A inteligência artificial é capaz de criar praticamente tudo: sugerir roteiros, gerar imagens e cenas e até mesmo automatizar etapas da edição. Apesar das facilidades, deixar todo o processo nas mãos da tecnologia pode comprometer a originalidade e a qualidade do resultado. Para os criadores de conteúdo Paulo Aguiar, Cello Coelho e Bruno Rodrigues, a IA funciona melhor quando é utilizada como uma aliada da criatividade humana, e não como substituta. Os três profissionais, que participaram do CapCut World, evento realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos, conversaram com o TechTudo sobre como evitar erros comuns na hora de usar a IA para criar conteúdo. Todos destacam a importância de estudar as ferramentas, desenvolver um repertório próprio e entender os limites do uso da tecnologia. 🔎 Usa IA para criar textos e ideias? Estudo aponta falhas em 97% das tarefas🔔 Canal de ofertas no WhatsApp: confira promoções, descontos e cupons a qualquer hora🔎 8 coisas que você nunca deve fazer com qualquer inteligência artificialEspecialistas comentam sobre os limites ao gerar imagens com IAImagem gerada pelo ChatGPT📝 É possível criar uma inteligência artificial em casa? Participe no Fórum do TechTudo📲 Comparador de celulares do TechTudo: analise preços, ficha técnica e recursoÍndiceNão deixe a IA fazer todo o trabalhoEstude antes de começar a usarFuja de ideias genéricas e vídeos iguaisDefina a mensagem antes de escolher a ferramentaEstabeleça os seus limites éticos para o uso da IA1. Não deixe a IA fazer todo o trabalhoAntes de começar a produzir conteúdos com inteligência artificial, é importante ter em mente que a IA não deve fazer todo o trabalho sozinha. Embora possa ajudar em diferentes momentos da produção de vídeos, algumas decisões precisam continuar sob o controle de quem cria.O criador de conteúdo e especialista em inteligência artificial, Paulo Aguiar, tem cerca de 18 anos de experiência na indústria criativa. Hoje, seus vídeos mais populares combinam elementos reais e artificiais para produzir imagens, mas a concepção das ideias e a escrita dos roteiros, por exemplo, são tarefas que ele prefere realizar sem recorrer à geração automática.“Na prática, hoje a IA pode fazer tudo, mas não quer dizer que eu queira fazer tudo com IA. Como um criativo, tem partes do meu trabalho que eu prefiro fazer manualmente, ou mentalmente, dependendo do seu ponto de vista. Por exemplo, ter e escrever as ideias, para mim, hoje é 100% humano”, explica.Paulo também mantém a edição como uma etapa manual, realizada por ele ou por integrantes de sua equipe. A estratégia permite aproveitar a velocidade das ferramentas generativas sem abrir mão da direção criativa. Para o criador, esse equilíbrio ajuda a preservar a autoria do conteúdo.“Eu acho que isso ajuda a dar autoria também. Sentir que eu não estou só terceirizando para a máquina. Eu sinto que estou me revezando com ela para garantir um trabalho que traga o auge do que é possível ser feito com IA, mas onde eu vejo a minha entrega criativa e artística.”O diretor de criação, Cello Coelho, que atua há mais de 15 anos na indústria publicitária e tem experiência em design e direção de arte, segue uma lógica semelhante. Ele utiliza a inteligência artificial para acelerar tarefas que antes exigiam montagens complexas e várias etapas de pós-produção, mas ainda faz ajustes manuais para chegar ao resultado desejado.“Esse pensamento de que a IA vai resolver a sua vida é ruim a longo prazo, porque você vai deixar de fazer várias coisas e desaprender a fazer outras, que você poderia simplesmente só agregar”, explica Cello.O criador também usa ferramentas generativas para produzir imagens específicas, reduzindo a necessidade de recorrer a bancos de imagens ou construir determinadas composições inteiramente do zero. A tecnologia, nesse caso, funciona como uma forma de otimizar o trabalho, sem eliminar a participação humana.Paulo Aguiar no CapCut World. Especialista tem 18 anos na indústria criativa.TechTudo/Aline Barbieri2. Estude antes de começar a usarOutro erro comum é acreditar que basta escrever um bom comando, ou prompt, para obter um resultado profissional. Para Cello Coelho, é importante compreender como as ferramentas funcionam e por que determinados comandos produzem certos resultados. O criador recomenda estudar os recursos disponíveis e buscar referências em diferentes áreas, como cinema, fotografia, design e artes visuais. Esse conhecimento ajuda a orientar a IA com mais precisão e a identificar o que precisa ser ajustado no resultado.“Vivemos em um mundo em que tudo o que você quiser aprender, você vai achar na internet. Entenda aquilo que você está fazendo. Não ache que, só porque você digitar ali, já vai resolver o seu problema. Você tem que entender o porquê daquilo, então, estude bastante sempre", aconselha o diretor de criação.Além do estudo, a prática é fundamental para desenvolver essas habilidades. O criador de conteúdo e videomaker, Bruno Rodrigues, também defende a experimentação como parte do aprendizado. Segundo ele, testar recursos, observar os resultados e continuar praticando ajuda a desenvolver o olhar criativo ao longo do tempo. Bruno lembra que a evolução não acontece de uma hora para outra. A experiência acumulada contribui para que o criador desenvolva suas próprias soluções e aprenda a identificar o que funciona melhor em cada situação.“O processo criativo é muito demorado e vai aflorando com o tempo. Para conseguir fazer vídeos, templates e produções de IA incríveis, você precisa de tempo. Esse repertório vai vir”, explicaBruno Rodrigues defende a experimentação como parte do aprendizadoTechTudo/Aline Barbieri3. Fuja de ideias genéricas e vídeos iguaisA facilidade para gerar imagens e vídeos com inteligência artificial também traz outro desafio: a repetição de estilos e ideias. Quando diferentes pessoas utilizam ferramentas semelhantes com comandos genéricos, os resultados podem ficar visualmente parecidos e pouco originais.Para Cello Coelho, o problema está na falta de direcionamento. Segundo ele, não basta escrever uma instrução simples e esperar que a ferramenta entregue uma produção com identidade própria. É preciso definir o que se deseja criar e orientar a IA ao longo do processo. “Não é só um prompt, tem muita coisa envolvida por trás. São vários pensamentos envolvidos para chegar nesse prompt. Quanto mais você direcionar, melhor vai ser o seu resultado”, afirma.Na prática, isso significa pensar com cuidado no resultado desejado, definir características visuais e escolher referências que ajudem a orientar a ferramenta. O objetivo é ir além de uma descrição genérica e desenvolver uma ideia que reflita a personalidade do autor.Paulo Aguiar também considera a originalidade um dos principais diferenciais para quem produz conteúdo. Em vez de apenas reproduzir formatos que já viralizaram, ele recomenda buscar ideias próprias e perspectivas diferentes sobre os assuntos.“Eu brinco que a gente precisa confundir um pouco a IA e trazer ideias que são só nossas. Buscar algo original, um ponto de vista que eu acho que poucas pessoas têm, para mim, é sempre o caminho”, diz.Especialista e professor em IA, Paulo reconhece que acompanhar tendências pode ajudar a conquistar visualizações, mas ressalta que o alcance nem sempre se traduz nos resultados desejados. Para ele, conteúdos que apresentam ideias originais podem gerar oportunidades mais relevantes do que aqueles que apenas repetem fórmulas populares.Bruno Rodrigues também destaca a importância da criatividade. Ele começou a produzir conteúdo em 2019 e, com o tempo, passou a trabalhar com templates para o CapCut e a monetizar sua atividade na plataforma. Para ele, a maior parte do resultado vem da criatividade de quem está por trás. O videomaker também ressalta a importância de construir repertório e de explorar o trabalho de outros usuários para descobrir recursos e ampliar as próprias possibilidades criativas. A ideia não é simplesmente copiar o que já existe, mas entender como diferentes ferramentas podem ser utilizadas para chegar a resultados distintos.“Você precisa ter um repertório criativo. Ao tentar descobrir o que o outro está fazendo, você expande a sua criatividade e consegue explorar ferramentas como o CapCut de forma criativa”, afirma Bruno.Para Cello Coelho, o problema está na falta de direcionamento. É preciso definir o que se deseja criar e orientar a IATechTudo/Aline Barbieri4. Defina a mensagem antes de escolher a ferramentaEstudar os recursos disponíveis e desenvolver a criatividade são passos importantes, mas também é preciso ter clareza sobre o objetivo de cada produção. Antes de decidir qual ferramenta utilizar, vale definir o que se deseja comunicar, para quem o conteúdo será feito e qual resultado se pretende alcançar.Para Paulo Aguiar, essa reflexão deve orientar todo o processo criativo. A partir da mensagem, o criador pode escolher a ferramenta mais adequada, experimentar diferentes possibilidades e avaliar a resposta do público.“Eu acho que é super importante pensar primeiro na mensagem e na ideia antes de pensar em qualquer ferramenta. Depois disso, escolher a ferramenta que mais faz sentido para você e entender como ela funciona de verdade. Num terceiro momento, ver como a comunidade vai reagir a isso e para quem que você está criando", detalha o passo a passo.A recomendação reforça um ponto central das experiências dos três profissionais: dominar uma ferramenta não é suficiente para produzir conteúdo relevante. É necessário saber o que se deseja comunicar, compreender os recursos disponíveis e tomar decisões ao longo de todo o processo.A IA pode acelerar tarefas, reduzir custos e abrir novas possibilidades de criação. Ainda assim, a escolha das ideias, o direcionamento visual e a revisão dos resultados continuam sendo responsabilidades importantes de quem produz o conteúdo. E há outro cuidado que não pode ficar de fora: os limites éticos do uso da tecnologia.Paulo Aguiar no palco do Capcut WorldTechTudo/Aline Barbieri5. Estabeleça os seus limites éticos para o uso da IAAlém das questões criativas, o uso da IA exige atenção aos direitos autorais e à representação de pessoas reais. A facilidade para gerar imagens e simular falas pode levar à reprodução indevida de trabalhos de terceiros ou à criação de situações que nunca aconteceram.Cello Coelho chama a atenção para a dificuldade de estabelecer limites entre a inspiração e a apropriação do trabalho alheio. “Hoje em dia, é muito fácil você ver pegar trabalhos de outras pessoas, só reformular de outra forma e dizer que aquilo foi você que fez. A gente tem que entender esse limite, até onde a gente pode usar algo como referência”, afirma.Paulo Aguiar, por sua vez, acredita que os limites éticos de uso da inteligência artificial são subjetivos e que cada vez mais as pessoas vão precisar refletir sobre isso. Como criador, ele considera especialmente problemático utilizar a tecnologia para atribuir declarações falsas a pessoas reais ou criar experiências fictícias apresentadas como verdadeiras. “Todo esse conteúdo vai estabelecer uma narrativa que nunca aconteceu, ou que ele só funciona porque alguém está sendo enganado. Para mim, é onde cruza o limite”, explica.O criador vai além e alerta também para os riscos de golpes e disseminação de informações falsas. Para ele, o caminho é a educação: além de aprender a produzir conteúdo com IA, é importante desenvolver habilidades para avaliar a origem e a confiabilidade do material que circula na internet.“Eu acho que não há nada mais importante hoje para o nosso país do que as pessoas se educarem e entenderem que essas ferramentas podem mudar a vida delas. Em todos os sentidos: desde uma educação criativa, de você entender que isso pode ser um negócio, que você pode criar um vídeo, uma imagem, um site e comercializar isso para as pessoas, quanto de forma negativa, que é você ter educação suficiente para não cair em golpes que são feitos com IA", explica.No fim, criar com inteligência artificial exige mais do que conhecer comandos e acompanhar tendências. Estudar as ferramentas, exercitar a criatividade, definir objetivos e respeitar os limites éticos são atitudes que ajudam a evitar erros e a aproveitar melhor o potencial da tecnologia. A IA amplia as possibilidades de produção, mas é o olhar crítico de quem cria que ajuda a transformar essas possibilidades em conteúdo original, relevante e confiável.*A jornalista viajou para Los Angeles a convite do CapCut.Mais do TechTudo🎥 Alipay: como funciona o aplicativo de pagamentos da China?Assista!Alipay: como funciona o aplicativo de pagamentos da China?