A incômoda experiência de se sujar ao usar um banheiro público pode estar com os dias contados. Para resolver o constrangimento de ficar com respingos visíveis nas calças ou no chão, o professor Zhao Pan, da Universidade de Waterloo, decidiu aplicar a engenharia mecânica a um problema antigo que parecia esquecido.A ideia surgiu para Pan durante o próprio uso de um banheiro. Em parceria com o pesquisador Randy Hurd, da Universidade Estadual de Weber, e com os estudantes Mabel Song, JD Zhu, Ethan Barlow e Kaveeshan Thurairajah, a equipe desenvolveu modelos cerâmicos inovadores. Os resultados foram apresentados na conferência da Sociedade Americana de Física, em Indianápolis. Leia Mais Quando mentir deixa de ser algo ocasional? Entenda os sinais de que a mentira pode ter se tornado um padrão Por que compartilhar o dia a dia faz sucesso nas redes? Pesquisa descobre célula que pode explicar aumento da próstata com a idade A física por trás do modeloOs modelos criados foram apelidados pelo formato que lembram uma fatia de maçã e um ‘J’ alto e fino com abertura estreita. Embora o mictório tradicional tenha sido criado há mais de 100 anos, pouca evolução ocorreu para reduzir respingos até o surgimento desses novos projetos, que visam resolver uma falha histórica no design sanitário.A solução baseia-se na física da mecânica dos fluidos. Quando um jato atinge uma superfície em um ângulo de incidência raso, o respingo diminui; ao atingir um ângulo crítico menor que 30 graus, as gotas desaparecem. A inspiração veio da observação de cães, que erguem a pata para urinar em superfícies verticais justamente para reduzir o ângulo de impacto e os respingos.Do laboratório ao mercadoOs testes foram realizados em laboratório utilizando um aparato com bomba, reservatório e bocal adaptado à geometria humana, disparando jatos contra mictórios comuns e os protótipos criados. Além de resolver o problema prático, o projeto envolve equações diferenciais, sustentabilidade com a economia de água e produtos de limpeza, além de design industrial e educação STEM.Embora ainda não haja uma data para a chegada aos banheiros públicos, uma grande loja de departamentos entrou em contato demonstrando interesse em testar os novos mictórios. A pesquisa demonstra como o método científico pode transformar um incômodo cotidiano em inovação tecnológica.