, em entrevista ao Olhar Digital.A empresa brasileira é especializada em identificação biométrica e identidade digital.Entenda a norma editada pela AnatelO procedimento vai usar tecnologia de “prova de vida” para garantir que a pessoa está presente no momento do cadastro.Nova regra da Anatel foi pensada para combater golpes e uso de dados falsos na telefonia móvel – Imagem: edusma7256/ShutterstockApós a captura da imagem do rosto da pessoa, será feito um cruzamento com bancos de dados públicos e privados.Esta validação poderá ser feita em lojas físicas, nos sites ou aplicativos das operadoras.Para casos nos quais o reconhecimento facial falhar ou não for possível, haverá caminhos alternativos de verificação.A mudança será gradual. Confira abaixo as datas limite estabelecidas pela Anatel:Ativação de novos chips pré-pagos: até 30 de setembro de 2027;Novos chips pós-pagos, portabilidade, troca de chip e alteração de cadastro: até 31 de dezembro de 2027;Recadastramento de linhas já existentes: até 31 de dezembro de 2028.Quem não validar até o final de 2028 poderá ter sua linha suspensa. A partir de janeiro de 2029, a linha poderá ser cancelada.(A Norma Técnica GT-SEG.2026.11 está disponível na internet.)‘Decisão da Anatel abre caminho e o resultado dependerá de como isso será aplicado’, diz especialista“O reconhecimento facial é maduro e eleva bastante o nível de segurança”, diz o especialista. “Mas o desafio é garantir que ele resista a ataques mais sofisticados, como deepfakes e vídeos manipulados por IA, sem prejudicar a experiência do cliente”, acrescenta.Por isso, o CEO aponta que “é importante pensar em camadas”.Reconhecimento facial pode ser combinado a outras tecnologias para a norma editada pela Anatel ser bem aplicada – Imagem: PeopleImages/Shutterstock“A biometria palmar, por exemplo, lê o padrão das veias da mão, uma característica interna que não aparece em fotos nem vídeos e, portanto, não pode ser copiada de conteúdo público”, começa Assis.“Combinada ao reconhecimento facial, ela pode reforçar justamente as operações mais críticas, como troca de chip e portabilidade, principalmente em pontos de atendimento presencial”, explica o executivo.Segundo ele, o Brasil já tem tecnologias pioneiras e conhecimento para isso. “O que fará diferença é a implementação”, diz.Para o especialista, implementação, neste caso, engloba: integração com os sistemas das operadoras, proteção dos dados pessoais e uso de cada biometria onde ela faz mais sentido.“A decisão da Anatel abre o caminho e o resultado dependerá de como isso será aplicado na prática”, finaliza Assis.O post Anatel: exigir reconhecimento facial é ‘passo importante’ para evitar fraudes apareceu primeiro em Olhar Digital.