O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assessores do governo norte-americano ajudaram o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fugir para território americano, segundo o jornal New York Times.O jato em que Flávio voou da Argentina para Miami, com escala no Equador, teria sido providenciado por Jason Miller, conselheiro de Trump e estrategista de comunicação das campanhas do republicano. De acordo com a reportagem do NYT, o ex-deputado e irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA, estava em contato com Miller.Segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal, Trump garantiu que Flávio pudesse entrar nos Estados Unidos. O político deve solicitar um green card, que concede status de residência permanente no país. Eduardo Bolsonaro obteve o documento rapidamente em julho, apesar de o processo levar anos para a maioria dos imigrantes.A reportagem diz que o senador brasileiro “está na Flórida com um visto de imigração temporário concedido por ordem do presidente Trump e provavelmente terá sua residência permanente assegurada posteriormente.”Rota de fugaFlávio atravessou a fronteira com a Argentina por terra na noite de terça-feira, 27, acompanhado da mulher e das duas filhas. Depois, embarcou em uma aeronave da empresa Baires Fly, que fez uma parada para abastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami. A companhia argentina proprietária do jatinho que levou o senador aos Estados Unidos é alvo de uma investigação sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro na Agência Nacional de Deficiência da Argentina (Andis).A viagem ocorreu após o ministro do STF Alexandre de Moraes proibir o ex-candidato de deixar o Brasil e determinar a entrega de seus passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, relacionada ao advogado Willer Tomaz e esquemas de bets.Como os passaportes não foram entregues no prazo, as autoridades brasileiras cancelaram os documentos e emitiram um alerta para impedir sua saída do país. A Polícia Federal afirmou não ter registro oficial da saída de Flávio e informou que apura as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais. Ressaltou, porém, que as restrições de viagem não o tornam automaticamente foragido nem autorizam, por si só, sua prisão.Já nos Estados Unidos, Flávio alegou perseguição política e agradeceu a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei. Em uma carta aberta, apresentou-se inicialmente como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas apagou a mensagem e a republicou com a expressão “líder do Brasil”.“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, disse na primeira versão do documento. A expressão ainda seria repetida uma segunda vez.Trump chama eleição brasileira de ‘vergonha’Nesta quinta-feira, Trump voltou a classificar as eleições presidenciais brasileiras como uma “vergonha”, um dia depois de Flávio fugir do Brasil. O republicano, no entanto, disse que pode falar com o Lula, sem dizer quando.“Vou falar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil”, começou Trump em sua resposta a um jornalista que havia perguntado se ele vai reconhecer Lula como presidente eleito e falar com o petista para parabenizá-lo. “Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil. Foi uma vergonha”, acrescentou o republicano, cujo governo até o momento não reconheceu oficialmente a vitória de Lula.O ocupante do Salão Oval disse ter sido “orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente”, em uma referência a Lula. “Foi uma vergonha. Bem, o mercado diz isso. É só olhar para o mercado. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”.Trump já havia afirmado a jornalistas na quarta-feira que não iria “comentar” ou se “envolver”, quando perguntado sobre a carta de teor golpista publicada por Flávio. Ele classificou o pleito como “muito estranho”, sem apresentar provas ou quaisquer considerações.O post Trump e assessores ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil, diz ‘NYT’ apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.