https://www.youtube.com/watch?v=3T-y_tm59QcO fortalecimento do PL no Congresso pode abrir uma oportunidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociar apoio ao seu quarto mandato. Embora o crescimento da sigla represente um desafio para o governo, também aumenta a pressão sobre partidos de centro-direita que disputam espaço com o bolsonarismo.Essa é a avaliação de Rafael Cortez, sócio e analista político da Tendências Consultoria Integrada, que participou do Radar das Eleições, programa do Money Times. Na leitura do analista, Lula pode se tornar um aliado dessas legendas na tentativa de conter a expansão do PL – e transformar essa disputa em uma oportunidade para construir governabilidade.“Lula pode se tornar uma peça-chave para essa centro-direita controlar um pouco o tamanho que o PL vai ficar”, afirmou.O raciocínio parte de uma distinção. Segundo Cortez, o avanço do PL ocorreu principalmente sobre o espaço ocupado pela centro-direita, enquanto a esquerda preservou, em linhas gerais, seu tamanho. Isso cria incentivos para que partidos de centro revejam suas estratégias e considerem uma aproximação com o Executivo.Quer entender como essa disputa pode afetar a economia e os investimentos? Assista ao episódio completo do Radar das Eleições no canal do Money Times no YouTube.Por que a centro-direita pode procurar LulaNa avaliação de Cortez, a disputa vai além da composição do Congresso. O crescimento do PL também representa uma ameaça aos demais partidos nas próximas eleições municipais, em 2028.Mesmo com a derrota na corrida presidencial, a sigla terá recursos e estrutura para ampliar sua presença nas prefeituras, segundo o analista. Para os concorrentes, participar do governo pode ser uma maneira de fortalecer suas posições nessa competição.Essa aproximação poderia envolver a ocupação de ministérios, negociações sobre a agenda legislativa e discussões sobre as regras da disputa política.O apoio, porém, dependerá da capacidade de Lula de oferecer uma agenda que interesse a esses partidos. Para Cortez, a composição do governo precisará vir acompanhada de condições para que os aliados tenham participação efetiva na administração.O primeiro teste será o comando do CongressoA negociação pelas presidências da Câmara e do Senado será a primeira etapa dessa construção, de acordo com o analista.No Senado, Cortez avalia que o interesse do governo em evitar uma presidência do PL pode coincidir com o de outras forças políticas que também procuram conter o avanço da legenda.Depois da definição do comando das Casas, a negociação passaria pela montagem dos ministérios e pelos projetos que sustentariam a aliança.Esse processo ocorrerá em uma relação de forças diferente daquela observada nos primeiros governos Lula. Na leitura de Cortez, o Legislativo ganhou poder, o que exige uma negociação mais equilibrada entre o presidente da República e os dirigentes do Congresso.O fiscal será decisivo para a aproximaçãoA possibilidade de construir uma base também dependerá dos sinais emitidos pela equipe econômica. Cortez avalia que Lula precisará apresentar alguma resposta ao desequilíbrio fiscal para facilitar o diálogo com a centro-direita e preservar sua força política.Sem esse movimento, o governo corre o risco de perder popularidade e enfrentar dificuldades crescentes para negociar apoio ainda em 2027.A expectativa do analista é de medidas graduais, com ajustes pontuais e uma condução econômica que sinalize mudança. Um pacote da dimensão desejada pelo mercado, porém, não faz parte de seu cenário base.Para Lula, portanto, o desafio será transformar a preocupação dos partidos com o avanço do PL em apoio a uma agenda de governo. A oportunidade existe, segundo Cortez, mas sua concretização dependerá das escolhas políticas e econômicas do próximo mandato.