Mercado de capitais tem R$ 57 trilhões? Um detalhe muda toda essa conta

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Mercado de capitais tem R$ 57 trilhões? Um detalhe muda toda essa contaO mercado de capitais brasileiro alcançou R$ 57,18 trilhões em setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O número impressiona, mas existe um detalhe importante por trás dessa conta. Quando o valor de referência dos contratos derivativos é retirado do cálculo, o montante cai para R$ 19,65 trilhões.A diferença de R$ 37,53 trilhões não representa dinheiro que desapareceu, muito menos uma perda financeira. Ela existe porque a CVM reúne diferentes tipos de ativos e contratos em seu levantamento, incluindo operações cujo valor de referência não corresponde necessariamente ao dinheiro aplicado pelos investidores.Os números fazem parte do Boletim Econômico do terceiro trimestre e mostram que, mesmo sem o valor nocional dos derivativos, o mercado regulado cresceu 8,7% em relação ao encerramento de 2025.Por que R$ 57 trilhões não significam dinheiro investido?Para entender essa diferença, é preciso conhecer o chamado valor nocional, utilizado como referência para calcular determinadas operações financeiras.Nos derivativos, como os contratos futuros de dólar e de juros, as negociações são realizadas com base em um valor que determina a exposição financeira e os resultados do contrato. Isso não significa, entretanto, que todo esse montante precise ser desembolsado pelo investidor.Imagine uma operação no mercado futuro que representa R$ 100 mil. Dependendo do contrato, quem participa da negociação não precisa aplicar esse valor integralmente, mas deve apresentar garantias e arcar com os ajustes decorrentes das oscilações de preços.É justamente essa distinção que aparece no levantamento da CVM. Dos R$ 57,18 trilhões estimados para o mercado regulado, R$ 37,53 trilhões correspondem ao estoque nocional de derivativos, que cresceu 14,6% desde dezembro de 2025.Os dois números estão corretos, mas representam medidas diferentes. Enquanto o total de R$ 57,18 trilhões inclui o valor de referência dos contratos, os R$ 19,65 trilhões excluem essa parcela, embora também não correspondam integralmente ao dinheiro efetivamente aportado.Onde estão os outros R$ 19,65 trilhões?Sem o estoque nocional dos derivativos, os fundos de investimento representam a maior parcela do mercado considerado pela CVM. O patrimônio sob gestão dessas carteiras alcançou R$ 12,17 trilhões em setembro, crescimento de 8,7% em relação ao fim de 2025.As empresas listadas também têm uma participação importante nessa conta. A capitalização do mercado de ações, calculada a partir do valor de mercado das companhias negociadas na Bolsa, chegou a R$ 5,24 trilhões, avanço de 9,9% no mesmo período.Aqui também existe uma diferença que merece atenção. Quando as ações de uma companhia se valorizam, seu valor de mercado aumenta, mesmo que nenhum novo recurso tenha entrado diretamente no caixa da empresa.O levantamento considera ainda instrumentos financeiros como debêntures e certificados de recebíveis, que ajudam a compor o valor estimado pelo regulador.Números grandes chamam atenção, mas entender o que representam faz diferença na hora de investir. Na Black Friday da Suno, descubra como construir uma estratégia de longo prazo. A live gratuita acontece em 04/11, às 20h, com bônus exclusivos. Garanta sua vaga!Quanto o mercado de capitais captou em 2026?Além de calcular o valor dos ativos e contratos, a CVM acompanha as captações realizadas por empresas e fundos, oferecendo outra perspectiva sobre a atividade financeira no país.Nos primeiros nove meses de 2026, as emissões de valores mobiliários somaram R$ 708,2 bilhões, distribuídos em 3.578 ofertas. O volume financeiro cresceu 12,1% em comparação ao mesmo período de 2025.Essas operações permitem que empresas e outros emissores levantem recursos por meio da emissão de títulos de dívida e de diferentes valores mobiliários. Ao contrário do valor nocional dos derivativos, os dados de captação representam o volume financeiro das ofertas realizadas no período.O boletim também contabilizou 93.426 participantes regulados, entre fundos de investimento e diferentes categorias de instituições e profissionais, número 0,9% superior ao registrado no encerramento do ano passado.A CVM informa que suas estimativas não abrangem todos os instrumentos sob sua jurisdição e que o levantamento passou por aperfeiçoamentos metodológicos, especialmente na apuração dos dados dos fundos de investimento, responsáveis pela maior parcela do mercado de capitais considerada no estudo.