Wall Street Journal acusa Justiça brasileira de ‘vingança política’ contra Flávio

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O jornal americano The Wall Street Journal classificou como “vingança política” as medidas contra o senador Flávio Bolsonaro depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em editorial publicado nesta quarta-feira (28), o veículo questiona a imparcialidade da Justiça brasileira e defende a proteção oferecida pelos Estados Unidos ao parlamentar e à família.O texto, intitulado “Ao vencedor do Brasil, a vingança política”, é assinado pelo conselho editorial, responsável pelas posições institucionais da seção de opinião. A publicação reúne críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e à perspectiva de novas indicações de Lula ao Supremo Tribunal Federal.O argumento central é que a vitória eleitoral estaria sendo seguida por medidas contra o adversário derrotado. O jornal destaca a proximidade entre o resultado de domingo e a determinação para que Flávio entregasse seus passaportes.Na abertura, o conselho editorial afirma que vencedores políticos deveriam tratar os derrotados com benevolência, mas sustenta que, no Brasil, eles são processados. O texto atribui a iniciativa ao governo Lula e registra que Moraes autorizou um pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem do senador.A publicação relata que Flávio deixou o Brasil com a mulher e as filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e chegou a Miami na quarta-feira. Para o jornal, a decisão americana de receber a família representa uma oferta justificável de proteção política.O WSJ também sustenta que o parlamentar teria motivos para acreditar que não receberia um julgamento justo. O editorial menciona uma declaração atribuída a Lula durante um debate de campanha, na qual o presidente teria associado a perda da imunidade parlamentar de Flávio à abertura de investigações.A partir dessa passagem, os autores acusam Lula de escolher previamente o adversário como alvo e procurar depois uma justificativa criminal. Essa é uma interpretação apresentada pelo conselho editorial, e não uma conclusão judicial sobre a origem das apurações.Críticas ao SupremoO jornal direciona outra parte da crítica à atuação de Alexandre de Moraes. Afirma que cabe ao procurador-geral avaliar a apresentação de uma acusação criminal contra um político federal e sustenta que o ministro amplia sua jurisdição de acordo com objetivos políticos.Para desenvolver o argumento sobre a imparcialidade do Judiciário, o editorial recupera a condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. O WSJ classifica como tendencioso o resultado de quatro votos a um e destaca a participação de Moraes e de ministros indicados por Lula.O texto menciona os vínculos anteriores de integrantes do colegiado com o presidente, incluindo a atuação de Cristiano Zanin como advogado de Lula e a passagem de Flávio Dino pelo Ministério da Justiça.Em contraponto à decisão da maioria, o conselho editorial elogia o voto divergente de Luiz Fux. A publicação ressalta as 452 páginas da manifestação e adota como relevantes as objeções apresentadas pelo ministro sobre a competência do Supremo, a avaliação das provas e o respeito ao devido processo legal.O jornal utiliza essa divergência para sustentar sua crítica ao julgamento. A posição defendida pelo editorial acompanha os argumentos do voto minoritário, enquanto a condenação foi estabelecida pela maioria do colegiado.A análise também apresenta a saída de Flávio como parte de um movimento mais amplo de brasileiros que passaram a viver no exterior por receio de prisão. O texto menciona jornalistas, blogueiros e formadores de opinião e associa esse cenário ao que considera restrições à liberdade de expressão e censura a críticos.Alerta sobre instituiçõesNa parte final, o editorial trata da composição futura do Supremo. O jornal projeta que Lula poderá indicar até quatro ministros nos próximos quatro anos, em uma Corte formada por 11 integrantes.Diante dessa perspectiva, atribui ao novo Senado brasileiro a responsabilidade de defender a integridade e a independência do Judiciário. A preocupação apresentada é com o equilíbrio entre os Poderes e com a capacidade das instituições de limitar a concentração de autoridade.O encerramento amplia a crítica para um alerta sobre autocracia. O conselho editorial descreve um percurso no qual um governante chega ao poder pelo voto, assume o controle do Judiciário e passa a prender adversários.Na avaliação do WSJ, instituições fortes podem preservar o Estado de Direito diante desse processo. O editorial termina colocando em dúvida se o Brasil conseguirá resistir.