Especialista orienta sobre como lidar com o luto no Dia de Finados

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No dia 2 de novembro, pessoas de todo o mundo celebram o Dia de Finados, uma tradição marcada pela visita a cemitérios, oração e homenagens aos entes queridos que partiram.  A palavra “Finado” tem origem no latim finātus, que significa “aquilo que chegou ao fim”.  O dia também pode trazer lembranças e intensificar emoções, causando mudanças profundas na rotina e na saúde emocional daqueles que vivenciam o luto ou alguma perda.  Tristeza, saudade, sensação de vazio e dificuldade de retomar atividades são algumas das reações que podem surgir durante o luto, mas o essencial é respeitar o próprio tempo, manter uma rede de apoio e encontrar maneiras de preservar boas memórias são atitudes importantes nesse processo, aponta a especialista.  Para a psiquiatra Elaine Bida, a saudade e a continuidade da vida podem caminhar juntas. “Podemos sentir falta de alguém e, ainda assim, encontrar motivos para sorrir, fazer planos e viver novas experiências. Seguir em frente não significa esquecer. É reconhecer que aquela pessoa continua tendo um lugar importante na nossa história, mesmo que não esteja mais fisicamente presente”, ressalta.   Leia Mais Vendas de flores devem crescer 5,2% no dia de Finados Por que algumas pessoas riem em funerais mesmo estando tristes? Psicologia explica reação involuntária Metáfora milenar da árvore no inverno explica por que certas pessoas somem no primeiro problema O luto tem prazo? A psiquiatra Elaine Bida explica que o primeiro passo é entender que o luto não tem uma fórmula ou um prazo determinado. Cada pessoa reage à perda de uma maneira, e todas as emoções que surgem durante esse processo merecem acolhimento. “O luto não precisa ser vivido de uma maneira específica. Algumas pessoas sentem vontade de conversar sobre quem partiu, outras preferem ficar mais reservadas. Há dias em que a saudade aparece com mais intensidade e outros em que conseguimos nos lembrar de momentos felizes. É importante respeitar essas oscilações e não transformar a recuperação em uma cobrança”, explica. Karla Felmanas fala sobre a dor de perder a mãe e o luto | Na Palma da Mari: Entre Mulheres Ep 115 passos para tornar o luto mais leve Segundo a psiquiatra, o primeiro passo é permitir-se sentir saudade do ente querido que já partiu. “Tentar esconder a tristeza ou evitar qualquer lembrança pode tornar o processo mais difícil. Chorar, conversar sobre a pessoa que morreu e reconhecer a falta que ela faz são atitudes naturais. O importante é não se cobrar por sentir ou demonstrar emoções. O luto envolve diferentes sentimentos, e permitir que eles sejam vividos faz parte da elaboração da perda”, aponta.  O segundo seria preservar as boas lembranças que remetem ao falecido. “Fotografias, músicas, histórias e tradições familiares podem ajudar a manter viva a memória de quem partiu. Relembrar momentos especiais permite reconhecer o significado daquele vínculo e o quanto ele fez parte da própria história. Homenagear quem morreu também pode ser uma maneira de manter presentes os ensinamentos e as experiências compartilhadas”, destaca a psiquiatra.  O terceiro passo é não se afastar da rede de apoio. “Mesmo quando existe vontade de ficar sozinho, manter contato com pessoas de confiança pode ajudar. Conversar, aceitar um convite ou simplesmente ter companhia são formas de atravessar os momentos mais difíceis. Familiares e amigos podem oferecer escuta e acolhimento sem pressionar a pessoa a superar a perda”, analisa a especialista.  O quarto ponto é retomar a rotina e voltar para o próprio ritmo das atividades. “Voltar ao trabalho, encontrar amigos, praticar atividades físicas e retomar pequenos hábitos pode ajudar na reorganização da vida após uma perda. Isso não significa esquecer quem morreu ou deixar de sentir saudade. É possível reconstruir a rotina e continuar valorizando a história vivida com aquela pessoa. O ideal é começar aos poucos, respeitando os próprios limites e evitando comparações com outras pessoas que passaram pela mesma experiência”, disse.  O último seria procurar ajuda quando o sofrimento e a angústia começar a comprometer a vida de alguma forma. Embora não exista um prazo fixo para o luto, é importante observar quando a tristeza se torna persistente e impede a realização de atividades cotidianas. Isolamento intenso, perda de interesse por atividades, dificuldade de retomar a rotina e sofrimento incapacitante são sinais de que pode ser necessário buscar acompanhamento profissional. “Sentir saudade por muito tempo não significa necessariamente que exista um problema de saúde mental. O que precisa ser observado é o impacto desse sofrimento na vida da pessoa. Quando ela não consegue encontrar maneiras de seguir com suas atividades e sente que está paralisada pela perda, o acompanhamento profissional pode ser necessário”, finaliza Elaine.  *Sob supervisão de Thiago Félix