Inflação ‘muito alta’ e novo calendário do FOMC: os recados de Warsh após decisão do Fed

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O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou que a inflação nos Estados Unidos continua elevada e que o banco central ainda precisa de mais informações para determinar se o nível atual dos juros será suficiente para levar a alta dos preços à meta de 2%.Em entrevista coletiva, Warsh reforçou o compromisso com o controle da inflação e rejeitou a possibilidade de a instituição tolerar uma taxa acima do objetivo. Segundo ele, a força da economia e as condições favoráveis do mercado de trabalho levaram o comitê a concentrar as discussões na estabilidade de preços.“Não existe uma meta de inflação implícita. Existe uma meta de estabilidade de preços de 2%, medida pelo PCE”, afirmou.Questionado sobre por que o Fed decidiu manter os juros apesar da inflação persistente, Warsh argumentou que a condução da política monetária não depende de uma data específica nem de um indicador isolado. Ele disse que as medidas adotadas começam a produzir efeitos, mas que ainda não há uma conclusão firme sobre a necessidade de novos ajustes.“Se tivéssemos uma conclusão firme sobre a condução da política monetária, nós a anunciaríamos hoje”, disse.Warsh destacou que as condições financeiras ficaram mais apertadas desde a ação do Fed em setembro, com efeitos sobre empresas e famílias. Ainda assim, evitou classificá-las como efetivamente apertadas, mantendo em aberto a avaliação sobre o grau de restrição imposto à economia.O presidente do Fed também reconheceu que a instituição ainda não entregou a estabilidade de preços, mas reafirmou que o comitê trabalha para isso. Energia pressiona inflação, enquanto economia segue forteWarsh chamou a atenção para a nova alta dos preços de energia nas últimas semanas. Segundo ele, cabe ao Fed impedir que os aumentos em determinados setores se espalhem pela economia e comprometam a ancoragem das expectativas de inflação.Embora os consumidores percebam a pressão dos combustíveis e ajustem suas expectativas de curto prazo, Warsh afirmou que a maioria das medidas para horizontes mais longos indica confiança na capacidade do banco central de controlar os preços.Ao mesmo tempo, descreveu uma economia resiliente, sustentada pelo consumo e pelos investimentos empresariais, com destaque para tecnologia. Segundo o presidente do Fed, o crescimento do primeiro semestre foi revisado de 1,8% para 2,4%, e o terceiro trimestre apresenta sinais de uma expansão ainda mais rápida.No mercado de trabalho, Warsh apontou que a geração de empregos acompanha o crescimento da força de trabalho e que a taxa de desemprego pouco mudou. Nesse cenário, reforçou que a inflação segue como preocupação central do comitê.Fed terá reuniões exclusivas para discutir estratégiaDurante a coletiva, Warsh anunciou mudanças no calendário do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, sigla em inglês). A instituição manterá oito encontros anuais, mas parte deles será dedicada exclusivamente à discussão da estratégia de política monetária.Em 2027, uma reunião terá esse formato, sem previsão de votação sobre os juros ou divulgação de comunicado de política monetária. Os outros sete encontros serão destinados às decisões regulares do comitê.Para 2028, Warsh afirmou esperar duas reuniões voltadas à estratégia e seis para definir a política monetária.Segundo ele, a mudança busca reservar espaço para discussões de longo prazo, além da avaliação dos dados mais recentes da economia. Os detalhes sobre a comunicação dos encontros estratégicos ainda serão divulgados.