A formação da equipe econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será uma das principais decisões do presidente depois da reeleição. A escolha dos ministros e a definição das medidas fiscais para 2027 devem influenciar as expectativas sobre juros, dívida pública e crescimento econômico. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ganhou força nos bastidores para assumir o comando da equipe econômica, mas o presidente também avalia a permanência de Dario Durigan e a possibilidade de entregar a pasta ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).A definição deve ocorrer nas próximas semanas e será acompanhada de perto pelo mercado financeiro. O novo titular da Fazenda terá de conduzir as negociações do Orçamento de 2027, apresentar medidas para conter o crescimento das despesas e administrar os compromissos assumidos por Lula durante a campanha.A proposta orçamentária enviada pelo Executivo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. O resultado dependerá do comportamento das receitas, das despesas e das medidas aprovadas pelo Congresso.Leia tambémSimone Tebet estaria entre nomes considerados por Lula para o STF, diz colunistaSegundo Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a ex-ministra pode ser opção caso Lula decida indicar uma mulher‘Exército do Lula’ vira modelo digital para esquerda em 3 países antes de eleiçõesCanais na Argentina, França e Espanha já somam mais de 270 mil seguidores e reproduzem estratégia usada por Janones no segundo turnoOs cotadosFonteles é atualmente o nome mais cotado para o cargo. Lula teria sinalizado a interlocutores que gostaria de contar com o governador na equipe econômica, embora ainda não tenha feito um convite oficial. O petista ganhou projeção durante a campanha presidencial e participou das articulações que ajudaram Lula a reverter a desvantagem no segundo turno.Fonteles tem experiência na área fiscal. Antes de assumir o governo estadual, foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Também participou das discussões sobre a reforma tributária.A eventual nomeação, porém, exigiria que o governador deixasse o cargo para o qual acaba de ser reeleito. Fonteles afirmou publicamente que ainda não discutiu a possibilidade com Lula.A permanência de Dario Durigan é outra possibilidade considerada pelo governo. Atual ministro da Fazenda, ele assumiu o cargo depois que Fernando Haddad deixou a pasta para disputar o governo de São Paulo.Durigan foi secretário-executivo da Fazenda durante a maior parte do terceiro mandato de Lula e participou da elaboração e execução de medidas econômicas, incluindo programas de renegociação de dívidas. Sua continuidade representaria a manutenção de parte da equipe responsável pela condução da política fiscal. O vice-presidente Geraldo Alckmin também aparece entre os cotados. Durante o terceiro mandato, acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e ganhou espaço nas negociações comerciais com os Estados Unidos.Outros nomes mencionados nas especulações são Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Também foram citados o senador Camilo Santana (PT-CE) e o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB-AL). Nenhum deles recebeu indicação formal para a Fazenda.A expectativa é que o presidente avance nas escolhas ministeriais depois de retornar de uma viagem internacional, prevista para terminar em 16 de novembro.As decisões que podem afetar o ajusteEntre as alternativas discutidas pela equipe econômica estão a revisão de gastos obrigatórios, a redução de benefícios tributários e mudanças nas regras de crescimento dos pisos constitucionais de saúde e educação.Esses pisos estão vinculados à arrecadação e podem crescer em ritmo diferente daquele permitido para o conjunto das despesas pelo arcabouço fiscal. Uma alteração exigiria aprovação de emenda à Constituição.Para o mercado, a viabilidade política das propostas será tão relevante quanto seu impacto estimado nas contas públicas. O governo precisará negociar com um Congresso mais à direita, no qual o PT terá apenas nove senadores.O que observar nos próximos mesesA composição da equipe econômica poderá indicar o grau de continuidade das políticas adotadas no terceiro mandato. Também será importante acompanhar a estratégia do governo para negociar mudanças fiscais antes da posse dos novos parlamentares, em fevereiro de 2027.Outro indicador será a reação dos juros futuros e do câmbio às decisões do Executivo. Esses preços refletem diferentes fatores, incluindo expectativas de inflação, política monetária e percepção de risco fiscal.A primeira etapa do novo governo será definir quais medidas podem ser executadas administrativamente e quais dependerão de aprovação legislativa. A distinção ajudará a dimensionar a capacidade de Lula de implementar seu programa econômico em 2027.The post Quem vai comandar a economia de Lula em 2027? O que o mercado espera appeared first on InfoMoney.