Ibovespa fecha outubro no vermelho e deixa quase 18% pelo caminho em uma semanaOutubro terminou, mas deixou uma conta pesada para a Bolsa brasileira. Depois de uma semana marcada por eleições, circuit breaker e perdas históricas, o Ibovespa fechou esta sexta-feira (30) em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, uma perda de 1.264,62 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo no vermelho, encerrando a pior semana desde março de 2020.O saldo ajuda a dimensionar a turbulência. O índice acumulou queda de 18,12% na semana, a maior desde o início da pandemia, e terminou outubro com recuo de 9,88%, seu pior desempenho mensal desde junho de 2022. Nem mesmo a recuperação de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) conseguiu evitar mais uma sessão negativa.A semana começou com o mercado desmontando posições construídas antes do segundo turno presidencial. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma mudança de governo. O resultado provocou um ajuste abrupto nos preços, agravado pelas dúvidas sobre a condução das contas públicas e a composição da equipe econômica.Já pensou em receber renda passiva todos os meses? A Suno está oferecendo gratuitamente o curso Viva de Dividendos como parte da campanha de Black Friday. Acesse o curso e conheça estratégias para investir com foco em dividendos.Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a intensidade da queda está relacionada ao reposicionamento dos investidores após a eleição. Segundo ela, uma parcela expressiva do mercado estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e precisou ajustar rapidamente suas carteiras diante do resultado das urnas.A especialista avalia que a volatilidade pode continuar nas próximas semanas, enquanto o mercado aguarda definições sobre a política fiscal e os responsáveis pela condução da economia. O movimento também ocorre em um ambiente internacional menos favorável, com juros elevados nos Estados Unidos e menor disposição para assumir riscos.O cenário doméstico ganhou outro componente nesta sexta-feira. A taxa de desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012. Embora o dado indique a força do mercado de trabalho, também reforça a atenção dos investidores à trajetória da inflação e dos juros.Maiores altas e baixasA Vale (VALE3) subiu 3,28%, após divulgar seu balanço do terceiro trimestre. Apesar das pressões sobre os custos de minério de ferro e níquel, o desempenho da divisão de cobre e a geração de caixa contribuíram para uma avaliação mais favorável dos resultados.A Petrobras (PETR4) também avançou, com alta de 0,98%, acompanhando a valorização do petróleo internacional. PRIO (PRIO3) ganhou 1,45%, em uma sessão positiva para as produtoras da commodity.Na ponta negativa, as siderúrgicas concentraram algumas das maiores perdas. Usiminas (USIM5) caiu 8,59%, após a divulgação de resultados considerados fracos, enquanto CSN (CSNA3) recuou 8,49%.Os grandes bancos também pressionaram o índice. Santander (SANB11) perdeu 2,84%, Itaú (ITUB4) caiu 2,15% e Bradesco (BBDC4) recuou 2,12%. Banco do Brasil (BBAS3) contrariou o movimento, com leve alta de 0,06%.Hypera (HYPE3) terminou em queda de 1,16%, apesar de avaliações favoráveis de analistas sobre suas perspectivas.Cotação do dólar hojeO dólar comercial encerrou a sexta-feira em alta de 1,05%, a R$ 5,444, ampliando a valorização acumulada após o segundo turno presidencial.Na semana, a moeda americana disparou 9,15% diante do real, refletindo a busca por proteção cambial e a revisão das expectativas para a economia brasileira.Os juros futuros também avançaram em toda a curva, em meio às preocupações com a trajetória das contas públicas e a possibilidade de manutenção da Selic em níveis elevados por mais tempo.Fechamento das bolsas americanasAs bolsas de Nova York encerraram a sexta-feira em forte queda, pressionadas pelas ações de tecnologia e pelas preocupações com os custos crescentes dos investimentos em inteligência artificial.Os balanços de grandes empresas, incluindo Amazon e Intel, aumentaram as dúvidas sobre o ritmo dos gastos com infraestrutura tecnológica e seus efeitos sobre a rentabilidade. O petróleo também avançou, diante da continuidade das tensões no Oriente Médio.O movimento negativo em Wall Street contribuiu para a cautela dos investidores brasileiros, que já enfrentavam uma semana de forte volatilidade doméstica.Novembro começa com feriado, Copom e novas decisões para o mercadoDepois de uma das semanas mais intensas dos últimos anos, novembro começa com uma pausa no calendário brasileiro. A B3 não terá negociações na segunda-feira (2), feriado de Finados, e o mercado voltará a funcionar na terça-feira (3).O retorno também será marcado por mudanças nos horários de negociação em razão do encerramento do horário de verão nos Estados Unidos, previsto para domingo (1º).A agenda da semana será movimentada. Na terça-feira, os americanos vão às urnas para as eleições de meio de mandato. Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão sobre a taxa Selic.No Brasil, os investidores também continuarão atentos às medidas fiscais e à definição da equipe econômica para o próximo mandato presidencial.Outubro acabou. Para o mercado, porém, as questões que provocaram a turbulência permanecem abertas e devem continuar influenciando os preços dos ativos em novembro.A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quinta-feira (29), foi de 169.186,42 pontos, com queda de 1,06%.