A Polícia Civil de São Paulo investiga um esquema suspeito de venda de dados sigilosos de pessoas mortas para empresas funerárias. A suspeita é que as informações fossem usadas para abordar familiares logo após a morte de parentes e oferecer serviços funerários por preços abusivos.Segundo a investigação, os envolvidos obtinham ilegalmente informações sobre mortes recentes em hospitais particulares, no Instituto Médico Legal (IML) e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO). Os dados seriam repassados a empresas funerárias, que abordavam familiares enlutados para oferecer serviços com preços acima dos praticados no mercado.A apuração envolve suspeitas de acesso indevido a dados sigilosos, corrupção e lavagem de dinheiro. Leia Mais Operação mira grupo que fraudou financiamentos durante a pandemia em SP Polícia faz operação contra grupo que movimentou R$ 40 mi em golpe digital Polícia prende quatro suspeitos de golpe do falso leilão em SP Na segunda fase da Operação Luctus, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão. As diligências alcançaram a SP Regula, uma delegacia, um escritório de contabilidade e outras empresas funerárias. Entre os alvos estão um policial civil, um servidor municipal e empresários do setor funerário.A ação foi realizada de forma integrada pela Polícia Civil, por meio da Corregedoria-Geral, pela Prefeitura de São Paulo e pela Controladoria-Geral do Município. Segundo a nota oficial, a investigação começou após uma solicitação da Prefeitura. Um policial civil foi alvo de uma ordem de afastamento funcional.Durante as buscas, foram apreendidos 15 celulares, cinco computadores portáteis, dois tablets, um HD externo, uma CPU, um dispositivo USB, um aparelho Alexa, documentos, um relógio de pulso, quatro máquinas de cartão, cheques, dinheiro em espécie e moedas estrangeiras. Também foram apreendidas oito armas de fogo, dois veículos e uma lancha. Os materiais recolhidos serão submetidos à perícia.INSS: parentes de aposentados mortos pedem devolução | LIVE CNNA investigação busca esclarecer como os dados sigilosos eram acessados e repassados, identificar os possíveis envolvidos e verificar eventuais falhas nos controles internos. A operação também tem como objetivo identificar vulnerabilidades e aprimorar os mecanismos de governança, integridade e proteção de informações sensíveis, além de combater a corrupção, o crime organizado e possíveis práticas de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos.Nesta fase da operação, não foram cumpridos mandados de prisão, segundo a SSP.Em nota, a funerária Velar afirmou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e que ainda não teve acesso aos autos da investigação nem à decisão judicial. A empresa declarou repudiar práticas ilegais, reafirmou seu compromisso com a conduta ética e o respeito às famílias e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.A Polícia Civil do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo afirmaram em nota que reafirmam seu compromisso com a apuração rigorosa de qualquer irregularidade na administração pública