Ser sincero demais pode ser avaliado de duas formas: enquanto muitas pessoas acreditam ser uma qualidade, outras podem encarar o comportamento como falta de educação.O famoso “sincericídio” é constantemente motivo de brigas em reality shows, como é possível acompanhar em edições de “A Fazenda”, da Record, ou até mesmo do BBB, da Globo. Leia Mais Dizer "obrigado" muitas vezes é sinal de mais do que gratidão; entenda Falar alto não é sinônimo de raiva: emoções podem explicar mudança no tom de voz Setembro Amarelo: cuidado com a saúde mental deve começar nos sinais invisíveis que antecedem à depressão Falar tudo o que pensa pode ser um ato de coragem, mas o excesso tem se tornado alvo de críticas. De acordo com o Gilberto Ramos, psicólogo da Starbem, à CNN Brasil, a questão da sinceridade não nos isenta da responsabilidade pelo que dizemos.“Hoje, principalmente nas redes sociais, parece que ter opinião sobre tudo virou sinônimo de autenticidade. Mas nem sempre precisamos dizer o que pensamos. Para mim, o limite está justamente em conseguir reconhecer que nossas palavras também têm consequências na vida do outro“, avalia o profissional.Pensar antes de falarSegundo Ramos, a psicologia clínica procura compreender o que existe por trás de determinados comportamentos. Há as pessoas que falam impulsivamente, outras que cresceram em ambientes onde a comunicação era mais dura, por isso essa forma de se comunicar acaba sendo naturalizada.Em relação às pessoas que confundem sinceridade com superioridade, é válido fazer uma pergunta para si próprio: estou dizendo isso porque realmente vai contribuir com alguma coisa ou porque simplesmente quero expressar minha opinião? “Às vezes, o que chamamos de sinceridade é apenas uma dificuldade de perceber o momento e o sentimento do outro”, avalia o psicólogo.De acordo com o profissional, essa postura pode esconder uma dificuldade de lidar com as próprias emoções, de ouvir opiniões diferentes ou até de reconhecer quando passou dos limites.“O que me chama a atenção é quando alguém utiliza a própria personalidade como justificativa para não mudar. Todos nós temos características que fazem parte de quem somos, mas isso não significa que não possamos amadurecer. Ser verdadeiro com o outro também exige disposição para reconhecer quando erramos“, declara Ramos.Como impor limites?É possível colocar limites às críticas de pessoas que se definem como muito sinceras. Nesse caso, o confronto não precisa ser algo obrigatório para que o outro entenda que está passando do ponto.Gilberto Ramos sugere uma fala que pode demonstrar desconforto ao mesmo tempo que determina como a relação pode acontecer: “Eu entendo que você tenha essa opinião, mas não gostei da maneira como falou comigo”.O que parece ser uma frase simples pode ser um exercício enorme para quem é gentil e tem medo de confrontos. Ser gentil não significa aceitar tudo para evitar que o outro fique chateado.Um exercício que pode evitar conflitos e impedir que comportamentos desagradáveis aconteçam é começar a pensar que nem tudo precisar ser dito, principalmente quando ninguém fez uma pergunta ou quando aquilo não vai contribuir com nada.Um exemplo é uma pessoa dizer que está feliz com uma roupa nova e alguém comentar que achou horrível, “porque é sincero”.Vida em sociedadePara Gilberto Ramos, a vida em sociedade exige cuidados. Evitar fazer comentários desnecessários não significa que alguém é falso, apenas ajuda a compreender que nossas opiniões não são mais importantes do que os sentimentos das outras pessoas.“Às vezes, a maior demonstração de maturidade não está em ter coragem para falar, mas em ter sensibilidade para perceber quando é melhor não dizer nada”, conclui o psicólogo.Como o que você veste pode afetar seu comportamento