Mbappé foi perguntado sobre apelidos engraçados e memes dele que o fazem rir. Ele respondeu que tem visto o meme de “algum cara… Acho que ele é um ditador chinês”. No meme, o rosto de Mao Zedong foi substituído pelo de Mbappé — daí a piada do “ditador chinês”. Mao Zedong é altamente reverenciado na China e o povo chinês ficou ofendido.Isso provocou várias consequências. Os quatro patrocinadores chineses de Mbappé encerraram a relação com o francês. E ,não para por aí: proibiram as estações de TV de exibirem a La Liga porque o Mbappé joga lá. O presidente da La Liga publicou um pedido de desculpas. A declaração de Mbappé, considerada uma piada, custou ao jogador milhões de dólares.No vídeo, Mbappé apenas responde uma pergunta e não demonstra estar ironizando Mao Zedong, mas os chineses não entenderam assim. Mbappé divulgou um pedido de desculpas, reafirmando que não teve nenhuma intenção de ofender e que tem profundo respeito pelo povo chinês e sua história. Acredito que o episódio, de alguma maneira, será superado.Esse caso mostra bem o enorme cuidado com as palavras nos tempos atuais e a autocensura que isso gera. É um exemplo clássico de sensibilidade cultural e política em mercados como o chinês, onde figuras históricas oficiais têm status protegido. O que é humor leve ou opinião livre em um país vira ofensa nacional em outro. O mundo atual exige que celebridades, atletas e empresas tenham um “filtro” permanente quando falam para mercados globais. O resultado é uma autocensura crescente: muita gente acaba falando cada vez menos, de forma mais genérica e ensaiada, justamente para não pisar em mina. O Mbappé, inclusive, já tinha comentado antes sobre os memes de “ditador” de forma mais cautelosa. As palavras viajam mais longe e mais rápido do que a intenção de quem as disse.Até a próxima….