Vale (VALE3) não deve pagar dividendos extraordinários neste ano, diz CFO

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A Vale (VALE3) não deve pagar dividendos extraordinários neste ano, diante das incertezas do cenário geopolítico global que tem impactado os preços do petróleo e de seus derivados, afirmou o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Marcelo Bacci, nesta sexta-feira.Os preços do petróleo subiram acima de US$100 por barril neste ano e têm sofrido forte volatilidade após os Estados Unidos e Israel iniciarem uma guerra contra o Irã, causando temores relacionados a restrições de oferta da commodity.Além disso, desdobramentos de outros conflitos, como da guerra da Ucrânia, têm contribuído para a instabilidade geopolítica, que também afreta rotas comerciais e impacta custos com frete marítimo.“A questão de dividendos extraordinários, para este ano, não deve acontecer, não tanto pela performance do ano e geração de caixa que vem muito bem, mas por todas as incertezas geopolíticas para o ano que vem”, disse Bacci, em coletiva de imprensa sobre o resultado do terceiro trimestre.“A gente prefere estar um pouco no lado conservador, conservar um pouco mais de caixa, manter a dívida mais baixa para poder lidar com cenários muito incertos”, acrescentou ele, ao comentar sobre dividendos. A mineradora reportou na quinta-feira lucro líquido de US$1,255 bilhão no terceiro trimestre, queda de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, diante de preços realizados de minério de ferro mais baixos, além de pressões de custo ligadas à valorização do real e ao aumento das despesas com frete e combustível.O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou US$3,327 bilhões entre julho e setembro, recuo de 24% ante o mesmo intervalo de 2025.Bacci também afirmou nesta sexta-feira que considera as ações da Vale descontadas e vê os programas de recompra como uma alternativa atraente de alocação de capital. “A gente acha que vai ter oportunidades nos próximos meses de fazer recompras, mas a gente não pode antecipar, nem volume, nem ‘timing’, ponderou.Para o quarto trimestre, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que a companhia está totalmente coberta em suas necessidades de frete e com mais de 80% de suas necessidades de contratação de frete para 2027 já garantidas.Já em relação ao combustível marítimo, Bacci afirmou que 67% do consumo esperado em 2027 já está protegido por operações de hedge.Mercado de minério de ferroDiante do cenário atual de preços mais baixos do minério de ferro e altos preços do frete, a Vale calcula que cerca de 10% da oferta global transoceânica de minério de ferro, ou 160 milhões de toneladas, está operando com prejuízo e pode ser ajustada ou retirada do mercado, disse Pimenta.A maior parte desses volumes com prejuízo são de produtores marginais, segundo a Vale. Entretanto, há um risco de que cerca de 5 milhões de toneladas de oferta associada à Vale também possa desaparecer do mercado, considerando estimativas anualizadas para 2027, explicou Bacci. “Quando a gente fala de uma parte do volume (da Vale) está em risco para o que vem, tem muito a ver com minério de terceiros, principalmente… cada carga que a gente vende aqui, cada transação que a gente faz, ela tem que ter retorno para a companhia, isso é um princípio importante para a gente”, afirmou Bacci.O executivo evitou adiantar eventuais mudanças no guidance de minério de ferro para o ano que vem, mas adiantou que “a tendência é que a gente não tenha nada substancialmente diferente desse ano”. O detalhamento ocorrerá no encontro anual da Vale com acionistas, chamado Vale Day, em 1º de dezembro.Para este ano, a Vale está no caminho para cumprir seu guidance de produção em todo o portfólio e vê os investimentos e os custos all-in do cobre terminando 2026 próximos ao limite inferior das respectivas faixas de previsão.Em coletiva com a imprensa, Bacci disse ainda nesta sexta-feira ver aspectos positivos na continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e espera avanços em temas regulatórios considerados estratégicos para expansão da mineração no Brasil.