Tecnologia filtra microplásticos de águas residuais em larga escala

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Uma tecnologia desenvolvida por ex-alunos da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, utiliza um sistema de filtragem inspirado na natureza para remover microplásticos de águas residuais em larga escala. Considerado o primeiro dispositivo do mundo com essa finalidade, o equipamento foi instalado em Atlantic City, Nova Jersey, onde será avaliado em um programa piloto de dois anos. A iniciativa busca verificar se a solução pode reduzir a poluição causada por essas partículas antes que a água tratada seja devolvida ao meio ambiente.O sistema reproduz o comportamento de plantas hidrofóbicas, capazes de repelir completamente a água ao entrar em contato com ela e, ao mesmo tempo, atrair partículas de microplástico. Com a passagem da água, os contaminantes ficam retidos e podem ser recolhidos e encaminhados a uma instalação de reciclagem para processamento. A Autoridade de Serviços Públicos do Condado de Atlantic (ACUA, na sigla em inglês) considera fundamental remover essas partículas para proteger a saúde pública. Embora não exista regulamentação federal que obrigue as concessionárias a eliminar microplásticos, a entidade decidiu agir antes da criação de uma exigência legal.Interior de uma célula óssea do tipo MG-63, onde pequenas esferas de microplástico de poliestireno aparecem dentro do citoplasma.O núcleo da célula está em vermelho, enquanto os microplásticos se destacam em azul. Foto: Lemon-FCM-UnicampEsses contaminantes chegam às águas residuais por diferentes caminhos, incluindo máquinas de lavar roupa, chuvas intensas e descarte inadequado de lixo. A maioria das estações de tratamento dos Estados Unidos foi projetada para lidar com esgoto humano, matéria sólida, metais pesados e outros poluentes conhecidos, o que torna os microplásticos um desafio adicional. “Estamos despejando nossos efluentes no oceano. Então, se não removermos o plástico presente em nosso esgoto, estaremos o devolvendo ao meio ambiente”, disse Matt DeNafo, presidente da ACUA. “Ele está chegando aos peixes que comemos, até mesmo à água em que tomamos banho. Portanto, isso realmente se torna um problema para a saúde humana.”Para testar a solução, a ACUA contratou a PolyGone Technologies, startup fundada por Nathanial Banks e Yidian Liu, ambos graduados pela Universidade de Princeton. O projeto será conduzido ao longo de dois anos em Atlantic City, que tem cerca de 40 mil habitantes. “Acho que isso realmente marca uma nova era para a inovação em tratamento, onde somos capazes de construir sistemas muito grandes e escaláveis que usam uma quantidade muito pequena de material e muito pouca energia para tratar contaminantes muito desafiadores”, disse Banks, cofundador e CEO da PolyGone Systems. “E ter o primeiro sistema desse tipo no mundo no Condado de Atlantic é algo bastante incomum.” Em testes de laboratório, um protótipo conseguiu remover 98% das partículas de microplástico das águas residuais. Agora, o objetivo é verificar se o mesmo desempenho pode ser alcançado em escala comercial. A preocupação com os microplásticos está relacionada à sua ampla dispersão ambiental. Daqui a 10 ou 15 anos, a sociedade poderá considerar essa poluição a maior crise ambiental dos tempos modernos. Ao contrário do desmatamento em massa da era industrial, que pode ser revertido com a regeneração das florestas, ou dos impactos da poluição gerada pela revolução do carvão, comparativamente mais concentrados nas proximidades de minas e usinas termelétricas, os microplásticos já foram encontrados em todos os lugares investigados por pesquisadores, do fundo da Fossa das Marianas ao topo do Everest, além de todos os órgãos humanos, do cérebro à placenta, em quantidades que ultrapassam um grama ou até mais. The post Tecnologia filtra microplásticos de águas residuais em larga escala appeared first on CicloVivo.