Os Volkswagen ID.Polo e ID.Cross são os dois primeiros carros elétricos de volume da empresa para a Europa e, não por acaso, aproveitam-se de nomes fortes em segmentos mais populares. No mercado europeu, o resultado tem sido positivo: o ID.Polo já acumula 40.000 pedidos e aproximadamente um ano de espera. E ambos estão sendo cotados para serem lançados no Brasil.Os dois elétricos da Volkswagen têm preços atraentes para carros elétricos ocidentais. Enquanto o ID.Polo parte de aproximados 25.000 euros (cerca de R$ 152.000 em conversão direta), o ID.Cross parte de 27.000 euros (em torno de R$ 165.000). Isso os aproxima dos preços iniciais de seus respectivos “irmãos” a combustão – o Polo começa em 20.000 euros (R$ 122.000) e, o T-Cross, em 25.000 euros (R$ 152.000).–Guilherme Fontana/Quatro RodasNa Europa, os preços também os colocam frente a frente com a concorrência chinesa, como BYD Dolphin, GWM Ora 03 e MG4 Urban. O mesmo poderá acontecer no Brasil. Embora nenhum deles esteja confirmado, há chances de os modelos chegarem ao mercado brasileiro. Mas qual deles melhor se encaixaria em nosso mercado? Quais os prós e contras de cada um?VW ID.Polo seria a resposta ocidental ao BYD DolphinVW ID.PoloGuilherme Fontana/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO Polo elétrico tem visual carismático e de personalidade, além de um formato mais tradicional para quem gosta dos hatches. A dianteira parece sorridente e tem faróis full led, com opção de iluminação matricial IQ.Light. A traseira tem lanternas que invadem a tampa do porta-malas em uma solução menos óbvia do que nos chineses.De lado, o modelo revela suas dimensões menores em relação aos rivais orientais. Ele tem 4,05 metros de comprimento e 2,65 m de entre-eixos – como comparação, o BYD Dolphin tem 4,13 m e 2,70 m, respectivamente. As rodas variam entre as versões, desde calotas para a configuração mais barata, até rodas de 19 polegadas.VW ID.PoloGuilherme Fontana/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO ID.Polo também capricha no interior. O acabamento é bom desde a versão de entrada, com direito a tecido nas porções superior central do painel, além de outros elementos com variações de texturas e materiais. Há telas de bons tamanhos e alta qualidade.A central multimídia é completa, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, e layout moderno. O quadro de instrumentos tem informações suficientes para o dia-a-dia e um layout típico de carros alemães, ou seja, de leitura fácil.Um modo “retrô” transforma o layout das telas em instrumentos do passado. O quadro de instrumentos passa a ter mostradores “analógicos” que parecem vindos da década de 1970, com pequenos mostradores digitais e luzes-espia. A multimídia também incorpora o desenho, com a navegação apresentada em uma espécie de TV de tubo. Continua após a publicidadePolo recupera os botões para os comandos doar-condicionadoDivulgação/Quatro RodasO pacote tecnológico do Polo elétrico tem grandes variações e, nas versões mais caras, inclui ADAS completo, ar-condicionado de duas zonas, bancos dianteiros e volante aquecidos, câmeras 360°, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, carregador de celulares por indução, entre outros.Há ainda uma faixa de luz na base do para-brisa que envia alertas ao motorista. Caso a navegação esteja ativa com algum endereço, por exemplo, a luz alertará a necessidade de conversão. Para curvas à direita, a luz correrá para a direita. Continua após a publicidadePor fim, o visual e os níveis de equipamentos e acabamentos do ID.Polo dão a ele grandes chances de vingar no Brasil.VW ID.PoloGuilherme Fontana/Quatro RodasO que atrapalha o ID.Polo no Brasil?A produção é o primeiro entrave para a importação do modelo no mercado brasileiro, já que ele enfrenta uma grande fila de espera na Europa, sua prioridade. Produção nacional está descartada. O preço é o segundo ponto crítico, já que versões mais baratas têm um ponto crítico. Continua após a publicidadeAlém de perder alguns itens relevantes para o segmento dominado pelos chineses, as versões mais baratas do ID.Polo têm um motor elétrico de 135 cv de potência – a de entrada, Trend, tem 116 cv.Mas a potência está longe de ser um problema, até por dar ao modelo um bom desempenho. De acordo com a Volkswagen, com 116 cv, o modelo leva 10,6 segundos para ir de 0 a 100 km/h; com 135 cv, leva 9,5 segundos.VW ID.PoloGuilherme Fontana/Quatro RodasO problema está na bateria de 37 kWh que acompanha os motores menos potentes. Ela tem uma boa potência máxima de recarga, de até 88 kW, mas autonomia beira os 330 km em ciclo WLTP. Ou seja, no ciclo do Inmetro, o modelo teria alcance declarado de aproximadamente 230 km, menor do que os seus rivais chineses.A bateria maior, de 52 kWh e que tem autonomia próxima aos 450 km no ciclo WLTP (aproximadamente 315 km no PBEV), só está disponível para as configurações com o motor mais potente, como o de 211 cv. Há ainda a opção GTI, de 226 cv.–Divulgação/VolkswagenIsso faz com que o modelo fique mais caro: a versão mais barata com a bateria de 52 kWh é a Life, que beira os 28.000 euros, ou seja, cerca de R$ 170.000 em conversão direta. O preço considera o modelo sem opcionais, sendo assim oferecido com calotas cobrindo as rodas de ferro. Fica mais caro e menos equipado que a concorrência.O espaço interno também fica atrás dos rivais – como antecipa o entre-eixos menor. Pessoas de até 1,70 m viajam com espaço suficiente no banco traseiro, desde que os ocupantes da dianteira não sejam mais altos do que isso. Quem vai atrás tem portas USB, mas nada de saídas de ar. Por outro lado, o porta-malas do Polo elétrico é grande e tem 441 litros.Por que o ID.Cross tem mais chances no Brasil?A resposta é simples: ele é um SUV. Essa foi a resposta dada por um representante da Volkswagen em um encontro com a imprensa brasileira na sede da marca em Wolfsburg, na Alemanha. E há fundamento, já que o segmento de SUVs segue em pleno aquecimento e o T-Cross tem grande representatividade no mercado nacional.Neste caso, os concorrentes diretos seriam BYD Yuan Pro, GWM Ora 5 e Omoda 5, uma briga um pouco mais tranquila do que contra os hatches citados para o Polo. Ainda assim, o modelo precisaria de preços entre R$ 170.000 e R$ 180.000 para ter argumentos.–Guilherme Fontana/Quatro RodasComo no ID.Polo, o ID.Cross tem visual “simpático”, embora mais robusto. Há faróis full led matriciais com luzes interligando as peças nas versões mais caras, enquanto, na traseira, as lanternas repetem o tema do Polo elétrico, mas só têm interligação (e iluminação no logotipo da VW) na versão de topo. A lateral herda do T-Cross a combustão as linhas mais quadradas, com volumes bem definidos.No interior, também como no ID.Polo, há bom acabamento com tecidos revestindo áreas superiores e centrais do painel, mistura de materiais em outros apliques, e boa montagem. Nas versões mais baratas, por exemplo, os bancos têm revestimento de tecido, mais simples, mas de boa qualidade.–Guilherme Fontana/Quatro RodasTambém há telas de bom tamanho e funcionamento moderno, bem como equipamentos de ADAS, com ACC, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa, entre outros, além de ar bizona, aquecimento de volante e bancos dianteiros, etc. No quesito espaço, o ponto positivo fica para o bom porta-malas de 475 litros.Preço atrelado à autonomia também travam ID.Cross–Divulgação/VolkswagenO T-Cross elétrico tem melhor espaço interno em relação ao Polo movido a bateria. Isso ajuda sua sobrevivência frente aos rivais chineses, mas que ainda têm mais destaque. No ID.Cross, são 4,15 m de comprimento e 2,60 m de entre-eixos, ainda menor do que o Dolphin no último quesito – para comparar com carros menores do que seus rivais diretos.O maior entrave, no entanto, é o mesmo do ID.Polo: uma boa relação de preços, equipamentos e bateria. O modelo de entrada, Trend, é equipado apenas com motor de 135 cv e bateria de 37 kWh, com autonomia estimada em 324 no ciclo WLTP.–Guilherme Fontana/Quatro RodasA bateria maior, de 52 kWh e autonomia de até 427 km, só aparece na versão Life por cerca de 37.000 euros – ou seja, algo em torno de R$ 225.000. Isso faz o modelo perder seu sentido frente aos rivais, especialmente pela perda de equipamentos. Nesta faixa de preço, há SUVs maiores e mais equipados.Há chances reais de ID.Cross e/ou ID.Polo irem ao Brasil?As chances são pequenas, mas existem. Em uma viagem à sede da Volkswagen, tivemos diversos contatos com o ID.Polo, em diferentes situações, em uma aparente intenção de se medir a temperatura da imprensa nacional e do público em relação ao modelo.–Divulgação/VolkswagenPor outro lado, como dito há pouco, houve uma sinalização de que o ID.Cross seria uma escolha mais adequada ao mercado brasileiro simplesmente por ser um SUV. Ainda assim, não há confirmações e pessoas da marca assumem a dificuldade em relação aos preços.Embora sejam modelos baratos na Europa, sofrem com a conversão do Euro para o Real em versões mais adequadas ao Brasil, como nos quesitos equipamentos e autonomia. Seriam modelos bem-vindos ao mercado brasileiro, mas a Volkswagen precisaria encontrar um caminho para alinhar um bom pacote de equipamentos à bateria mais robusta. Publicidade