Pesquisa aponta barreiras de raça, gênero e custo no uso de IA por jovens

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O avanço da inteligência artificial entre as gerações que ingressam no mercado de trabalho revela desafios sociais profundos no Brasil. O levantamento inédito “Panorama: jovens e IA”, realizado pelo Instituto Leapy com 329 pessoas entre 18 e 22 anos, mostra que o acesso desigual às ferramentas digitais ameaça ampliar as disparidades históricas de renda e oportunidade no país.Enquanto a fluência em IA pode garantir um aumento salarial de até 56%, a corrida não parte da mesma linha de largada. O estudo aponta que 70% dos jovens brancos utilizam a tecnologia diariamente, contra 55% dos negros. Para Rodrigo Santos, psicólogo e professor da Leapy, sem políticas de inclusão, a valorização financeira da IA corre o risco de concentrar renda e restringir o acesso da população negra a cargos mais bem remunerados.Custo financeiro e assimetria de gêneroO principal obstáculo para o aprofundamento do aprendizado não é a falta de tempo ou de equipamentos, mas o fator econômico. Para 42% dos entrevistados — e 51,2% dos usuários diários —, o custo das assinaturas pagas de versões avançadas é a maior barreira para evoluir no uso da ferramenta.No recorte de gênero, a frequência de uso diário é próxima (60,6% entre mulheres e 67% entre homens), mas há uma discrepância no nível de complexidade das tarefas: 58,4% dos homens utilizam a IA para tarefas técnicas avançadas, como programação, mas apenas 26,6% das mulheres aplicam a ferramenta para essa mesma finalidade.Essa disparidade reflete barreiras históricas no setor de tecnologia, onde as mulheres representam apenas 19% dos especialistas, segundo dados da Softex. A insegurança também pesa: mulheres têm 2,6 vezes mais medo de usar a IA de forma incorreta do que os homens.Apoio emocional e visão de futuroApesar dos obstáculos, a juventude demonstra otimismo em relação à tecnologia na carreira. Apenas 5% acreditam na eliminação em massa de vagas de entrada nos próximos cinco anos, enquanto 80% projetam transformações positivas no trabalho. No ambiente acadêmico, 83% utilizam a IA para estudar e compreender matérias escolares ou universitárias.Além da produtividade, a ferramenta assumiu um papel inesperado de suporte social: 18% dos jovens usam a IA para desabafar, buscar conselhos ou companhia, sinalizando como a Geração Z busca espaços de acolhimento diante da ansiedade e das pressões do cotidiano. O relatório reforça que a democratização da inteligência artificial precisa entrar urgentemente na agenda corporativa e de recursos humanos.