A busca por mais energia e resultados rápidos nos treinos colocaram os potes de creatina, whey protein e multivitamínicos em evidência nas prateleiras dos brasileiros. No entanto, consumir essas substâncias sem orientação médica pode causar riscos sérios à saúde.À CNN Brasil, a nutriconista Rafaela Kherlakian, especializada em clínica funcional, explicou que principal risco desse hábito é consumir nutrientes ou substâncias em quantidades inadequadas, sem considerar as reais necessidades do organismo, o histórico clínico e a alimentação habitual.Nem todas as pessoas precisam suplementar, já que grande parte das vitaminas, minerais e proteínas pode ser obtida por meio de uma alimentação equilibrada.afirma RafaelaO uso sem orientação pode provocar desconfortos gastrointestinais, consumo excessivo de determinados nutrientes e interações com medicamentos. Além disso, pode mascarar problemas nutricionais que precisam ser investigados. Cinco estados do Brasil estão em nível de risco para síndrome respiratória Bater a cabeça pode causar hemorragias detectadas meses depois, diz Kalil Mais de 15 milhões de brasileiros são afetados por doenças reumáticas Também é preciso ressaltar que cada suplemento atua de forma distinta no organismo. Segundo Rafaela, a creatina monohidratada, por exemplo, apresenta um perfil de segurança bem consolidado em adultos saudáveis nas doses recomendadas.O risco maior costuma estar nos multivitamínicos e no hábito de misturar múltiplos produtos, em que a sobreposição de ingredientes pode gerar megadoses indesejadas.Suplementos são indispensáveis?A alimentação saudável costuma suprir plenamente as necessidades do corpo. O whey protein, por exemplo, funciona como uma fonte prática de proteína — papel também desempenhado por ovos, carnes, peixes, laticínios ou combinações vegetais.É uma boa opção para idosos, atletas ou pessoas com rotinas ágeis que possam enfrentar dificuldades para atingir a meta proteica apenas pela alimentação.Já a creatina ela auxilia no ganho de força e no desempenho em treinos de alta intensidade. Ela é produzida pela copor e também obtida pela alimentação.A suplementação, nesse caso, permite atingir as concentrações utilizadas em estudos de alta performance com maior facilidade. Mesmo com esse objetivo, a especialista alerta que a creatina não substitui o treino, assim como o whey não substitui o prato de comida.Quanto mais proteína, melhor?Segundo a nutricionista, consumir mais proteína do que o necessário não significa ganhar mais massa muscular.A síntese de proteínas musculares depende de fatores como a prática de exercícios, o consumo energético adequado, a distribuição das proteínas ao longo do dia e as necessidades individuais.O mais importante não é consumir o máximo possível, mas atingir a quantidade adequada para cada organismo e objetivo.diz a especialistaVitaminas em excesso também trazem riscos?A especialista afirma que a ideia de que vitaminas não fazem mal por serem nutrientes essenciais é um engano comum.As chamadas vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) são armazenadas no organismo junto com as gorduras e, quando consumidas em excesso, podem se acumular a ponto de causar toxicidade.Vitamina A: O consumo desenfreado pode causar alterações no fígado, dores de cabeça graves e riscos durante a gestação.Vitamina D: Megadoses aumentam desproporcionalmente os níveis de cálcio no sangue, abrindo margem para complicações renais.Vitamina E: Doses elevadas elevam o risco de sangramentos;Vitamina K: o excesso pode interferir na ação de medicamentos anticoagulantes, como a varfarina.Cuidados e alertasPara evitar desperdício de dinheiro e riscos à saúde, o primeiro passo antes de usar deve ser a avaliação clínica.O nutricionista tem o papel de identificar se a suplementação é realmente necessária e, quando indicada, estabelecer o tipo de produto, a quantidade, a frequência e a duração de uso mais adequadas para cada pessoa.Em alguns casos, exames laboratoriais como creatinina, taxa de filtração glomerular, hemograma, vitamina B12, vitamina D e dosagens de ferritina ajudam a desenhar a real necessidade do paciente.Rafaela também alerta que não se deve comprar suplementos apenas pelo apelo do desconto, especialmente em épocas de grandes liquidações.A melhor suplementação não é a mais cara, a mais famosa ou a que está com o maior desconto. É aquela que realmente atende às necessidades do organismo.diz KherlakianSucesso entre influenciadoras, suplementos capilares funcionam?