Proibição das bets começa a impulsionar vendas no varejo; veja quem ganha para o BTG Pactual

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A proibição das plataformas de apostas online, mais conhecidas como bets, no Brasil já começa a impulsionar vendas em supermercados e no varejo, segundo o BTG Pactual.Em relatório publicado na quinta-feira (29), o banco cita dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) no mesmo dia. Segundo a associação, as vendas do varejo alimentar cresceram 6,5% na comparação anual entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro. As apostas online foram proibidas no dia 25 de setembro.Ainda, a ABRAS apontou uma queda inicial de 10% no volume de transações via Pix após a proibição, com posterior estabilização em cerca de 7% abaixo dos níveis anteriores.“Embora esses números não estabeleçam uma relação causal direta entre o banimento das apostas e o fortalecimento do consumo nos supermercados, eles oferecem indícios preliminares encorajadores de que os padrões de consumo das famílias podem estar mudando”, explica o relatório do banco.Fim das bets e o poder de compra do brasileiroEm conversa com a Scanntech, empresa que monitora entre 85% e 90% das transações do segmento no Brasil, os analistas do banco observaram que a recuperação das vendas em setembro foi sustentada exclusivamente por preços mais altos e não pelo aumento do consumo.Na avaliação do BTG, o principal desafio para supermercados e atacarejos não tem sido necessariamente a capacidade de repassar preços. Na verdade, a grande questão tem sido a perda de poder de compra das famílias.Para o banco, os números da Abras podem representar os primeiros sinais de uma reversão dessa tendência, ainda que as metodologias utilizadas pelas duas pesquisas não permitem uma comparação direta.O potencial de impacto não é pequeno. Segundo estimativas citadas pelo BTG, o mercado regulado de apostas online movimentou cerca de R$ 36,9 bilhões em receita bruta de jogos no último ano, com aproximadamente 25,2 milhões de participantes adultos e gasto médio líquido de R$ 122 por mês por apostador.Na visão dos analistas, parte desses recursos pode voltar para o consumo tradicional, mas o processo tende a ser gradual. Além disso, existe o risco de que parte dos apostadores migre para plataformas ilegais, reduzindo o impacto potencial da medida sobre o consumo.Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) podem ser os ganhadoresO BTG vê Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) como potenciais vencedores em um eventual aumento das vendas em supermercados. Além disso, essa alta poderia se espalhar futuramente para outros segmentos ligados ao consumo, como farmácias e varejo de vestuário.Apesar disso, para o BTG, ainda é cedo para concluir que o setor entrou em um ciclo estrutural de recuperação.*Sob supervisão de Renan Sousa