Binance retoma saques após recuperar 95% de US$ 6,3 bi roubados em ataque

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A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou que retomará os saques gradualmente na manhã deste domingo (1º), entre 3h e 6h, no horário de Brasília. A primeira fase incluirá bitcoin, ether, BNB, Solana, XRP, dogecoin e outros tokens.As operações acontecem após a empresa cobrir 95% dos US$ 6,3 bilhões em tokens roubados de sua plataforma no maior roubo de ativos digitais da história, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte.Em comunicado, a Binance afirma que o objetivo é “restabelecer os saques gradualmente, à medida que concluímos as verificações de segurança e prontidão. Os serviços de depósito continuam abertos e não foram afetados pelo incidente.” Leia Mais Caso Binance: Como ocorreu o maior roubo da história das criptomoedas Binance diz que repôs 90% dos ativos roubados após ataque de US$ 6 bilhões Caso Binance: confira o ranking com os 10 maiores roubos de criptomoedas “Os fundos dos usuários continuam seguros. A Binance absorverá o impacto financeiro dos fundos roubados, e não os usuários”, diz a corretora.Os 5% restantes dos tokens roubados correspondem a ativos com menor liquidez, cuja aquisição nas quantidades necessárias pode levar mais tempo, publicou a Binance.Segundo a empresa, os saques foram temporariamente suspensos por precaução enquanto as equipes trabalhavam para conter as perdas decorrentes do incidente, avaliar seu impacto, restabelecer os serviços afetados e concluir as verificações de segurança.“Não tomamos essa decisão levianamente. Entendemos a importância de garantir aos usuários acesso confiável aos saques. No entanto, nossa prioridade foi proteger os usuários, preservar a segurança da plataforma e concluir as verificações necessárias antes de restabelecer os serviços.”O FBI afirmou no sábado (31) que a unidade patrocinada pelo Estado norte-coreano conhecida como TraderTraitor foi responsável pelo ataque.Pyongyang nega há anos utilizar unidades cibernéticas ligadas ao Estado para espionagem, roubos financeiros e geração de receita. A missão do país em Genebra e a embaixada na China não responderam aos pedidos de comentário.Integrantes da unidade foram vistos por autoridades policiais convertendo os ativos roubados em ether, a criptomoeda da rede Ethereum, informou o FBI em comunicado. A agência acrescentou que espera “novas operações de lavagem” dos ativos por meio de tecnologias relacionadas.O que aconteceu?Cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas foram retirados de carteiras que a Binance usa para processar transações, de acordo com a exchange e análises de especialistas em registros da blockchain.A Binance afirmou em um comunicado na plataforma X que inicialmente pensou que o ataque tivesse envolvido um laptop comprometido.“No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”, acrescentou, sem dar mais detalhes.De acordo com o site da corretora, ela opera um fundo de ativos seguro para os usuários, uma reserva de US$ 1 bilhão em bitcoins destinada a proteger os clientes em caso de violação de segurança.O co-CEO Richard Teng afirmou que as perdas seriam cobertas pelo fundo e pelos recursos da empresa.Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs , os atacantes comprometeram a “infraestrutura de assinatura” da Binance, que autoriza transações, permitindo que eles emitissem instruções que esvaziaram as carteiras afetadas.A maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, conforme mostram os registros da blockchain, começando pouco depois das 17h de quinta-feira (29), no horário de Brasília.Após a movimentação dos fundos, os atacantes correram para transferi-los para um local fora do alcance das contrapartes da Binance e dos emissores de stablecoins, que congelaram aproximadamente metade dos ativos roubados.Uma característica incomum de algumas criptomoedas, incluindo as principais stablecoins como USDT da Tether e USDC da Circle, é que seus emissores podem congelá-las remotamente.“Em termos leigos, o atacante pode não ter roubado a chave do cofre, mas sim sequestrado o sistema que instrui o cofre a liberar o dinheiro”, disse Joshua Chu, um advogado de Hong Kong que trabalha com casos envolvendo criptomoedas.*Com informações da Reuters